Liberdade, liberdade, liberdade! - por Mateus Barcelos

Liberdade, liberdade, liberdade! - por Mateus Barcelos

Maressa sonhava com dias melhores, e tinha certeza de que eles viriam. Imaginava pra si própria um mundo de sonhos, fantasias, alegrias, muita luz. Mas algo a impedia. Uma força extremamente superior a dela hesitava em presenteá-la com a liberdade.

Maressa revirava-se, dava chutes, mas ninguém nem mesmo a ouvia, embora fosse percebida a inquietação da menina. Ela não podia reclamar de falta de cuidados, pois onde estava era quente,havia bastante líquido, e ela podia repousar o quanto desejasse sem ser incomodada. Somente a luz lhe era negada. Não podia ver o Sol, o mar, as estrelas. Não via as pessoas, os pássaros, o horizonte. Não sentia o vento, a chuva, enfim, não sentia a liberdade.


Era privada de ver TV, ouvir rádio ou ter qualquer acesso a qualquer tipo de comunicação. Internet então, nem se fala. Imaginem! Essa foi sua vida durante longos meses; enquanto não estava dormindo pensava em sair daquele lugar, e algo dentro dela ardia cada vez mais intensamente para que um dia rompesse com tudo que lhe impedia e saísse em direção à vida.

E esse dia chegou. Buscou forças em todos os músculos do corpo, ficou em posição e avançou. Alguém muito mais forte do que ela já esperava aquela atitude e a aguardava do lado de fora. Agarrou-a pelos braços e pernas e a agrediu. Maressa chorava de dor e seus olhos ardiam pelo contato com a luz.

Ouviu sons estranhos, que mais tarde saberia que eram vozes e que elas diziam: Parabéns Mamãe! É uma menina!





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