Musicoterapia em Saúde Mental Infantil: Relato pessoal - por Alexandre Almeida

Musicoterapia em Saúde Mental Infantil: Relato pessoal - por Alexandre Almeida

Durante minha graduação em Musicoterapia (Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música), tive a oportunidade de fazer estágio supervisionado em três instituições diferentes: Centro Carioca de Reabilitação (CCR), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE - RJ) e Hospital Maternidade Oswaldo Nazareth (Hospital Praça XV). Tanto no CCR quanto na APAE, a musicoterapeuta do local era a MT Denise Guerra e em ambos os locais o público atendido era o mesmo: Crianças com transtornos invasivos do desenvolvimento (TID).

Irei relatar minha experiência como estagiário de musicoterapia na APAE, onde permaneci por um ano e tive a oportunidade de aprender mais sobre as patologias e seus tratamentos para além da teoria. Conforme supracitado, o público atendido era de portadores de TID. Esses transtornos são caracterizados por formas anormais de comportamento, interações sociais e comunicação, repertório de interesses restritos, comportamentos estereotipados e repetitivos; diagnosticados nos primeiros cinco anos de vida.

As anormalidades presentes nesses indivíduos podem variar em intensidade. Geralmente, existem outros transtornos associados, como rubéola congênita, esclerose tuberculosa, lipoidose cerebral e anomalia da fragilidade do cromossoma X (X-fra), etc. Esses transtornos são definidos em termos de comportamento, em alguns casos pode ocorrer algum comprometimento cognitivo, defasando-o de sua idade cronológica. 

Tive a oportunidade de participar ativamente, durante um ano de um processo de tratamento dentro de uma oficina terapêutica (a oficina terapêutica som e movimento, era formada por duas musicoterapeutas e uma psicomotricista, oferecendo atendimento de musicoterapia e psicomotricidade ao mesmo tempo; os atendimentos tinham 1 hora e 50 minutos de duração e eram em grupo). Os pacientes tinham idade de 8 à 12 anos, mas sua idade mental não era compatível com a cronológica, bem como suas preferências musicais, apesar de alguns deles gostarem de músicas elaboradas como as do Djavan e outros; mas o repertório era basicamente canções infantis (folclóricas ou de artistas como Xuxa e outros).



As brincadeiras musicais em grupos eram freqüentes, pois com esse tipo de clientela é de fundamental importância estarem em grupo. Uma vez que os objetivos eram: socialização, interação entre eles e o mundo exterior; ajudando-os a ter mais (ou alguma) autonomia e melhorando suas relações com eles mesmos e os outros. Nota: quando me refiro em melhorar as relações com si próprios, quero dizer que muitos deles não conseguem perceber seu próprio corpo, ou tem percepção deturpada de tal devido à sua patologia.

Durante todo o período do meu estágio na Apae, eu era supervisionado pela por uma professora (Lia Rejane Mendes Barcellos) no CBM – CEU (Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música), onde levantava-se questões teóricas e possíveis abordagens técnicas e demais estudos. Mas, o mais importante, era que também tinha supervisão na Apae com a musicoterapeuta com que eu tinha contato direto nas sessões (Denise Guerra), sendo que essas supervisões eram momentos de esclarecer dúvidas, fazer críticas, participar de vivências.

Cabe ressaltar que a musicoterapia é um tratamento complementar, haja vista a complexidade das patologias. Uma equipe multidisciplinar é muito indicada e a musicoterapia tem seu papel. Deste modo, o musicoterapeuta promove a saúde mental, numa relação de transferência, visando a autonomia desse sujeito (o paciente), exercendo a função de “mãe suficientemente boa” (Winnicott;1950), utilizando a música como canal de comunicação e expressão.

Referências Bibliográficas:
Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas- Coord. Organiz. Mundial da Saúde; trad. Dorgival Caetano - Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
Winnicott, D. W. (Donald Woods), 1896-1971. Da pediatria à psicanálise: obras Escolhidas; trad. Davy Bogomoletz.- Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000.

Alexandre Augusto Ferreira de Almeida - Engenheiro Civil - Graduado pela Universidade Estadual Paulista - UNESP Engenheiro concursado da Prefeitura de São Francisco, atua na prefeitura desde 2013. Também é Musicoterapeuta (Graduado pelo Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música - Rio de Janeiro) Especialista em Psicologia do Desenvolvimento pela UFRGS

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