Musicoterapia como forma de tratamento complementar - por Alexandre Almeida

Musicoterapia como forma de tratamento complementar - por Alexandre Almeida

O trabalho da Musicoterapia é especialmente importante para pessoas com transtornos do desenvolvimento, dentre estes, o autismo. Onde o objetivo do tratamento é oferecer condições de vida aceitáveis essa clientela, possibilitando meios de comunicação e auto-expressão, bem como otimizar a interação dessas pessoas com o mundo ao seu redor (Ruud, 1991).

A definição adotada pela UBAM (União Brasileira das Associações de Musicoterapia) é a elaborada por Ken Bruscia, sendo que a Musicoterapia é: “Um processo interpessoal no qual o terapeuta utiliza a música e todos os seus aspectos – físico, emocional, social, estético, e espiritual – para ajudar os clientes a melhorar, restaurar e manter a saúde”. (Bruscia, 2000, pp.275).

A Musicoterapia ainda não possui uma teoria especifica, apenas alguns princípios teóricos, entre eles o Princípio de Iso, este trazido por Altshuler (citado por Benenzon, 1985). Trata-se de uma forma de rapport, isto é, nossos primeiros contatos musicais são feitos na frequência mental do paciente, ou seja, iso quer dizer igual. Com isso as músicas indicadas são aquelas que se adequam ao atual estado do paciente, por exemplo, com os pacientes maníacos onde o tempo mental é mais rápido, o tipo de música mais indicada seria um allegro (música ligeira), possibilitando um canal de comunicação entre o paciente e o terapeuta. Benenzon (1985) amplia essa ideia com o emprego das Identidades Sonoras, que são as músicas e os sons que fazem parte da história pessoal do paciente, a isso chamamos de história sonoro-musical. Busca-se um trabalho com as identificações dos pacientes. Só quando forem indicados utilizam-se recursos musicais não pertencentes aos seus isos. 



As identidades sonoras, ou seja, as músicas ou sons que fazem parte da história sonoro-musical de cada indivíduo. Com objetivo de um trabalho com as identificações dos pacientes, essas identidades sonoras estão classificadas em categorias a seguir: 1)Iso individual, como o próprio nome diz é único de cada pessoa); 2) Iso cultural, pertencente a uma determinada cultura( Ex. música gaúcha é do Rio Grande do Sul, ou Axé é da Bahia); 3) Iso universal, os estilos de música já mais difundidos mundialmente (Ex. o Rock, em todo o mundo é conhecido, mas, não necessariamente apreciado) (Benenzon,1988). É relevante citar, que Iso é referente aos sons e músicas dos indivíduos e suas variações. Já ISO, é do princípio de ISO que significa igual. A semelhança das nomenclaturas pode gerar confusão, é necessário cautela para não serem confundidas, pois seus significados são diferentes.  

Na Musicoterapia, durante as sessões, quando o fazer musical está acontecendo, chama-se de Música Viva. Já, quando são utilizados os recursos de aparelhagem eletrônica para a reprodução musical, é chamado de Música Mecânica (Barcellos, 1992). O trabalho musicoterápico conduz a uma mescla desses procedimentos. Ficaria interessante, se o condutor variasse as atividades musicais, podendo tornar a sessão mais rica e proveitosa. Por exemplo, a utilização de músicas pré-gravadas (CD, K7, ou até LP), ou então alguma atividade que envolvesse movimento, como dança, expressão corporal, etc. Outro recurso a ser utilizado é a inserção de instrumentos musicais, onde os pacientes possam tem a oportunidade de explorar os sons e conhecer novas formas de fazer musical, e também ter contato com os instrumentos musicais, onde possivelmente eles terão a oportunidade de se expressar livremente. 

Cabe ressaltar que, para ser um musicoterapeuta é necessário ser graduado, ou ter especialização em Musicoterapia. As habilidades são divididas em três áreas, sendo elas: a parte musical, fundamentação teórica e a prática clínica. Em relação à área musical, é esperado que o musicoterapeuta domine a teoria musical, história da música e alguns instrumentos, dentre eles: voz, violão, teclado, percussão. Em sua fundamentação são consideradas vertentes de psicoterapias, arteterapias, terapias corporais, e medicina. No entanto, mesmo sendo uma profissão recente, a Musicoterapia já apresenta princípios teóricos próprios. Em sua prática clínica, o musicoterapeuta deve ser capaz de mesclar os dois conhecimentos anteriormente citados, aplicando-os com intenção terapêutica. (Benenzon, 1988).  

Barcelos, L. R. M. (1992) Caderno de Musicoterapia I. Rio de Janeiro: Enelivros.
Benenzon, R. O. (1985) Manual de Musicoterapia . Rio de Janeiro: Enelivros
Benenzon, R. O. (1988) Teoria da Musicoterapia . Trad: Ana Scheila Uricoechea. São Paulo: Summus.
Bruscia, K. E. (2000) Definindo Musicoterapia. Trad: Mariza Velloso Conde. Rio de Janeiro: Enelivros.
Ruud, E. (1990) Caminhos da Musicoterapia . Trad: Vera Wrobel. São Paulo: Summus.

Alexandre Augusto Ferreira de Almeida - Engenheiro Civil - Graduado pela Universidade Estadual Paulista - UNESP Engenheiro concursado da Prefeitura de São Francisco, atua na prefeitura desde 2013. Também é Musicoterapeuta (Graduado pelo Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música - Rio de Janeiro) Especialista em Psicologia do Desenvolvimento pela UFRGS.

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