Gostaria de dividir com os leitores um tema que vem nos afetando a todos, qual seja, quando a verdade é elucidada, sobre qualquer fato ou evento, seja de ordem pessoal ou na vida social, não se pode mais defender ou crer nas fantasias travestidas de verdade, não há remédio.

O poeta Joan Monoel Serrat nos ensina: ‘nunca es triste la verdad, lo que no tiene es remédio’. Embora seja um poema de amor que resultou em uma linda canção, trata de questões que nos afetam a todos. Quando buscamos a verdade do amor, por exemplo, tomamos uma parte pelo todo, acreditamos que essa parte garante que o todo foi conquistado. Isso vale para outras relações, humanas, afetivas sociais, ou políticas.

A busca da verdade, a tentativa de saber a verdade, a certeza da verdade, nos oferece sempre um irremediável encontro com desilusões. Isso porque temos a ilusão de que podemos ser diferentes daqueles que criticamos, ou discordamos, quer do ponto de vista intelectual, social, ideológico, étnico, religioso, etc. Podemos até conviver com a diversidade onde nos situamos nos grupos sociais, familiares, profissionais, no entanto, a ilusão é que nossas discordâncias nos colocam no lugar de observador privilegiado, alheio às próprias crítica que fazermos.

Doce ilusão. Talvez não tão doce. Somos também olhados do lugar do outro, desde o lugar dos que nos observam, e quem sabe, fazem o mesmo caminho de distanciamento que nós supomos  fazer. Dizendo de outra forma, também somos observados e considerados  diferentes  pelos outros.

O discurso do respeito às diferenças é proporcional ao desconhecimento do quando nós, a cada dia, somos diferentes frente a nós mesmos, somos contraditórios. Que ao longo do tempo, mudamos. Muda nossa compreensão de mundo, de sentido da vida, de entendimento sobre os valores que são repensados em uma sociedade tão diversa, com laços afetivos tão frágeis. Nos surpreendemos ao nos descobrirmos também com preconceitos com relação aquilo ou aqueles que são distintos de nós. Quem sabe possamos entender que somos estranhos a nós mesmos a cada fase de nossa vida. Somos assim.

O que é preciso mudar, à medida que a vida passa, que a sociedade muda, que as relações  não tem os mesmos enlaces, é que não existe A verdade. Mas que precisamos aprender, ao longo da vida, que não podemos tomar uma parte pelo todo, escolher apenas uma parte como a verdade total. Ninguém detém a verdade, ninguém é dono da verdade, ninguém sabe qual a verdade de si mesmo.

Me preocupa quando encontro alguém, que não via há muitos anos, diz: Não mudaste em nada, continuas igual. Como isso seria possível se passaram tantos anos? Se tanta coisa foi vivida, perdida, retomada, esquecida. Como se pode seguir igual na vida se é vivida de tantas formas, com tantas mudanças. Como o tempo e o vivido não fizeram marcas?

No reencontro com pessoas ou lembranças do passado, a estranheza é necessária. É preciso que mudemos, que não nos vangloriemos de sermos sempre iguais, que o tempo não nos fez diferença. Isso não quer dizer que podemos virar casaca, ou seja, questionar os valores éticos fundamentais e aderir a total ou parcial falta de princípios. Mudamos. E finalmente, nunca é triste a verdade, o que não é remédio.

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul 

Todos os anos é a mesma coisa. O início das aulas traz muitas expectativas para pais e crianças, cada um a seu modo. Seria bom que fosse um momento de crescimento para ambos. Os pais felizes por seu filhos estarem crescendo, indo para um mundo de novas relações com a vida. As crianças felizes de poder conviver com outras crianças e aprender muitas coisas novas, mesmo que não saibam muito bem o que será.

Os primeiros dias de escola, de crianças muito pequenas, são cheios de insegurança. Elas não sabem bem o que vão encontrar. Os que estão indo pela primeira vez, além do desconhecido, ficarão longe de casa por algum tempo, longe do que lhe é familiar. Para aqueles que já passaram por essa experiência, sempre há a curiosidade para saber quem será a nova professora ou professor, se seus colegas serão os mesmos, que outras coisas terão que aprender no novo ano.

Por vezes, os pais também ficam inseguros pela separação dos filhos que começaram a ter experiências novas, longe de seu olhar protetor. Nos pais de crianças maiores, surge a expectativa de que seus filhos vençam os novos desafios da aprendizagem, que tenham progresso e que se comportem bem. 

Para as crianças, é importante entender que a escola é um lugar onde vão encontrar outras crianças, seus colegas; que vão brincar, compartilhar e ouvir histórias, aprender muitas coisas importantes para seu conhecimento, aprender sobre o mundo que as rodeia.

Mas nem sempre a entrada na escola e o convívio das crianças com o mundo do conhecimento, da troca de experiências com professores e colegas é entendido como algo leve, que traz prazer, como um mundo de aventuras. 

Algumas  vezes, buscando proteger os filhos e estimular que tenham uma boa experiência na escola, as crianças recebem recomendações do tipo: cuidado, vocês  têm que se comportar direito, ficar caladas e obedecer as ordens da professora; não fazer bagunça, ser boazinhas e não brigar com os colegas.

Mas afinal, o que significa: se comportar direito? Ficar calado e obedecer? Não fazer bagunça? Ou ser bonzinho e não brigar com os colegas? Não responder para a professora? Isso pode ter muitas interpretações por parte das crianças. Essas recomendações dos pais, podem estar ligadas à forma como eles entendem o que deva ser o comportamento de seu filho fora de casa, ou que seja isso que a escola espera das crianças.

Atenção: 

Uma coisa importante de se entender é que as crianças pequenas estão dentro do mundo da linguagem, mas nem sempre entendem o sentido do que os adultos falam. 

Criança com medo, calada, assustada, não aprende com leveza, com curiosidade, com alegria. O medo do que é novidade, daquilo que é diferente, não é um bom amigo da aprendizagem. 

O receio de fazer feio, de errar, de não saber a resposta certa, pode inibir a criança a se arriscar, a mostrar suas dificuldades.

Dicas para pais e professores:

As vezes, crianças muito quietas, que nunca perguntam nada ou que têm vergonha de falar, que são muito críticas de si mesmas, que sempre acham que o que fazem é feio, são crianças  entendem que estão proibidas emocionalmente de errar e por isso não se permitem não saber, não se permitem mostrar suas dificuldades. Então ficam caladas, encolhidas, lentas, sem criatividade, sem alegria ou aparentam desinteresse por qualquer estímulo.

Isso pode ser confundido com dificuldade de aprendizagem, ou alguma deficiência de inteligência. É preciso prestar atenção no que realmente está impedindo a criança de mostrar suas potencialidades e capacidades.

Portanto, entrar na escola, ou retornar às aulas, deve ser uma experiência de prazer, de alegria, de entusiasmo pelo novo. A escola deve ser vista como um lugar agradável, de descobertas, de conhecimento de novas pessoas, de compartilhar brincadeiras. Ou seja, de aprender com as novas experiências.

Assim as crianças vão aprender a compartilhar suas descobertas com os colegas, vão aprender a esperar sua hora de falar, vão ter curiosidade de perguntar o que não entendem, terão vontade de mostrar o que sabem.  E principalmente, é preciso respeitar que cada crianças tem seu tempo para entender tudo isso.

Não compare as crianças umas com as outras, como esse todos tivessem que aprender da mesma forma ou no mesmo jeito. Cada uma é única e essa é a riqueza da convivência da experiência de crescimento na escola, na família, na vida. Respeite as diferenças.

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

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