Para escrever... agora...  Por Daísa Rossetto

Para escrever... agora... Por Daísa Rossetto

Fale-me de literatura quando o feriado acabar. Entregue-me em Lisboa antes que o dia termine. Deixe a casa por desmoronar.  Deixe estar quem espera se desmanchar em amargas saudações passadas.
Deixe tudo como está. Repara bem onde está...
Demora, na biblioteca vazia... E demora no espirro que não sai.
Demora...
Demora...
Demora o prazo que não está para respeitar. Entrega a tua – tua – palavra como está. Como é ela para estar. (Eu quero dizer tua)
E então deixa a música tocar apenas... Unicamente nos ouvidos vermelhos de frio. O inverno começou sem ninguém avisar.
E a música continua... a tocar.
E de repente, toca o silêncio da sala o livro batendo na mesa e meus dedos apressados dedilhando teclas. A letra que escrevo. E depois o sino marcando hora cheia: 10:00.
Dizem que na próxima semana será outro ano. E há os que vestem branco.
E haverá talvez um novo livro, um nome errado. E um anseio latente de ser vento no mundo... No mundo...
Depois já é outro ano, outro livro, outra palavra riscando o silêncio da sala quase vazia. E o sol aparecido depois da madrugada em chuva e uma tal amargura por não deixar descansar os anos acumulados nas costas, um girar de cabeça que não descobre a verdadeira história. Um tempo fora das horas que se esgota sem uso, um tal tempo perdido de um livro que não foi lido até o fim. Então a demora é pressa. E a vida está presa num porão abandonado. E o amanhã não chega, demora e o ontem não tem permissão para voltar.  
Então eu me demoro. Neste tal do agora, na palavra agora, nas letras do agora. Numa versão errada do agora...
Escrevo pois não sei se o amanhã se demora, e eu não quero esparramar do meu tempo nesse palco de tribunal que martela sobre passado que poderia ter sido e futuro acumulado em banco e em dias sem uso. Eu não tenho pressa, já não...
Repara bem outra vez. Presta atenção no que digo: Agora. Em letra. Vou escrever... Agora...

27/12/2017

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