Animais abandonados: seja parte da solução! - por Celina Valderez

Animais abandonados: seja parte da solução! - por Celina Valderez

A frase "se você não é parte da solução, então é parte do problema" (Eldridge Cleaver) nos obriga a refletir e nos posicionar. Quando a questão é “o que fazer com um animal abandonado”, essa frase também é muito verdadeira! “Ter pena” não é suficiente para mudar uma realidade! O que provoca mudança é tomar uma atitude. 

Em 2010, unidas pelo ideal de diminuir o sofrimento dos animais de rua, um grupo de  amigas fundou em São Francisco de Paula a Organização Não Governamental (ONG) “Associação Civil Amigos de Rua”. Não possui sede, nem canil ou gatil; sabe-se por outros municípios que manter esse tipo de espaço, sem medidas educativas que incentivem a castração e adoção, tende a incentivar o abandono. Mantém uma média de 25 cães hospedados em Clínicas veterinárias de nossa cidade e em algumas residências que se oferecem como Casa de Passagem. Vale lembrar que a ONG foi criada especialmente para colaborar com os órgãos públicos; infelizmente, nos últimos tempos, vem carregando sozinha esse fardo.

A maioria das voluntárias e colaboradores da ONG são mulheres, que trabalham fora de casa, tem filhos e seus próprios animais de estimação. Para realizar resgates ou mesmo transportar um animal para ser socorrido, não possui veículo, nem tem contado, na atualidade, com o apoio de órgãos públicos. Isso vem sendo feito com veículos de voluntários, ou mesmo por meio de táxi. A ONG não tem verba própria. Ao longo de 2016, infelizmente, não recebeu nenhuma verba da Prefeitura; em anos anteriores, chegou a receber no máximo R$ 20.000,00 reais por ano. O único valor que tem recebido mensalmente (de março a dezembro) são R$2.000,00 do Fórum, oriundos de Termos de Ajustamento de Conduta. As despesas com veterinário – que faz preço diferenciado para a ONG – tem sido em média R$10.000,00 mensais, entre consultas de emergência, cirurgias, castrações, medicamentos, hospedagens. Para suprir essas despesas, a ONG conta com a colaboração da comunidade através de  rifas, brechós, vaquinhas, bem como com o “troco amigo”, depositado em cofrinhos (latinhas) que podem ser encontrados junto ao caixa de várias casas comerciais do município.

As voluntárias comunicam-se por whatsApp e facebook. São várias denúncias por dia: cães e gatos abandonados à própria sorte, sofrendo maus tratos ou mesmo negligência. São  animais que perambulam pelas ruas, correndo riscos e muitas vezes sendo atropelados, doentes, com dor, fome, frio, molhados; fêmeas prenhes, ninhadas inteiras jogadas fora, e infelizmente vários sofrendo maus tratos pelos próprios donos.



Infelizmente não é raro receber denúncias de práticas extremamente cruéis, como por exemplo colocar um cão dentro de um sofá e colocar fogo, com o animal vivo. A situação já está mudando, à medida que os cidadãos se conscientizam de que os animais que convivem com os humanos são seres sencientes! Sim, a Ciência vem comprovando que os animais possuem capacidade de ter sentimentos associados à consciência.

Outro exemplo são as ninhadas, especialmente de cães. A ONG recebe com frequência informação de que em algum lugar da cidade alguém viu uma caixa cheia de filhotes – até mesmo associada com veículos de outros municípios! As voluntárias, além de sobrecarregadas com todo tipo de socorro, ainda encontram tempo para divulgar animais para adoção no facebook, para fazer feiras de adoção...

Com esperança de que dentro de breve tempo esse quadro mude, um grupo está trabalhando há vários meses na elaboração de um projeto de lei que regulamente o cuidado aos animais, incentivando a adoção e a posse responsável.

Atitudes que podem ajudar:
- Forme grupos de proteção aos animais em sua rua, na quadra onde você mora, na sua escola, no local de trabalho. Assim, quando surgir um animal abandonado, será mais fácil conseguir ajuda para uma  “vaquinha”. Fica menos pesado para cada um, e assim você poderá ajudar também;
- Quando aparecer em sua rua uma cadela ou uma gata sem dono, é importante providenciar urgente a castração, ou então, caso esteja prenhe, cuidar dela até ganhar os filhotes, conseguir adotantes, e providenciar a castração com urgência;
- Colabore com a ONG: deixe sua doação (troco)  nos cofrinhos espalhados pela cidade; doe roupas, sapatos, livros, utensílios que não tem mais utilidade em sua casa para serem comercializados no brechó. O que é vendido no bazar ajuda não só os animais mas também as pessoas de baixa renda, pois tudo é vendido a baixo preço. 
- Lembre que os animais precisam comer todos os dias – portanto, a arrecadação mensal de ração realizada no Supermercado Rissul é uma importante fonte de manutenção das atividades da ONG. 
- Participe das Feirinhas de Adoção. Não compre animais: adote! Lembre que os animais não são brinquedos, e não podem ser descartados como se fossem objetos. São seres sencientes!
- Ofereça-se para ser voluntário da ONG. Por exemplo, se a ONG tivesse vários voluntários com carro, poderia ser feita uma escala, e não ficaria pesado para ninguém.
- No verão, os animais também sentem sede. Experimente colocar um pote com água na calçada. Sempre que possível, coloque também um pote com ração.
- Mostre para as crianças que os animais devem ser respeitados. Conte para elas  que sentem dor e medo, e que além de comida, água e abrigo,  precisam muito de companhia e de carinho. 
- Evite usar fogos de artifício; convença sua família e seus vizinhos a evitar também. Os fogos causam sofrimento aos animais. Os cães possuem audição mais sensível que a humana; os fogos deixam-nos assustados. Muitos fogem e não encontram mais o caminho para casa.

A ONG gostaria que nenhum animal sofresse, seja por abandono, doença, atropelamento... É importante saber que, quando o grupo deixa de atender uma denúncia, isso acontece por total falta de recursos. Além disso, vale destacar: zelar pelo bem-estar dos animais em nossa cidade é papel de cada um de nós, e dos órgãos públicos – não de uma ONG.

Fontes: http://www.labea.ufpr.br/PUBLICACOES/Arquivos/Pginas%20Iniciais%202%20Senciencia.pdf

Celina Valderez Feijó Kohler (Val). 
Enfermeira, especialista em Saúde Pública, terapeuta comunitária. Membro da Associação Ecológica Portal do Sol.

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