Um mistério chamado Monte Roraima - por Aline Pires

Um mistério chamado Monte Roraima - por Aline Pires

As barracas no acampamento do Rio Tek

O Monte Roraima fica na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, um lugarzinho mágico, responsável por inspirar Arthur Conan Doyle e me inspirar também. É incrível, exótico e muito desafiador. É uma espécie de elo perdido, uma amostra de como foi o começo na Terra. Parece que ali o tempo nunca vai passar. É um dos lugares mais antigos do planeta.

Haja pernas, fôlego e espírito para essa aventura que dura aproximadamente uma semana, na qual se caminha em trilhas escorregadias, travessia de rios, e até debaixo de uma cachoeira!!!

Anda-se sem parar, às vezes com frio e chuva, outras sob calor intenso. Dorme-se em sacos de dormir, e come-se somente o suficiente para dar energia. Além, claro, de carregar consigo o peso de uma mochila nas costas durante todo o sobe e desce.



A caminhada começa na aldeia indígena chamada Paraitepuy. No primeiro dia atingimos o Rio Tek. Na manhã seguinte subimos até a base da montanha, 1.800m de altitude.

No terceiro dia o esforço é dobrado. Subimos muito até alcançar o topo a 2700m e procurar uma caverna, os chamados “hotéis”, para acampar. A descida é bem mais complicada que a subida, o esforço que os joelhos fazem pra segurar o peso do corpo e da mochila é intenso e é onde as dores surgem.

Todo o esforço é recompensado por uma vista fascinante durante o trajeto e mais ainda quando atingimos o topo, onde encontramos formas de vida únicas, que nunca veríamos em outro lugar. O sapinho minúsculo, as jacuzzis naturais, a janela que dá a vista mais bonita do abismo. Estar acima das nuvens, literalmente... São coisas que pagam todo o esforço despendido no trekking.


Visão do topo do Monte Roraima

Quem decide conhecer o Monte experimentará um processo de autoconhecimento único. É importante conhecer bem as pessoas que farão companhia, pelas dificuldades enfrentadas, o pior e o melhor do ser humano são postos a prova o tempo todo. Eu fui privilegiada, viajei com duas amigas que sintonizam comigo como poucos e não escolheria parceria diferente para essa aventura. A mistura de isolamento da sociedade e contemplação da natureza, os pequenos prazeres de saciar necessidades como a sede e fome, a aproximação das pessoas e do como fazem com que sintamos sensações ímpares.


Jacuzzi naturais no topo do Monte Roraima





 • Publicado na Revista Usina da Cultura - número 14 - Junho de 2014

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