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Por que apenas um dia? - por Adriano Villa stars

Às vezes paro para pensar a respeito das datas comemorativas. É sempre uma festa só quando chega o dia das mães, o dia dos pais ou até mesmo um simples aniversário. Parece que as pessoas mais próximas se mobilizam para serem melhores em dias assim, sem mencionar a correria para comprar um presente, uma rosa ou até mesmo, uma pequena lembrancinha, afinal de contas, o que vale é o carinho, não é verdade? 

E falando em rosa, lembro de ter visto muitas mulheres, alguns homens e muitos ambulantes de semáforo vendendo flores no dia das mulheres. Dava até gosto observar como as mulheres carregavam suas rosas, felizes por receberem uma homenagem tão singela em um dia tão especial. Mas, sinceramente, por que dar uma flor para outra flor em um dia especifico? Por que esperamos o mês de maio para dizer o quanto amamos nossas mães? Por que esperamos agosto, outubro ou até mesmo o dia de finados para enviarmos uma oração para os entes queridos que passaram desta para uma melhor? 

Às vezes acho que perdemos muito tempo esperando um determinado momento para fazer algo que podemos fazer nesse exato momento, infelizmente, não sabemos como será o amanhã e nada pior do que terminarmos com uma frase que deveria ser dita para ouvidos que não podem ouvir mais. Sei que as pessoas sabem que as amamos, mas é sempre bom dizer, sabe por que? Quando confessamos aquilo que trazemos em nosso coração nossos olhos brilham e o coração da outra pessoa sabe que nossas palavras são verdadeiras.

Por isso, não deixe de dizer que ama alguém no último segundo do segundo tempo. Não deixe para dar uma flor para a pessoa que é importante para você somente em um dia especial, afinal de contas, você mesmo pode tornar qualquer dia comum em especial, já parou para pensar nisso? Caso não, saiba que, da mesma forma que as pessoas são especiais para você, você é para elas também, por isso, não deixe para demonstrar sua consideração apenas em um determinado dia.



Todos os dias é natal, um dia para vivermos em paz com nosso próximo, um dia especial feito para perdoarmos aqueles que nos decepcionaram ou nos ofenderam de alguma forma, um dia especial para virarmos a página e levarmos em consideração que o amor é melhor do que a indiferença ou que o silêncio velado por alguma razão que talvez nem seja lembrada. Por isso, comemore o amor que somente essa data traz ao nosso coração todos os dias, pois você pode trazer essa felicidade para alguém também.

Todos os dias deveriam ser como o ano novo, sempre comemoramos um novo ciclo em nossas vidas, sempre fazendo novos planos ou insistindo naquilo que acreditamos. Se formos parar para pensar, cada dia realmente é um novo ano. Não precisa ser dia 31/12 de qualquer ano para comemorarmos mais um ano de vitória ou mais um ano de aprendizado ou de esperança por dias melhores... Nossa luta não termina nunca, não é como São Paulo que parece despertar somente depois do Carnaval.

Todos os dias deveríamos comemorar nossos aniversários, lembrando que a cada dia, envelhecemos um pouco mais, lembrando que a cada dia, aprendemos um pouco mais, afinal de contas, idade não é sinônimo de velhice, mas sim de experiência, de sabedoria, a mesma sabedoria que não deixamos de aprender até o momento que fechamos nossos olhos para essa vida. Estamos em constante aprendizado e por mais velhos que sejamos, sempre vamos desejar ter a idade que temos agora em tempos passados, por acharmos que viveríamos melhor de alguma maneira, quando na verdade, vivemos da maneira que precisamos viver por fazer parte de nosso aprendizado.

E precisamos aprender que não precisamos de um dia especial para lembrar de alguém em especial, que todos os dias são especiais e que podemos torna-lo ainda mais especial. Não precisamos esperar um momento para dizer eu te amo, não precisamos esperar por um dia para dizer o quanto amamos nossos pais, não precisamos de um dia para desejar felicidades a alguém, não precisamos esperar um dia para perdoar ou ser perdoado por alguém que ferimos, é preciso fazer o que temos para fazer hoje, pois não sabemos até quando teremos o nosso hoje.

Adriano Villa 
Escritor, cronista & poeta
Vive em São Paulo

Pery e sua cartilha de conduta - por Adriano Villa

Caro senhor Pery Cartola, 

Devo concordar com alguns funcionários públicos a respeito de suas normas, além de não ter muito sentido, existem outras coisas muito mais importantes do que ficar reparando no decote de alguma funcionária. O senhor me desculpe, mas, para criar uma lista com tantas coisas, provavelmente passa a maior parte de seu tempo reparando nos funcionários e não na forma que trabalham, mas como se portam.

Tudo bem que alguma ou outra é muito difícil não reparar, ainda mais quando estão com aqueles decotes que chamam nossa atenção, sei também daquelas outras que usam decotes extravagantes que são como suas próprias regras: ridículas, por isso, seria melhor o senhor atentar para o funcionamento do mecanismo das repartições e não para como se vestem.

Olha, nem todos os brasileiros tem sorte de se tornarem funcionários públicos e gozar da estabilidade tão sonhada e merecida por todos. Muito menos de ter uma placa sobre a sua cabeça avisando de maneira nada agradável que desacato a funcionário público é crime. Ou seja, nós, seres mortais ao precisarmos de um serviço público, encontramos funcionários mal-humorados que às vezes forçam um desacato.

Por isso, o senhor bem que poderia incluir em sua cartilha o seguinte item: atender o contribuinte de maneira simpática e da melhor maneira possível, lembrando que são eles que fazem nosso salário pagando seus impostos, por isso, deixe o mal humor na gaveta de casa e seja profissional para atender cada um da maneira que merece.

Isso seria algo muito bom, além de mudar o sistema público, deixaria óbvio para a população o respeito, independente de raça, cor, credo ou situação social. Afinal de contas, todos pagam impostos e aqueles que não pagam, particularmente não acho que devam ser punidos por isso, todos têm direito de não pagarem por algo que não funciona direito.



Senhor Cartola, se realmente quer transformar o mundo público de uma vez por todas, não seja uma pessoa superficial que se preocupa apenas com estética, se a meia combina com a calça e o sapato, se a cor do esmalte da dona Everalda está chamando mais atenção do que o prêmio acumulado da Sena e, quanto ao aperto de mão... (Sério? Até isso?) O senhor não precisa de homens que apertem firmes as mãos um dos outros, as mãos de seus funcionários devem ser fortes em suas atividades e não num cumprimento entre amigos de trabalho.

Quanto as três balançadas... O senhor está se referindo a um aperto de mão ou outra coisa? Pergunto isso por ser coisa de mãe: olha filho, quando você for, de três balançadas bem fortes, viu? Depois você pode guardar tranquilo que não vai vasar na cueca. Gostaria de saber o que o senhor tem contra os homens que tem mania de apertar as mãos um dos outros de maneira delicada e com as pontas dos dedos? Será que o senhor também é homofóbico? Ou será que o senhor curte um daqueles belos, fortes e másculos apertos de mão?

Tudo bem quanto o senhor exigir pontualidade e seriedade no trabalho, mas não poder trocar uma ideia ou rir de alguma situação engraçada é muito proibitivo, até mesmo para os antigos donos de engenhos que xingam a mãe da Princesa Isabel até hoje por ter assinado aquela bendita carta. Outra norma que achei completamente no sense, foi o fato de pedir para aqueles que namorassem entre si, que respeitasse o ambiente de trabalho, que não ficassem tagarelando ou de beijinhos pelos corredores. Sério mesmo? Acha que alguns casais trocariam a comodidade de uma bela cama por um armário de vassouras ou um almoxarifado? 

Já parou para pensar que algumas reivindicações podem ser encaradas como abusivas e preconceituosas? Pois é, mandar em uma determinada quantidade de funcionários é uma coisa, agora, força-los a se vestirem e se comportarem como o senhor acha prudente é outra completamente diferente. Tudo bem, nem todas são absurdas, o lance do crachá é importante, ainda mais para nós contribuintes pegarmos o nome e reclamarmos para um SAC que provavelmente não nos dará nenhuma atenção por estarem de mal humor também.

Adriano Villa 
Escritor, cronista & poeta
Vive em São Paulo

 

 

Por um natal mais decorado em seu coração - por Adriano Villa

Já percebeu que os dias tem passado cada vez mais rápido? Muitas pessoas comemoram uma semana rápida, afinal de contas, é muito mais rápido chegar a outro final de semana. O problema é que, como diz o velho ditado: de grão em grão a galinha enche o papo, e nem percebemos o tempo correndo.

É como fazer os tão desejados dezoito anos... Desejamos do fundo da alma completar dezoito, mas depois que completamos, os anos parecem passar tão rápido que desejamos com a mesma intensidade voltar a nossa infância. Ao tempo que tudo era muito mais simples e fácil. Um tempo que escrever cartinhas para o Papai Noel era a esperança de um Natal super feliz com o presente tão desejado.

Pois é... O tempo passa tão rápido que nem percebemos alguns amigos que vão se perdendo pelo caminho. Não percebemos que algumas coisas que gostávamos de fazer, com o tempo vão se tornando esquecidas. E quando paramos para pensar, muitos anos nos distanciam de um tempo em que tudo parecia um outro mundo. E nem sempre temos coragem de voltar a fazer o que fazíamos.

Algumas pessoas se perdem pelo caminho e nos deixam com saudades. Ficamos pensando em tudo que poderíamos ter feito para amenizar tal sentimento, mas ficar pensando em algo depois de um determinado fato ocorrido é apenas uma justificativa para o nosso desleixo, ou melhor, pela nossa falta de percepção por causa da corrida do tempo que acaba nos dispersando de muitas coisas importantes. 

Por isso, precisamos pisar um pouco no freio e apreciar o nosso passeio por este plano. Pensar menos nos problemas, se sacrificar menos para garantir um pouco mais de sustento para a família e não deixar as coisas importantes de lado: o amor. O amor é um sentimento importante e fortalecedor para muitas almas apreensivas.



Ainda mais em um mundo como o nosso... Algumas pessoas cometem atrocidades dantescas que nos fazem questionar se realmente existe um Deus sobre nossas cabeças. Se Ele é o chefe de tudo, onde está neste momento que não fez ou faz nada para impedir tais calamidades pessoais, não é verdade? Bom, Deus está lá em seu lugar apenas observando o que a sua criação fará de bom com o tempo que lhes são dados.

E é exatamente por essa razão que o Natal antecede o Ano Novo. E o que isso tem a ver com tudo? Tem tudo a ver... O natal é um momento onde os sentimentos estão a flor da pele, onde todos os grandes prédios cinzas estão decorados para nossos olhos apreciarem tal beleza. Algumas pessoas ficam horas diante da grande árvore de natal do Parque do Ibirapuera curtindo a visão natalina.

Mas esquecem que nossos corações precisam estar decorados também. É preciso deixar esse espirito fluir em nossa alma, relevar todos os problemas que nos causaram ou que causamos para as demais pessoas e aprender a perdoar em nome do amor. Infelizmente, esse mesmo sentimento poderoso é causa de muitas tristezas, entretanto, é a natureza do amor, um sentimento de extremos.

O tempo passa rápido demais para perdermos nosso precioso tempo com sentimentos negativos em nossos corações. Não somos perfeitos, todos nós erramos e são com os erros que aprendemos a ser um pouco melhores. Por isso, aproveite o natal não apenas para trazer as luzes e decorações natalinas para o interior de sua casa, mas também para seu coração.

Desta forma, iniciará um novo ciclo com o pé direito e com um coração mais leve e com mais felicidade por deixar coisas que não nos trazem nada de bom para trás. Faça um teste e verá que as coisas ficarão ainda mais gostosas de se comemorar e, se por ventura, não quiser acertar as contas com uma pessoa pelo simples fato de saber que ela cometerá o mesmo erro, tenha paciência, é errando que se aprende e todos nós desempenhamos um papel muito importante na evolução de cada um.

Vamos deixar as diferenças para trás aos poucos, utilizar o natal como trampolim para um ano novo realmente novo, afinal de contas, essas datas carregam uma simbologia muito importante e que podem realmente fazer uma grande diferença em nosso ano inteiro. E lembre-se de parar um pouco para admirar a vida, admirar os amigos e agradecer por fazer parte de um mundo como o nosso, sei que a televisão sempre nos traz muitas desgraças, mas não podemos esquecer que é a desgraça que traz ibope e não atos bondosos que acontecem todos os dias, mas que ninguém imprime na primeira página de um jornal.

Adriano Villa 
Escritor, cronista & poeta
Vive em São Paulo

Não esqueça que irmãs e mães também são mulheres – por Adriano Villa

Sinceramente, acho que essa perseguição com o sexo feminino começou lá em Gêneses. Deus não se deu por satisfeito ao ter criado tudo ao seu redor. Ele sentia em seu grandioso coração que algo essencial faltava para finalmente poder descansar. Provavelmente foi nesse momento que olhou para o homem e viu que, peladão daquele jeito e com as coisas indicando seis e meia, era necessário criar algo belo para ser contemplado. Para todo sempre, Amém.

Como não havia – até aquele momento pelo menos – maldade no paraíso, Adão nem pensou em arrastar aquela beldade da natureza para o mato, mesmo parecendo que estava pedindo por estar completamente nua. Adão não reparou nesse detalhe e, como um verdadeiro gentleman simplesmente a convidou para dar umas voltas pelo lugar que tinham como lar.

Mas, eis que alguém colocou os olhos sobre as belas e encantadoras curvas de Eva e percebeu que poderia ser de grande valia para frustrar todos os planos de Deus. A serpente chegou sorrateira e tentou Eva a comer do fruto proibido. Ela acabou caindo na conversa e na primeira mordida percebeu que tinha que arrastar Adão para aquela roubada, caso contrário, as coisas poderiam ficar bem terríveis para seu lado. Deste ponto em diante, acredito que todos conheçam os fatos que se seguiram. Eva e Adão (rs) foram expulsos e etc...

Algumas pessoas acham que Deus poderia ter relevado a situação, mas entendo seu ponto de vista. Para Ele, Eva era sinônimo de perfeição. Sabe por quê? Por que a mulher pode dar à luz, ou seja, são responsáveis pela perpetuação da espécie, se quisessem, poderiam fechar as pernas e o mundo se tornaria vazio com o passar dos anos, quer dizer, se pudessem fechar as pernas, é claro. Hoje em dia, uma grande parte da massa masculina acredita que as pernas devem estar sempre abertas e a disposição, caso contrário, não há nada de errado em abri-las à força. Alguns ainda se justificam dizendo que foram elas que provocaram com suas roupas, curvas, olhares e todo aquele jeito feminino que é capaz de nos enlouquecer. Olha que absurdo!



Tão absurdo quanto o resultado da pesquisa solicitada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que constatou que um a cada três brasileiros dizem que os estupros são culpa da mulher por usarem roupas provocativas... Lembrei dos antigos desenhos inspirados na Pré-história em que o homem dava uma pancada na mulher para torna-la sua. Gente, isso é apenas um desenho, uma especulação, homens pós-ditadura militar não podem ter pensamentos tão retrógados assim! Nenhuma mulher deve ser tomada a força, mesmo que esteja andando pelada na rua como algumas que fizeram carreiras usando essa jogando de marketing.

Essas pessoas que concordam que as mulheres são culpadas por serem estupradas, nasceram de chocadeira. Essa é a única razão do fato de esquecerem que tem irmãs, primas, tias, avós e mães. Uma pergunta: você ia curtir caso sua irmã fosse estuprada por causa de uma calça Legging ou qualquer outra peça de roupa? E não me venha com a história de que sua irmã é comportada, pois o único interesse do tarado é tirar as roupas. Se um desses malucos se enfezarem com determinada mulher, ela pode ser uma freira que não escapará ao crivo do desejo animal.

As mulheres não são como rosas abandonadas em terrenos baldios que podem ser roubadas sem permissão e muito menos descartadas como se fossem camisinhas usadas. As coisas não funcionam dessa maneira, quando a mulher veste uma roupa curta não quer dizer que está pedindo para ser estuprada, talvez, olhada e apreciada, mas nunca tomada com violência. As mulheres nasceram para sensualizarem, para tornarem o mundo mais belo, significativo e mais emocionante. E não mais absurdo do que já é.

A vida da mulher já é bem complicada para ficarem colocando mais responsabilidades em suas costas. Ou você acha que é fácil ter que conviver com um ciclo menstrual e com cólicas que faria qualquer homem pedir uma dose de morfina? Ou, acha fácil sair para trabalhar para ajudar no orçamento do lar e ainda ter que manter tudo limpo, isso sem mencionar no cuidado com os filhos e ainda, estar sempre disposta para o sexo, caso contrário, pode até levar chifre? Sério que além de tudo isso, ainda quer dizer o que devem e o que não devem usar? Só por causa da prepotência masculina de alguns desajustados que não conseguem ter uma mulher de maneiras apropriadas?

Gente, que mundo é esse que as roupas são justificativas para um ato tão grotesco contra a encantadora natureza feminina? Será que todas as mulheres do planeta deveriam adotar a Burca para não correrem esse risco? Será que um dia culparão as grifes de moda por apoiar o estupro por causa dos modelitos que deixam tudo à mostra? Ou será que culparão à Deus por ter criado a mulher com tanta beleza e tantas curvas? Daqui a pouco é o que vão dizer por aí.

Adriano Villa 
Escritor, cronista & poeta
Vive em São Paulo

Você faz chupeta? – por Adriano Villa

Não sou muito chegado em viajar em feriados prolongados, mas às vezes, sair da rotina não faz mal a ninguém, não é verdade? Pois bem, depois de caros pedágios e de um trânsito capaz de acabar com a paciência de qualquer Jó, finalmente chegamos à praia. Já era tarde da noite o que limitou nossas opções de divertimento, após guardar o carro na garagem do hotel, aproveitamos as últimas horas daquele dia para jantar e dar um passeio pela orla da praia sob promessas de acordar cedo na manhã seguinte.

Seguimos o combinado e logo pela manhã lá estávamos indo felizes e sorridentes para a praia, arrumamos duas espreguiçadeiras com guarda-sol bem próximo do mar e ficamos ali curtindo a brisa sob efeito de algumas cervejas, caipirinhas de abacaxi, raspadinhas e etc. Não respeitamos os horários ideais para tomar sol por estarmos protegidos pelo guarda-sol e por espessas camadas de protetor solar.

Bem no finalzinho da tarde voltamos ao hotel, tomamos um banho e saímos para aproveitar a noite mal sabendo a surpresa que nos aguardava logo pela manhã. Como havíamos curtido bem a praia com direito a vermelhidão e ardências, achamos melhor pegar a estrada logo cedo para evitar o trânsito, assim poderíamos descansar um pouco. Mais uma vez fizemos conforme combinamos. Na manhã seguinte, arrumamos nossas coisas, pagamos nossa estadia e seguimos para o estacionamento do hotel. Estávamos confiantes que teríamos um retorno tranquilo, porém, ao girar a chave na ignição o carro simplesmente não funcionou. 

Achamos estranho, o carro havia passado por uma revisão e tudo estava em perfeito estado de funcionamento. Quando o frentista do hotel percebeu que estávamos com problemas, confessou que tinha notado que havíamos deixado os faróis ligados quando chegamos... Eu e minha esposa nos entreolhamos, mas nenhum dos dois tinham disposição para dizer poucas e boas, além do mais, agora sabíamos que o nosso problema era a bateria descarregada e não precisávamos chamar nenhum mecânico local que poderia nos cobrar os olhos da cara.



Deixei a esposa no hotel e comecei a procurar por um cabo de transmissão de carga. Seria uma missão um tanto que impossível, um completo desconhecido pedindo um cabo emprestado. Quem em sã consciência poderia confiar algo que poderia ser facilmente furtado? Por sorte, uma senhora que cuidava de um estacionamento foi com a minha cara e emprestou na maior confiança. Voltei para a rua do hotel e ao ver minha esposa, ergui o cabo como se fosse o troféu da Corrida de São Silvestre. Ela sorriu e no mesmo instante virou-se para um homem sem camisa que estava do outro lado da calçada mexendo em seu carro, perguntou: Moço, agora você pode fazer a chupeta?

Não pude conter o riso e como estava mais tranquilo por ter achado o cabo, não resisti em emendar: pô amor, como assim ficar perguntando para os outros se fazem chupeta na rua? Ela e o motorista-gentil riram e logo estávamos os três ali, com os carros de frente um para o outro fazendo a dita chupeta em nossa bateria, é claro. Não demorou muito tempo para o carro voltar à tona. Agradecemos ao simpático cidadão e logo em seguida fomos devolver o cabo. A mulher não ficou surpresa com o meu retorno. Conversamos um pouco e deixamos o carro ali no estacionamento para um último mergulho, afinal de contas, depois daquele inesperado estresse, nada melhor que um mergulho para espantar de vez a urucubaca.

Acabamos demorando mais do que o esperado e voltamos tarde para o carro, pagamos o estacionamento da mulher simpática e nos colocamos rumo à nossa casa torcendo para não pegarmos muito trânsito. Subimos conversando sobre muitas coisas, entre elas, nosso final de semana e o fato dela chegar ao ponto de ficar perguntando para desconhecidos se fazem chupeta ou não. Um grande exemplo de algo ruim que pode terminar em um final feliz.

Mesmo assim, gostaria de saber quem foi o professor Pardal que decidiu dar esse nome a ligação de bateria a bateria em carros? Será que não chegaram a pensar que poderia ser constrangedor em determinadas situações? Imagine se o seu carro dá problema na bateria em plena Marginal ou em alguma rua escura, você encosta e de repente um homem de bom coração se condói, para e pergunta: Qual o problema? Você responde: Bateria. E ele: Quer que eu faça uma chupeta? Impossível não pensar besteira, não é verdade? 

Adriano Villa 
Escritor, cronista & poeta
Vive em São Paulo

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