Produtos de limpeza e o meio ambiente - por Celina Valderez

Produtos de limpeza e o meio ambiente - por Celina Valderez

Você já parou para pensar o quanto  nossos hábitos de higiene contribuem  para a poluição do meio ambiente? Diariamente sabões, detergentes e os mais variados produtos usados nas residências, e também nas indústrias, entram no sistema de esgotos. Sem o devido tratamento, desaguam em rios e lagos, causando a morte de plantas e animais. Quantos pontos turísticos já vimos, cuja beleza foi  prejudicada pela poluição? 

Saber do que é feito e o impacto que causa o produto que usamos pode  ajudar a repensar a necessidade de usá-lo, ou a possibilidade de reduzir seu uso. Por exemplo, você sabia que “sabão” e “detergente” são produtos diferentes?

As diferenças entre “sabão” e “detergente” começam na sua origem. Enquanto o sabão tem como matéria prima óleo e gordura, o detergente é derivado de petróleo! Isso mesmo, petróleo! O sabão é considerado biodegradável, ou seja, consegue ser decomposto pelos micro-organismos existentes na água. Já a estrutura química dos detergentes, diferente da dos sabões, não é afetada pelas bactérias, por isso esses produtos permanecem na água sem sofrer decomposição. 

Outras substâncias contidas nos sabões e detergentes são as chamadas  tensoativas, que diminuem a tensão formada entre dois líquidos. Assim, elementos como a água e o óleo perdem a capacidade de se manterem separados. Em sistemas que dependem do oxigênio, como rios e lagos, os agentes tensoativos interferem nas taxas de aeração – ou seja, sobra menos oxigênio para a vida aquática.  Além disso, a formação de espuma na superfície, formada com o movimento das águas, impede a entrada de luz, essencial para a fotossíntese das plantas que vivem no fundo dos rios, contribuindo para redução maior ainda do oxigênio disponível na água. Percebem porque os peixes não conseguem sobreviver nos rios poluídos?

Todos os sabões são produzidos a partir de matérias-primas biodegradáveis, ou seja, óleos e gorduras que passaram por um processo de saponificação. Portanto, os sabões possuem tensoativos biodegradáveis. Já os detergentes podem ou não ter esse tipo de tensoativos – embora, atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) esteja exigindo que os tensoativos utilizados sejam biodegradáveis.

Os detergentes, porém, possuem outros compostos que também causam impactos ao meio ambiente. Para melhorar o poder de limpeza, principalmente em águas duras (que têm maior concentração de íons de cálcio e magnésio, o que dificulta a ação de sabões e detergentes), são adicionados agentes sequestrantes ou quelantes. Um dos agentes sequestrantes mais usados é o EDTA. Além disso tudo,  o produto ainda precisa ter boa aparência, para atrair a atenção do consumidor; para isso,   são adicionados corantes e fragrâncias, e para resistirem aos longos períodos nas prateleiras do supermercado, também são adicionados conservantes. 

O sabão em geral produz menos espuma que o detergente; por isso, é comum as famílias pensarem que não seja tão eficaz nas atividades de limpeza da casa.  Assim, optam pelo uso de detergentes, sem saber que seus resíduos se acumulam nos rios, formando uma densa camada de espuma. Você já deve ter visto imagens de camadas de espuma em lugares poluídos, como por exemplo, no Arroio Dilúvio em Porto Alegre.

Uma dúvida muito frequente sobre a confecção de sabão é sobre o uso da soda cáustica (NaOH). Sabe-se que ela é uma base forte (pH 14), podendo causar irritações na pele quando está no seu estado puro. Porém, quando ela é empregada na fabricação de sabão, ocorre uma reação química chamada saponificação: a soda cáustica reage com os óleos, tendo como resultado sabão e glicerina. Desta forma, toda soda cáustica presente reage com os óleos, formando um produto de pH próximo ao neutro, sem risco à saúde.



PARA PENSAR:
- Quantas vezes você já disse “esse produto só dá cheiro na hora”? Que tal  repensar e escolher produtos sem fragrância, já que não vai durar mesmo? 
- Para que serve a cor de um detergente ou sabão? Haverá algum prejuízo se optarmos por aquelas marcas sem corantes?
- Será que o aumento de problemas respiratórios e alergias no meio em que vivemos pode estar relacionado com todas essas fragrâncias sintéticas que respiramos diariamente? 
- Qualquer produto de higiene causa algum tipo de impacto. E o importante é sempre ponderar o uso e fazer escolhas certas. Então será que, em alguns casos, daria para utilizar um método físico de limpeza, como varrer e aspirar, e assim diminuir o uso de químicos?
- Ao optar por produtos mais baratos, muitas vezes sem selo de certificação, será que não se pagará bem mais caro, no futuro, com a poluição das nossas águas?

DICAS: 
- Tente utilizar mais o sabão e deixar o detergente apenas para limpeza pesada. 
- Evite misturar as louças engorduradas com as menos sujas, e antes de colocá-la na pia retire o excesso de gordura com um guardanapo (ou pedaço de papel – pode ser uma boa utilidade para encartes de  propaganda!) .
- Sempre que possível, evite o uso do detergente e do sabão em limpezas gerais. Busque alternativas com produtos caseiros e igualmente eficientes, como o vinagre e o bicarbonato de sódio. Além de econômicas, agridem bem menos o meio ambiente.
- Procure conhecer e testar os produtos de limpeza ecológicos que existem no mercado. Dê preferência aos que tenham selo de certificação. Isso significa que a empresa passou por uma auditoria sobre os processos e matérias-primas utilizadas.
- Crie um grupo com seus amigos e tentem fabricar seu próprio sabão com óleo de cozinha usado. A internet está cheia de dicas!
- Mesmo os produtos biodegradáveis de limpeza devem ser mantidos fora do alcance das crianças.
- Ao reutilizar embalagens tenha o cuidado de identificar o produto, para evitar que sejam confundidos com outros produtos que anteriormente ocupavam as embalagens utilizadas.

Celina Valderez Feijó Kohler (Val). 
Enfermeira, especialista em Saúde Pública, terapeuta comunitária. Membro da Associação Ecológica Portal do Sol.

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