SE ... ENTÃO POR  QUE ...? ser menino ou ser menina? - por Sueli Santos

SE ... ENTÃO POR QUE ...? ser menino ou ser menina? - por Sueli Santos

Dando continuidade ao tema das dúvidas e dos por quês, e ainda refletindo sobre a afirmação do psicanalista francês Jacques Lacan(2016), que nos ensina que as perguntas respondem, pensemos um pouco sobre o lugar que a sexualidade ocupa (ou preocupa) na vida das pessoas, independente de idade.

Ou seja,  se biologicamente se nasce com uma marca genital, que nomeamos como menino ou menina, homem ou mulher, então por que a sexualidade sempre se apresenta como uma questão, uma incógnita ou um fator de angústia?

Dizendo de outra forma, se a biologia classifica como macho e fêmea todo filhote animal e humano, definindo sua função na reprodução e continuação das espécies, por que no humano essa classificação não funciona como nos outros animais?

Por que  não é garantido que nos humanos a marca biológica determine como vai se dar o desenvolvimento da sexualidade apenas como função de reprodução da espécie, sem preocupação com o prazer e com o desejo?

A questão não é de fácil resposta posto que, no humano, as relações são construídas a partir do que ele entende, percebe, sente e como busca satisfazer sua relação com a realidade que o envolve. Por exemplo, tomando a percepção como parâmetro de compreensão da realidade.

Se pedirmos para uma criança de seis ou sete anos fazer um desenho de sua casa, ela pode desenhar uma casa com chaminé embora more em um prédio de apartamentos. Ela pode desenhar essa casa com chaminé sem fumaça ou com fumaça, pode pintar sua casa de uma cor que não corresponde a casa verdadeira. Poderá, como elementos complementares, pintar o céu de cor rosado com vegetação cinza ou vermelha no entrono.

Então esse desenho está revelando as emoções dessa criança. Ela está pintando uma realidade que é sua particular, com sua estética, sua imaginação, suas fantasias. Ela desenha o que sente, como percebe seu mundo naquele momento. Talvez um adulto possa olhar a obra e pensar preocupado: essa criança está com problemas, não sabe que o céu é azul, que a vegetação é verde, que é preciso desenhar fumaça se a casa tem chaminé?

Quero alertar aqui, que como o exemplo do desenho, a sexualidade é construída no psiquismo humano de acordo com as experiências emocionais e afetivas. A criança construirá sua identificação sexual, a partir das relações com os pais, com as pessoas que cuidam dela. Dizendo de outra forma, a criança construirá sua identidade com relação aos pais como ela os vê, como entende ou sente que eles são em suas fantasia, em seu afeto.

É o carinho, a segurança, a troca afetiva que determinará o destino da definição da sexualidade no humano e não a marca biológica de nascimento no corpo. Emocionalmente isso só será definido ao longo do tempo, e dependerá de como o amor dos pais, ou cuidadores, marcará o psiquismo da criança.

Se  a sexualidade humana é forjada na relação afetivas com os pais,  marcada pela satisfação e pelo prazer e/ou desprazer desse contato, então por que essas histórias e vivências acumuladas não garantem que ser menino ou menina defina emocionalmente a sexualidade dos humanos? Então por que não cumprir o mandato dos pais e da biologia, sem dúvidas, sem angústias, sem dificuldades nas escolhas e vivências afetivas e sexuais?

Retomando algumas perguntas do artigo anterior, Se nossa história nos ensina a viver como nossos modelos familiares, com os mesmos princípios e valores, então por que não é sem conflitos?

Se a sociedade atual é livre para fazer, falar e realizar seus desejos sem censura, sem preconceito, então por que os jovens continuam sem coragem, ou confiança, ou naturalidade em falar sobre isso com suas famílias, com seus amigos, com as pessoas que confiam?

A sexualidade humana é determinada pelas marcas de prazer e desprazer que vão sendo inscritas no corpo desde muito cedo, no cuidado com todo o desenvolvimento dos bebês. Desde a amamentação, dos cuidados de higiene, de como falamos com os bebês, de como o tocamos, de como investimos nosso afeto esperamos que esses bebês sejam uma continuidade de nossos sonhos e fantasias de pais.

Na adolescência, como uma etapa de definição de papeis sexuais, emergem dúvidas, conflitos entre o que é determinado pela educação, pelo que os pais esperam que os filhos sejam, e o que o adolescente não sabe que é. Aí, na adolescência vão aparecer as possibilidades de experiências que desvelarão o que até então estava marcado na infância, ou como se diz em psicanálise, estava no inconsciente, recalcado. Não tinha como ser expresso, falado, compreendido, embora nas brincadeiras as crianças já esbocem esses conflitos.

Nem sempre, como no exemplo do desenho, as crianças vão ver sua realidade afetiva e identidade sexual conforme lhes é ensinado que deva ser. Como cada um vai construir suas escolhas e identidade sexual não é determinada apenas pelo biológico, como se fosse um destino.

O humano é marcado pelo desejo, e o desejo é sempre inesgotável, impreciso, o que pode determinar que a escolha sexual e afetiva ou amorosa seja diferente do que esperam de nós. Procure dividir essas questões com seus filhos, com seus pais, com seus parceiros, com seus amores. Se a experiência sexual e sua definição não é mais um tabu, então por que não se falar sobre isso? Que resposta temos para essas perguntas?

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

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