Marcelo Oliveira

Marcelo Oliveira

12 de Março - por Marcelo Oliveira

Foto: Silvio Kronbauer

A resiliência, a capacidade de lidar com problemas e superar obstáculos, é o que preenche os homens em momentos de sofrimentos inevitáveis. Como diz um provérbio japonês: "cair sete vezes e levantar oito" - Raimundo Grossi

Era uma noite de sábado como tantas outras, calma e sem nada que fugisse a rotina, lá na rua até fazia um clima agradável. Era as costumeiras atividades em família de sempre: jantar, olhar tevê, internet e finalmente dormir – cansados como normalmente ocorre toda a noite de sábado, quando realmente acaba nossa semana.

O domingo é aquele dia onde podemos esticar o sono até mais tarde e curtir o descanso tão esperado. Mas, naquele 12 de março, nosso tão valioso sono foi interrompido de maneira brusca pelo som violento das paredes sendo atingidas por pedaços de outras casas e as telhas sendo arrancadas. Aquele som estridente foi aumentando, quando vimos já estávamos na sala e pelo buraco no forro vimos nosso telhado se indo de uma só fez. Colocar as crianças embaixo da mesa foi à única atitude que pudemos tomar em meio aqueles poucos segundos onde uma parte daquele lugar que nos abriga por anos ia se esmigalhando.

Foi rápido, muito rápido.. E tudo passou, mas logo nossa casa parecia tomada por cachoeiras intermináveis, rapidamente a água que brotava por todos os lados foi tomando conta, o desespero que ora tentava chegar, teve que dar lado, pois não havia tempo para isso, era necessário proteger e salvar o máximo que pudesse. Precisávamos correr e proteger o que dava, mesmo parecendo que era impossível salvar alguma coisa daquele caos.

Enfim a chuva torrencial deu uma trégua, o que me permitiu abrir a porta para ter uma real dimensão do que tinha nos atingindo. No entanto, nem o mais pessimista poderia imaginar. Por toda a minha vida não esquecerei a cena ao abrir a porta. O que vi me atingiu quase com a mesma força do que tinha atingido a nossa casa, era uma cena apavorante, nosso bairro estava destruído, arrasado, como uma cena típica dos filmes de desastre de Hollywood.

A parte externa a nossa casa tinha sido varrida, o carro do meu cunhado foi lançado contra a tela, postes caídos, todas as casas destelhadas e uma delas arrancada do chão; então percebi que era muito mais do que uma tempestade o que havia passado, era algo ainda mais destruidor. Ao chegar à rua não consigo descrever como foi olhar para cima da minha e ver que praticamente não existia mais telhado. E da mesma forma quando olhei para o lado e vi que as casas dos vizinhos haviam desaparecido.

Entrei no banheiro e por um minuto as lagrimas escorreram, mas não podia fraquejar, não tinha tempo para isso, afinal existia muita coisa a fazer. Tampar a casa com lona e proteger o que dava com ajuda de pessoas com espírito altruísta que rapidamente nos ajudaram, sendo isso imprescindível para que pudéssemos salvar nossas coisas. Passei aquele dia embaixo da chuva, foram dois dias sem luz, água e quase nada de sinal de celular; dias de trabalho duro para reconstruir e tentar voltar à normalidade, ainda com os acontecimentos daquele domingo engasgado.

Nestas situações ficamos mais fortes e nos reforça o valor de estar vivo e das pessoas que amamos também estarem bem. As pessoas mostram seus valores. As famílias que por mais tortas que sejam se unem num só objetivo e sem medir esforços. Os amigos, que às vezes nem falamos há certo tempo, nos procuraram e oferecerem ajuda. Os desconhecidos que vem nos perguntar se estamos bem e se precisamos de algo e todos aqueles que trabalharam sem parar no auxilio ao próximo, seja ele o bombeiro ou voluntario anônimo. Nestes momentos acreditamos que estar vivo e junto às pessoas que amamos, mesmo em um tempo tão confuso e distorcido, vale muito pena. Pois na dor cresce a esperança de um tempo novo e melhor.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Nossas Lendas II (A Lenda da Erva Mate) - por Marcelo Oliveira

O tempo dos recursos e caças fartas findou sobre o torrão de terra que por anos alimentara e dera abrigo a grande tribo Guarani. Iniciava-se o tempo de uma nova jornada nômade em busca de alimento. O povo recolheu tudo que podia e antes do sol nascer se foram. Mas um velho índio dormiu enrolado em seus couros e ao acordar todos haviam partido. Sendo ele muito ancião a tribo o deixou para que não fosse mais um peso na longa viagem. Ao levantar-se precisou agarrar-se aos galhos que conseguia alcançar para levantar, seguindo só e sem rumo pela floresta. Durante sua caminhada desnorteada ele sentiu uma presença doce que chegava a suas costas, ele se virou e viu Yari, a filha mais nova, estava a observa-lo e então seu espirito encheu-se de felicidade. Ela não teve coragem de deixar seu velho pai para que morresse. 

Em uma tarde de inverno o velho índio estava distraído colhendo frutas na floresta quando percebeu as folhas balançarem e ficou assustado acreditando ser uma onça que o espreitava, mas para sua admiração o que surgiu foi um homem de pele branca e olhos cor de céu e com roupas coloridas estranhas ao velho índio. Ele lhe disse que viajava há dias e estava cansando e com fome, só pedia algo pra comer e um lugar para descansar. Mesmo com pouca comida o velho índio o convidou para sua cabana onde poderia comer e descansar. Chegando o índio apresentou sua filha Yari, que logo se pôs a fazer o fogo e preparar algo para que o viajante tivesse como se alimentar. Após comer com se nunca tivesse se alimentado o pai e a filha o deixaram em sua cabana para que dormisse e foram repousar em outra abandona.

Na manhã seguinte o velho índio se deparou com a cabana vazia e acreditou que o homem tivesse se ido, mas no mesmo instante ele saiu da mata com muita caça de diferentes espécies e entregou a eles que não acreditavam em tanta fartura. O homem então disse que esta era uma retribuição a tanta bondade que encontrara entre eles. E disse mais, que Tupã o enviara para auxiliá-los e perante o coração bom deles mereciam mais um pedido. O velho índio emocionado disse que a única coisa que poderia pedir era que tivesse um companheiro que o acompanhasse no fim de sua vida para que pudesse liberar sua filha jovem e bela para voltar a sua tribo, mas Yari rejeitou a ideia, e mesmo que o pedido de seu pai fosse aceito ela jurava que não o deixaria ficando sempre ao lado dele. O enviado de Tupã vendo tanto amor e desprendimento levou a moça até uma erva e lhe disse: “Esta é a Erva Mate, dela fará uma infusão com água quente sorvendo sua bebida o seu velho pai terá a força e a disposição de um jovem para caçar novamente”. E continuou: “Tu serás conhecida de hoje em diante por Caá-Yari, deusa protetora dos ervais e sendo responsável multiplica-la”

Daquele dia em diante se um índio estava perdido na floresta e sem esperança Caá-Yari aparecia diante dele e lhe ensinava qual era a Erva Mate e que este bebesse teria suas energias revigoradas desde que compartilhasse dela com todos aqueles seus em sinal de paz e união. A fama da Erva Mate se espalhou chegando a várias tribos até então chegar aos homens brancos. E até hoje é forma de união entre as pessoas e símbolo do amor incondicional de Caá-Yari e seu pai que foi abençoado por Tupã.

(Adaptado da lenda da Erva Mate, versão Guarani) 

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

O Passado Não Morre - por Marcelo Oliveira

Dora olhou o corpo pálido deitado no caixão, e sentiu o estômago doer. Durante todo o tempo que conviveu com Cortez sempre o admirou. Homem elegante, com gostos refinados. Dora também não se lembrava de alguém que lhe ensinara tanto sobre vinhos.

Quando a tampa do caixão foi colocada ela pôde ver apenas seu rosto pelo espesso vidro, sentiu a garganta secar. As mãos fortes seguraram os frágeis braços, a voz rouca em seu ouvido: “Não chore, pois o seu legado nunca morrerá”. Dora fechou os olhos. 

Na noite anterior ele telefonara pedindo para encontrá-la naquele restaurante que tinham se encontrado pela primeira vez. Ela foi ao seu encontro, e, após recebê-la com um beijo, cobriu seus olhos com as mãos e pediu que fosse com ele. Apesar de estranhar a situação Dora não o questionou. Cortez a conduziu até parar e descobrir seus olhos, onde ela viu-se enfrente à mesa. Sobre a mesa estava uma caixa de madeira com uma rosa presa a um laço vermelho, em seu interior encontrava-se um livro. 

Ela desfez o laço com todo o cuidado, sentiu o perfume da rosa antes de abrir. Na contra capa do livro uma dedicatória: “Com todo amor à mulher responsável por esta obra existir”. Embaixo da página, grafada com tinta dourada, ela lê: “P.S Dora, amo-te muito”. 

O livro que conta um romance entre imigrantes italianos durante a travessia do oceano Atlântico até ao Brasil no século XIX é história real de seus avós.  A saga de seus antepassados é o enredo do romance. Cortez se apaixonou por Dora ao longo dos meses que a entrevistou para coletar informações para seu livro. Ficando encantado por sua beleza delicada e sua inteligência fora do comum. 

Dora e sua mãe padeciam na total pobreza, seu pai empenhara todo o patrimônio da família em um cassino ilegal onde perdeu tudo. A depressão que caiu só terminou quanto à bala do Tauros 38 atravessou sua fonte. 

Ela abriu os olhos esperando que a visão daquele dia se repetisse, mas ela só conseguiu ver o caixão seguindo para o elevador do crematório...

Ela não queria isso, não queria tê-lo levado aquele restaurante e colocado o sonífero em seu vinho. Ter deixado ir embora sozinho após ter contado quem era. Ela morreu um pouco quando o carro dele bateu contra o poste, seu coração sangrou junto com o dele. Mas a herança recuperaria um pouco a dignidade perdida de sua família. Ela gostaria que não fosse Cortez o merecedor desse fim e nem ela a executora. No entanto, o que podia fazer ela diante da promessa que fizera diante do caixão de seu pai.

 Quando saiu da capela e levantou a cabeça deixando os pingos de chuva lavar suas lágrimas, ela desejou que Cortez não fosse o homem que era... Tudo teria sido mais fácil. Com a última lágrima escorreu também seu último remorso, não olharia mais pra trás. Cortez tinha traçado seu destino quando resolveu investir naquele cassino.  Sua morte representaria o sacrifício por todas as famílias destruídas. Ela, Dora, foi o anjo vingador delas...

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Nossas Lendas I (O Gritador) - por Marcelo Oliveira

As lendas são histórias que fazem parte de muitas culturas, estão por todos os cantos do planeta. Seus enredos, geralmente com fatos extraordinários, vão de sagas amorosas a fatos tenebrosos. As lendas atravessam gerações de forma oral, é uma mistura de fatos reais e imaginários populares que tentam dar uma explicação a fatos da natureza de uma forma sobrenatural. Mas ela tem uma importância para cada cultura, pois desde tempos antigos é a forma como os sábios, de muitas culturas, mantém viva as suas tradições e história. 

Por causa da transmissão oral das lendas ao longo do tempo, elas se modificam conforme a região onde é contada, por isso muitas lendas parecidas com pequenas diferenças nas mais diversas regiões. Em nosso estado e nossa região serrana também não é diferente, temos muitas versões próprias de lendas universais. Mas temos muitas que são originalmente nossas, e vou trazer aqui algumas delas. Começando pela mais conhecida nos Campos de Cima da Serra: O Gritador.

 

O Gritador

Um jovem morava com sua velha mãe em um casebre a beira de uma mata. Este jovem era conhecido pela maldade que tratava os animais, principalmente seu cavalo. Sua velha mãe também era alvo de sua crueldade. Certo dia o jovem sabendo de um baile se foi rápido para casa a fim de se preparar para a festa. Chegando deixou o animal preso no galpão, sem que pudesse comer ou beber água. 

O cavalo ficou durante horas desse jeito até a noite começar a cair. A mãe do jovem vendo o animal naquela situação e perante a demora de seu filho acreditou que ele não fosse mais sair e desencilhando o animal e o soltou. O cavalo como um raio desapareceu troteando campo a fora. O jovem vendo que seu cavalo havia fugido pela noite ficou furioso, e ao saber que sua mãe o tinha soltou, gritou: 

- Velha desgraçada!! Soltou meu animal, tu vai me levar no baile agora!!

O filho arrastou a mãe para o galpão e com ela de joelhos jogou as encilhas e as apertou, puxou o freio das rédeas em sua boca e subindo em suas costas batia com as esporas, onde berrava: 

-Vamos velha!

A pobre mulher gritava de dor e implorava para que parasse, mas nem isso o convencia a desistir de tal maldade. A mãe do rapaz logo caiu exaurida e agonizando. Em seus últimos momentos ela reuniu toda a força que ainda lhe restava e lançou uma praga:

- Não vou te levar aonde quer, estou morrendo e tu não vai entrar no céu! Quando morrer tua alma vai ficar pra sempre na solidão no mato e gritará de dores como me fez gritar!! – após falar ela morreu.

O jovem vendo o que tinha feito saiu correndo desesperado na escuridão mato adentro e nunca mais foi visto. Contam às pessoas que desde então se escutam gritos de um homem nas matas a noite como sentisse uma dor muito forte, os gritos ecoam vindos dos grotões e quem se atreve a responder escuta os gritos vindos e sua direção. Este seria o gritador, que em sua solidão eterna vem buscar aquele que responde para ir com ele.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Pinheiro de Natal - por Marcelo Oliveira

"O natal dos sonhos é aquele que você idealiza no espírito, sente no coração e partilha na solidariedade!" - Gislaine Schineider

A árvore de natal é um dos símbolos mais conhecidos das comemorações cristãs, ela pode ser pequena, grande, média, de verdade ou plástico. Esta nas casas, lojas ou ruas sempre bem enfeitada, com bolas coloridas, adornos brilhantes e luzes de todas as cores. Em seu topo trás a Estrela de Belém que anuncia o nascimento do Cristo.

 Surgiu ainda nas épocas medievais com os povos pagãos, que adornavam árvores como forma de celebrar a fertilidade da natureza. No calendário antigo cristão o dia 24 de dezembro era o dia de Adão e Eva, neste dia era encenada esta passagem bíblica e como forma de simbolizar o Jardim do Éden uma árvore carregada de frutos era colocada no local de encanação. Com o passar do tempo às pessoas começaram a reproduzir em suas casas, mas colocando mais enfeites, como velas para simbolizar a luz de Cristo, rosas para Virgem e famosa estrela para representar a Estrela de Belém. 

Com o passar do tempo à árvore de natal se tornou comum e se espalhou por todos os locais, mesmo os que não tinham pinheiro, árvore europeia que virou referência, tornando-se uma tradição cristã. Como parte do rito de natal está arrumar o pinheiro, adorná-lo, passar as luzes, correr na manhã de natal para descobrir que presentes que o Papai Noel deixou. Em seu entorno é o local que família se congrega, para conversar, fazer a ceia e confraternizarem. É a tradição que junta às famílias em torno de sentimentos maiores. Momento que se deixa por um momento tudo de ruim que ocorreu durante o ano, como: brigas, stress, perdas, dificuldades, etc.

Está é síntese das comemorações em volta ao pinheiro: renovar forças. Em uma rápida reflexão o pinheiro hoje simboliza a união fraterna em seu entorno, assim como Cristo desejava e pregava há 2000 anos, ou simplificando amar ao próximo como a si mesmo. Se o Pinheiro de Natal é símbolo do que é bom, sua falta também representa o oposto. Em muitas casas - quando se tem uma - não existirá um pinheiro de natal, nem um pai para abraçar um filho ou nem um filho, muito menos uma ceia, já que nem comida se teve no resto do ano. Alguns não terão alegria, pois estarão imersos em seus lutos, em sua dor, em suas sombras. 

A árvore de Natal que em sua origem era carregada de frutos, já que simbolizava a Árvore da Vida do Éden, parece que começou a murchar quando lhe foi trocada os frutos pelos adornos, que embelezam aos olhos, mas que, no entanto, não alimentam a alma. Muitos no Natal estarão sem esperança, com frio e fome ou simplesmente esperando apenas um abraço. Maior símbolo do espirito natalino é daqueles que antes de esperarem seus presentes no pinheiro, vão levar presentes do corpo e do espírito, aqueles que já não esperam por nada.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que mundo lhe apresentar.

 

Ele morrerá com olhos para... - por Marcelo Oliveira

O vento corta o rosto como uma navalha, as brumas baixas confundem céu e terra. O chão talhado pelos cascos vai registrando a história no presente como no passado assim como no futuro que virá, pois seja como for o tempo e no espaço este será sempre seu mundo. No alto de seu andor ele vê o mundo, não que ele fez, mas que lhe foi dado por confiança. Ao aprochegar-se na luz de uma fogueira e poder sentir o tinido d’agua, que lhe serve de ceva para alma em noite de lua de prata e catre geado. Quando o bule quente engrossa com o tição o quente desce pela boca, e os olhos sempre altivos, buscam o horizonte em pensamentos perdidos. 

A chuva cai sem dó, mais abaixo de seu manto negro ele segue, pois em suas costas vão suas lembranças, a sua frente seus sonhos e em sua mala o seu sustento. O mato é casa de seus antepassados, o campo a gloria de seu passado, o rio a força de seu povo, a montanha o orgulho de seu viver. No grande lago se banha e o ontem se foi.  No mar sem fim sua vontade de vencer não perde, já que o fim não põe medo naquele que tem as mãos calejadas da rede. Mesmo que a chuva seja seu pranto escondido nos pingos, sua dor não dobra sobre pelego.

O senhor levanta e seus olhos com ele o seguem, o Patrão Velho lhe fala em silêncio e seus joelhos se dobram, pois o facão enrudece, mas o coração sempre será macio como as flores do setembro. Seja ao lado do fogo, na água ou no alto da maior coxilha nada tira de seu peito o orgulho do seu jeito simples de forma rústica, que a todos acolhem seja por uma carne na brasa ou por um mate quente. Certo que sempre ele morrerá com olhos para terra que o ensinou a viver entre os limites araganos, certo que cumpriu sua missão de gaúcho sobre este torrão. 

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que mundo lhe apresentar.

A Justiça do Escorpião - por Marcelo Oliveira

O escorpião percorria o corpo inerte deitado sobre solo. Um corpo pequeno de pele branca, cabelos loiros escurecidos pela lama. Vestia um shortinho jeans e desfiado e uma blusinha rosa que deixava a barriga à vista. Os pés estavam descalços encobertos pelas folhas secas. Deitada com os braços abertos e contíguos ao corpo parecia repousar em uma cama macia. O escorpião caminhou pela face e parou perto a boca de lábios rosados. Não percebia perigo a ponto de ter que desferir seu aguilhão carregado com seu poderoso veneno. Ele percorreu o corpo entrando pelo decote e alojando-se entre os pequenos seios juvenis.

O grande corpo peludo e desproporcional inclinou-se por cima do frágil corpo e cheirava-o como um animal cheira sua presa; o escorpião pressionado pelo corpo pesado e de suor quente e azedo então desfere um golpe perfeito com seu aguilhão que atravessa o fino tecido da blusa, o acertando bem no peito. O homem de barba encardida sentiu a agulhada arder em seu peito. Batia no peito a procura do que lhe perfurara. Sentiu então uma dor aguda lhe cortar o peito e faltando o ar caiu ao lado do corpo inerte, com uma bola se formando na altura do coração.

 

O inchaço denunciava que o veneno mortal inoculara perto do coração. Sem poder pedir ajuda o grande homem estrebuchou por um longo tempo até dar último suspiro bem ao lado do pequeno corpo ao qual suprimira vida com suas pesadas mãos apertando-lhe o pescoço. O escorpião então saiu vagarosamente de entre os seios da jovem e seguiu seu rumo. Não existia mais perigo... Nem para ele nem para o pequeno corpo, que não seria mais violado e nem para nenhuma outra criança.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que mundo lhe apresentar.

A Melhor Herança - por Marcelo Oliveira

“Árvores são poemas que a terra escreve para o céu. Nós as derrubamos e as transformamos em papel para registrar todo nosso vazio”.
Khalil Gibran

O Homem é movido pelo anseio da satisfação de suas necessidades, mudando o ambiente conforme o fim que deseja. A construção de uma grande hidrelétrica, por exemplo, a fim de sanar o consumo de energia ou a construção de casas e prédios para moradias e lazer. Ninguém nega a importância de garantir mais energia e manter ligado o sistema – já que vivemos em um tempo onde somos extremamente dependentes de eletricidade.

Também sabemos que todo ser humano tem direito a moradia, direito este que está garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos, assim como livre comércio capitalista, onde o investidor (empreendedor) é a base para o progresso. No entanto, quando se fala em progresso se entende: avanço, transformação, melhorias... E neste contexto podemos encontrar algumas possíveis falhas. Como por exemplo, agir pensando no progresso e esquecer-se de perguntar: se progresso é avanço, para onde vamos avançar e a custo de quais perdas? O avanço de hoje não será a perda de amanhã? Se progresso é transformação, o que vamos transformar e como vamos transformar? Se progresso é melhoria, o que vamos melhorar, para que vamos melhorar? E, principalmente, estamos melhorando para o nossa geração ou para as próximas gerações?

Construir hidrelétricas e moradias é necessário e será no futuro, mas dispomos de um planeta com recursos limitados e áreas de preservação reduzidas, então, ser sustentável é saber o legado que se está deixando para próximas gerações, pois qual pai não pensa em deixar o filho com o futuro garantido, gozando de tranquilidade e paz e não onde terá que descobrir meios para sobreviver sem os nossos recursos naturais.

Sentir a aura no rosto que vem de uma mata verde, poder beber das águas límpidas de uma nascente e ouvir gorjeio dos pássaros ao pé do ouvido é a melhor herança que se pode deixar.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que mundo lhe apresentar.

O que existe além do céu... - pro Marcelo Oliveira

O ser humano se diferencia dos animais justamente pela capacidade de raciocínio lógico. Bom, eu acredito que evoluímos, primeiramente, pela maior qualidade humana: A curiosidade. As civilizações progrediram através dos tempos movidas pela curiosidade. Como será que isso acontece? Como será aquilo é por dentro? Se perguntando descobrimos muitas coisas: o fogo, a eletricidade, o papel, a informática, a penicilina, o código genético, a pólvora e a bomba atômica (...).

A curiosidade também fez o homem ir até as profundezas dos mares e da terra atrás do desconhecido. Mas o céu sempre foi a maior curiosidade. Já na infância filmes e livros mexem com nossa imaginação. O que tem lá? O que existe na imensidão desde universo sem fim? Quem nunca se pegou olhando para o céu em uma noite estrelada com a cabeça cheia de indagações? Sentindo-se tão pequeno frente ao universo e ao mesmo tempo tão privilegiado por ser a única inteligência viva neste cosmos.

Mas será que somos o bendito fruto entre o infinito? Seríamos a única fonte de vida existente entre milhares de galáxias? Bom, o homem ainda não superou as limitações de seu organismo tão frágil que não o permitem sair da proteção de nosso planeta. Com muito custo, o homem conseguiu ir até a Lua – há quem duvide. Mas a curiosidade pelo desconhecido faz o homem um descobridor de atalhos a suas limitações. Centros de observações espalhados por todo o planeta com seus poderosos telescópios investigam o universo, satélites errantes pelo universo mandam imagens das nebulosas galáxias, estrelas e planetas, nos mais distantes confins.

E, então sentimos aquela sensação de que não estamos tão sós. Mas a maior curiosidade, com certeza, que faz qualquer humano se descabelar, é o que existe após a morte. Para esta questão ainda não se conseguiu um atalho para ver como é o além. Todas as religiões trazem suas interpretações sobre a vida após morte, umas mais positivas outras nem tanto. Mas, no entanto, a maior curiosidade é também o maior medo, isso mesmo.

Para muitos está ai um grande dilema: Curiosidade x Medo. Talvez quando se perder este medo, os campos se abram para mais essa curiosidade. A ciência que é mãe de todas as curiosidades, é única que não tem medo, e por não ter medo também não tem curiosidade sobre o assunto. Concluo que o medo é pilar da curiosidade, se temos medo automaticamente ficamos tentados a vencê-lo. Mas na questão do além o medo de descobrir que não existe nada é muito maior do que descobrir que existe o inferno.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que mundo lhe apresentar. 

Quando sai o sol - por Marcelo Oliveira

Quando abre um sol sobre São Chico, lá se vamos todos nós – ou pelo menos a maioria – para o Lago São Bernardo. Este ponto Turístico para quem vem de outros recantos, já que para nós é um recanto de lazer, acessível, gratuito e sempre presente.

É para onde convergem as pessoas que querem fazer suas caminhadas atléticas ou simplesmente de passeio; para lá também vão aqueles que são amantes de uma boa fotografia, pois mesmo que se vá cem vezes, sempre vai se achar uma nova cena para um book, para uma foto promocional ou simplesmente para quem curte sair por ai registrando tudo o que vê pela frente.

O Lago também é uma boa pedida a quem simplesmente quer sentar e sua beira e desfrutar de bons momentos com os amigos ou com a família, talvez com um bom mate ou uma pipoca. Sim o Lago é um ambiente familiar dos mais agradáveis. Muitas vezes penso como seria nossa cidade sem este amigo de tanto tempo.

Onde nos achegaríamos naqueles dias quentes ou que simplesmente queremos sair para refrescar a cabeça. O Lago são Bernardo além de tudo, é um grande espaço de convivência, onde todos os níveis sociais podem compartilhar o mesmo espaço sem discriminação.

Lugar onde podemos encontrar amigos, quem nunca deu aquela volta no Lago e não encontrou aquela pessoa conhecida que não via a tempo? Sim este local com suas belezas e encantos mil, com seus moradores permanentes – afinal os patos que ali habitam também não podem ser esquecidos -, um importante companheiro que merece todo nosso respeito, pois nem imponência de um grande shopping erguido em concreto poderia proporcionar tal prazer que neste recanto de natureza. Pois só me vêm à cabeça agora Cleiton e Cledir para expressar meu sentimento: Sai daqui, baixo astral! Vou pro Lago e tchau...

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que mundo lhe apresentar.

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