Reciclar... sangue!! - por Celina Valderez

Reciclar... sangue!! - por Celina Valderez

Um dos significados de reciclar, segundo a Wikipédia,  é  submeter (algo) a tratamento para reutilização. Esta coluna propõe-se a levantar questões que promovam qualidade de vida com pequenas atitudes em nosso dia-a-dia. Desse ponto-de-vista, salvar uma vida seria uma grande mudança, concordam? E que tal salvar quatro, com um único gesto? Sim! Uma única doação pode salvar até quatro vidas! Que tal aprender um pouco sobre a “reutilização” do sangue?

Você sabia que cerca de 20% das internações necessitam de transfusão? Portanto, uma em cada cinco pessoas internadas em hospitais necessita repor sangue. Entre os beneficiados, estão vítimas de acidentes, transplantados e pacientes com problemas de coagulação. Você sabia que menos de 2% da população brasileira doa sangue regularmente?  Que as bolsas de sangue têm validade de pouco mais de um mês? Você já percebeu que a necessidade de sangue é ainda maior nas festas de fim-de-ano e  férias de verão – justamente na época do ano em que os estoques dos bancos de sangue tendem a ficar mais baixos?

Estima-se que 3 milhões de brasileiros sejam doadores regulares. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se tivéssemos 1 milhão a mais, não aconteceriam  faltas nos estoques dos bancos de sangue. Entretanto, a doação regular ainda não é um hábito da maioria da população. Muitos doadores potenciais não doam por medo da agulha!!! 

Apesar dos avanços da ciência, a transfusão é,  até o momento,  a única maneira de salvar a vida de alguém que tenha perdido  30% do sangue circulante. Portanto, doar sangue é um gesto solidário. Todos sabemos disso...especialmente quem já precisou de sangue, para si ou para um ente querido!! 

Na mais recente campanha de doação em São Francisco de Paula,  constatamos apenas 1 novo doador para cada 20!!  Uma das doações mais emocionantes foi de uma garota de 19 anos, antes de ir para a aula! Houve também um casal que havia se dirigido inicialmente a outro local, mas não desistiu ao constatar o engano; a esposa já era doadora regular, e o marido venceu os receios,  incentivado por ela!

Nessa campanha, percebemos que há muitas dúvidas sobre doação de sangue, até mesmo por parte de quem doa regularmente. Você sabia que cada  bolsa de sangue é capaz de comportar até 450 ml? Que cerca de 55% do sangue corresponde ao plasma (parte líquida)? Que 45% são os glóbulos (brancos - defensores do organismo, e vermelhos  - transportam oxigênio e gás carbônico), e as plaquetas (papel importante na coagulação)? 

Em um adulto, a quantidade de sangue varia entre 5 a 7 litros. Ele é  produzido na medula óssea e funciona como um meio de transporte: distribui oxigênio, vitaminas, nutrientes, medicamentos que ingerimos, hormônios, e células de defesa. 



Antes da descoberta das diferenças bioquímicas nos tipos sanguíneos pelo pesquisador austríaco Karl Landsteiner, no século 20, era comum aconteceram mortes pós transfusão. Os glóbulos vermelhos (também chamados eritrócitos ou hemácias) têm uma identidade que permite a classificação do sangue em A, B, AB e O. No Brasil, os grupos mais comuns são o “O” e o “A”, que abrangem 87% da população. O grupo B responde por 10% e o AB, por apenas 3%.  

O tipo sanguíneo também é identificado pelo fator Rh -  positivo ou negativo. Cerca de 85% das pessoas têm Rh positivo. O tipo “O-“ (“O negativo)  é “doador universal”- ou seja, pessoas de qualquer tipo de sangue podem recebê-lo. Entretanto, as pessoas com esse tipo de sangue só podem receber sangue “O” negativo! O estoque desse tipo de sangue sempre está baixo, uma vez que, apesar do tipo “O” ser um dos mais comuns no Brasil,  apenas 15% da população tem sangue RH negativo.

O tipo “AB+” (“AB positivo”) é o receptor universal, ou seja, pode receber sangue de qualquer um dos demais tipos. Uma curiosidade é que os  filhos podem ter  tipo sanguíneo diferente do dos pais.

A doação dura cerca de uma hora e não traz riscos à saúde. A medula óssea repõe o sangue retirado em até 2 meses nos homens e em 3 meses nas mulheres. Por esse motivo, o intervalo entre as doações é de 60 dias para homens e de 90 dias para mulheres.

Os requisitos mais importantes para doar são:
 ter entre 16 e 60 anos (para a primeira doação); pesar mais de 50 kg; bom estado de saúde; 12 meses após fazer tatuagem ou tirar piercing. Além disso, é importante não estar em jejum. É importante apresentar documento original com foto recente, que permita a identificação do candidato, emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social, Carteira de Motorista).

  Há alguns impedimentos temporários para doar sangue. Por exemplo: gravidez; parto (90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana); amamentação (se o parto ocorreu há menos de 12 meses); resfriado (aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas); ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;  tatuagem / maquiagem definitiva nos últimos 12 meses;  extração dentária ou tratamento de canal (aguardar 7 dias). Antes da doação, rotineiramente, é realizada uma triagem clínica, de forma que outras informações prestadas pelo doador serão consideradas para definir se está apto para doar sangue nesse momento. Essa triagem visa proteger tanto o doador quanto o receptor.

Fontes: Fundação Pró-Sangue de São Paulo; abc.med.br;
LBV – Legião da Boa Vontade http://www.lbv.org/doacao/curiosidades-sobre-doacao-de-sangue

Celina Valderez Feijó Kohler (Val). 
Enfermeira, especialista em Saúde Pública, terapeuta comunitária. Membro da Associação Ecológica Portal do Sol.

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