Nada e reticências - por Daísa Rossetto

Nada e reticências - por Daísa Rossetto

Sufoco outra vez mergulhada em papel que não diz. Justificando o injustificável, conceituando tudo que ultrapassa conceitos e normas e regras e teorias, sufoco.

Sufoco no sono que não durmo, na bebida que não bebo, não ânsia que não seguro e vomito. Meu estômago não segura nem digere palavras que não são feitas de essências e sentidos.

As teorias não me entendem. Eu não caibo na sala, na cadeira, na mesa feita sob medida. Eu não caibo nas compreensões de sempre, nas horas teorizando, em horas teorizadas, nas horas todas de estudo em que não se abre a janela nem se deixa o sol entrar.

Eu sou incompreensões, banalidades ficcionais, ócio e horas vagas…

Outra vez a narrativa sobre o futuro. Outra vez é o carro por caminho feito… Outra vez é não isso…

Não é isso…

O tempo que me leva, o tempo que me traz quando já não posso ficar para trás. Outra vez abandonada entre os livros, narrativas sem fim daquilo tudo que não sou eu…

Falta a história… Era uma vez…

Veja bem o que não vivo dentro dos prédios em que o meu nome se inscreve em listas de presença que não me seguram ali. Eu vago, divago para qualquer outro lugar inventado…



Veja bem: Eu gosto de sentar no chão e gosto de dormir no chão.

Eu estou na rua onde os pássaros pousam e os turistas passam exaustos pela subida íngreme. Eu gosto de sentir as pedras velhas da rua antes de abrir a porta.

Eu estou no mapa, mas não num lugar circulado em lápis: não é raiz, é vento…  Vento que sopra, que vai, que vem sem ser nome em grade de notas, sem hora fixa para lições e ditados.

Qualquer coisa de arte sem forma, é o espaço que peço. Qualquer coisa que toca na praça sem banda ou público. Qualquer coisa de instantâneo que não ouse perceber as formas que não me definem.

Veja bem: Mais uma vez deito fora o vômito teórico, essa voz que não fala, esse comida parada que não nutre a terra. Congestão.

E deito fora água seca dos olhos, água do mar morto que vai abrindo nascentes por entre as ranhuras do rosto.

Vou dizer outra vez para convencer-me: Sou qualquer coisa que ultrapassa o nome na lista, a cadeira da sala, a voz que falo sem nada a dizer…

Sou qualquer coisa sobre um voo sem passagem comprada…

E sou qualquer coisa que hoje quero romper para apenas… Apenas seguir na minha própria direção, quando então procuro uma palavra melhor (para direção), uma palavra que consiga incluir tudo o que quero ter como significado para meu próprio sinônimo…

Porque, então e ao fim, eu existo em qualquer coisa de nada que faça sentido e num excesso de reticências onde cabe toda interpretação…

Daísa Rizzotto Rossetto
Aspirante à escritora, desbravadora do mundo. Idealizadora do blog Café, Conversas e Livros e redatora web.

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