Antes de iniciar, e para esclarecer, um paradigma é um modelo, um padrão, em qualquer área ou ramo do conhecimento que considerarmos.

Esta nova, e bastante recente, abordagem da ecologia envolve uma radical mudança em nossa visão de mundo, o atual paradigma. Mas, afinal, o que esta nova abordagem tem, ou traz, de novo?

No início do século XX, os físicos ficaram dolorosamente conscientes de que suas concepções básicas, sua linguagem e todo o seu modo de pensar eram inadequados para descrever os fenômenos atômicos. Muito além de novos problemas intelectuais, eles alcançavam proporções até de crise emocional, dadas a intensidade da nova realidade, uma vez que lhes faltava vocabulário para entender, e até descrever, o que estava sendo observado.

Mais recentemente, já no final do século XX, nos deparamos com uma crise cultural semelhante, porém muito mais ampla, que se estende para além das ciências, abrangendo também o tecido social, e seu modo de pensar. O que estamos testemunhando hoje é uma mudança de paradigma, na qual o domínio de um ponto de vista secular está sendo não apenas desafiado, como revisado. E quais seriam estas ideias e estes valores colocados em cheque?

Não há uma ordem cronológica ou de importância, mas eles são a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico, e – por fim, mas não menos importante – a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. 

Sobre mudanças de paradigmas, em seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, o filósofo Thomas Kuhn teorizou que toda mudança de paradigma passa por três fases: a primeira, quando a nova ideia enfrenta muita resistência, às vezes até com violência; na segunda, ela passa a ser tolerada, e na terceira ela passa a ser o novo paradigma. E assim, o ciclo recomeça....

Albert Einstein também afirmou que um problema só pode realmente ser resolvido se sua solução for concebida em um paradigma diferente daquele que o criou.

O próprio Charles Darwin, no século XIX, afirmou que “estamos todos interligados”, mas muito provavelmente ele não imaginava que esta afirmação teria tanta abrangência e profundidade quanto percebemos, e experimentamos, hoje.

O novo paradigma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo “ecológica” for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedade estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos).

Os dois termos, “holístico” e “ecológico”, diferem ligeiramente em seus significados, e parece que “holístico” é um pouco mais apropriado para descrever o novo paradigma. Uma visão holística de uma bicicleta, digamos, significa ver a bicicleta como um todo funcional e compreender, em conformidade com isso, as interdependências de suas partes. Uma visão ecológica da bicicleta inclui isso, mas acrescenta-lhe a percepção de como a bicicleta está encaixada no seu ambiente natural e social – de onde vêm as matérias-primas que entram nela, como foi fabricada, como o seu uso afeta o meio ambiente natural e a comunidade pela qual ela é usada, e assim por diante. Essa distinção entre “holístico” e “ecológico” é ainda mais importante quando falamos sobre sistemas vivos, para os quais as conexões com o meio ambiente são muito mais vitais.

Fritiof Capra usa o termo “ecológico” no sentido de estar associado com uma escola filosófica específica e, além disso, com um movimento popular global, conhecido como “ecologia profunda”, que está, rapidamente, adquirindo proeminência. A escola filosófica foi fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess, no início da década de 70, e distingue “ecologia rasa” de “ecologia profunda”. Esta distinção é hoje amplamente aceita e muito útil para se referir a uma das principais divisões dentro do pensamento ambientalista contemporâneo.

A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ele vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de “uso”, à natureza. A ecologia profunda não separa seres humanos – ou qualquer outra coisa – do meio ambiente natural. Ela vê o mundo, não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados, interdependentes e intimamente encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos).

Se olharmos para a nossa cultura industrial ocidental, veremos que enfatizamos em excesso as tendências auto-afirmativas e negligenciamos as integrativas. Isso é evidente tanto no nosso pensamento como nos nossos valores, e é muito instrutivo colocar essas tendências opostas lado a lado.

Pensamento

Valores

Auto-afirmativo

Integrativo

Auto-afirmativo

Integrativo

Racional

Intuitivo

Expansão

Conservação

Análise

Síntese

Competição

Cooperação

Reducionista

Holístico

Quantidade

Qualidade

Linear

Não-linear

Dominação

Parceria

Uma das coisas que notamos quando examinamos esta tabela é que os valores auto-afirmativos – competição, expansão, dominação – estão geralmente associados ao sexo masculino. De fato, na sociedade patriarcal, eles não apenas são favorecidos como também recebem recompensas e poder político. Essa é uma das razões pelas quais a mudança para um sistema de valores mais equilibrados é tão difícil para a maioria das pessoas, especialmente para os homens.

Toda a questão dos valores é fundamental para a ecologia profunda; é, de fato, sua característica definidora central. Enquanto que o velho paradigma está baseado em valores antropocêntricos (centralizados no ser humano), a ecologia profunda está alicerçada em valores ecocêntricos (centralizados na Terra). É uma visão de mundo que reconhece o valor inerente da vida não-humana.

Chamando a nova visão emergente da realidade de “ecológica” no sentido da ecologia profunda, enfatizamos que a vida se encontra em seu próprio cerne. Este é um ponto importante para a ciência, pois, no velho paradigma, a física foi o modelo e a fonte de metáfora para todas as outras ciências. Hoje, a mudança de paradigma na ciência, em seu nível mais profundo, implica uma mudança da física para as ciências da vida.

Fontes:
Fritjof Capra – As Conexões Ocultas; A Teia da Vida
Thomas Kuhn – A Estrutura das Revoluções Científicas

Telmo Focht, biólogo, com doutorado em espécies exóticas invasoras. Também atua na área de licenciamentos ambientais.

Certamente, vivemos dentro de normas orientadoras, que estabelecem limites e determinam como as pessoas devem viver. Estes paradigmas surgem nas diversas áreas em que atuamos e vivemos, como modelos a ser seguidos, o que, de alguma forma, nos faz sentir que agimos dentro da “norma”, e isto nos dá tranquilidade e segurança.

Paradigma é um termo de origem grego “paradeigma”, que significa “modelo” ou “padrão”. Mas, num mundo em constante evolução, em que os valores e interesses mudam de geração para geração, e onde em cada etapa existe um esforço por adaptar-se ao novo, para não ficar para atrás e não desvincular-se dos filhos, amigos e relações sociais, como saber até que ponto o padrão com que vivemos é limitante para alcançar o voo que pretendemos?

Hoje, o saber informático passou a ser um paradigma de inclusão ou exclusão, pois se não dominarmos seu uso ficamos desconectados do mundo e das possibilidades que se abrem para todos a cada momento. Outros paradigmas são influenciados pelas ideias filosóficas, ciência, educação, religião e determinados pela cultura social, etc.

É importante perceber como os modelos impostos operam em nosso consciente ou inconsciente. Para isto podemos observar como respondemos a determinadas situações que se repetem em nossa vida, pois sempre há um paradigma que nos domina e por ele filtramos toda a informação que recebemos.

Mas, desta forma, não conseguimos receber a informação completa, nem descobrir todas as possibilidades que cada situação nos apresenta. Por exemplo, em educação um paradigma conservador não é eficiente para atender a aprendizagem de todos os alunos, pois não reconhece a forma de aprender individual de cada um deles. Já uma prática pedagógica inovadora dá lugar a uma aprendizagem crítica, que possibilita mudanças no processo de aprendizagem do aluno.

Ou seja, inovar significa sair do paradigma no qual estamos inseridos, se abrir a novas possibilidades de compreensão e de visão de mundo. Porém, em meio a tantos limites impostos, temos possibilidade de descobrir nossa própria forma de pensar? De realizar escolhas sem temer ser criticado ou julgado por isso? Sem perder a confiança em nós mesmos e a dos que nos rodeiam? Claro que cada um é uma individualidade, com características diferenciadas, e por isso nossa forma de aprender na vida é diferente. Temos a possibilidade de ver quais são os pa- radigmas impostos que nos dominam, tomando distância e observando-nos para reconhece-los. Desta forma poderemos desenvolver a liberdade interior de poder escolher.

"Ser livre é poder fazer nossas próprias escolhas e assumir a responsabilidade sobre elas."

Mercedes Sánchez
Educadora de longa trajetória na educação brasileira, com a constante preocupação de procurar meios que possibilitem o desenvolvimento do ser humano.

• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 16 - Agosto de 2014

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