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O corpo decepado - Por Daísa Rossetto stars

Alguém bate à porta da consciência.

Não é alguém... Não sei se é algo.

Rejeitei o corpo. Foram decepando-me membro por membro. Fui grata.

Eu pedi para que me excluíssem da matéria. Até restar unicamente a essência. E ali (re)existir tudo, ser tudo, perdurar às masmorras do tempo, dos tempos, das épocas da guerra.

Um corpo decepado, feito em partes espalhadas por praças, exposto em caixas de vidro de museus. Um resto de carne decomposto, revirado à terra mansa com gosto de planta. De mato.

Um gosto de mato.

Fora do corpo não há dimensões suficientes que impeçam de ser. Desfragmentada das partes sangrentas, restou denso um sol inconsistente rompedor da parede de concreto. Janelas de vidro ao horizonte... Então lavaram as partes enganadas em cheiros. Levaram os pedaços. E o que ficou foi um todo de resto existencial, substancialmente existencial...

Ficou essa tal essência de gotas poucas correndo sem margens entre pescoço e roupa. Que, ao toque numerado do conta-gotas escreve entre o desconhecido sentido de corpos quentes, em luzes que se apagam a meia-noite, depois do cheiro de mofo ardente e chuvisco.

Levaram para as fronteiras do corpo para ser livre a tal curva subtraída de matéria... Esse quê de letra que foge ao toque da mão que escreve corrente como água que não cabe nas mãos fechadas de sangue e carne dos dias contados.

Não aprendi nada de vida (ainda). Silenciei a hipócrita vista admitida em frente a um balcão de cozinha. Escondi em avessas vestimentas de época um corpo em forma, cor, pelos e brancas cicatrizes, olheiras e unhas cortadas rentes à pele que sangra. Sangra excessos fingidos...

É vivo – vivo mesmo - quando o corpo para e já não restam linhas divisórias, nem documentos comprovatórios. Os pés sem peso correm sem perceber as fronteiras. As mãos almejam toda a palavra feita da matéria que o tempo não corrói. Não é corpo que apodrece.

E existir é depois. Existir é um papel branco desenhado em pontos negros indiferente a forma molhada do risco. Um resto pequeno que sobra do depois do corpo feito de margem e limite.

E sem a justificativa que caiba num porquê eu uni as pontas dos meus dedos da mão direita, assoprei meu vento e estiquei meu braço em direção ao sopro de mundo. E abrindo a mão deixei-me ir...

11/01/2018

Eu Van Gogh de orelhas decepadas stars

Sinto-me um Van Gogh de orelhas decepadas pelos ruídos de cobranças que chegam com juros.

Eles empurram garganta abaixo - como um pato de indústria de patê – o mundo que eu deveria ver. Eu não vejo.

E o dinheiro é sujo e eu sou podre.

E nesse tal mundo onde vivi pintando riscos ao ar livre nenhuma arte é vendida. Se morre infeliz, porque - seja racional - nestas bandas a realidade sabe ser cruel e sabe como cobrar.

Sabe cobrar a própria existência.

Então, como Van Gogh eu poderia distribuir as minhas partes entre caixas concretas que não suportam minha ideia viajante sem moedas em bolsos de pano. Morro pobre apenas nos bolsos. Apenas nos bolsos.

E depois?

Depois alguém estampa numa parede de iluminação em projeção especial não a pintura da alma livre, desenho do próprio mundo, infinito particular de mãos correndo soltas, não. São quantias demasiadas representadas em poucas cores na tela. São tantas mais que milhões de pães roubados... Do mundo. Do mundo que me pariu... E nas calçadas migalhas contadas.

E quem abriu mão de papéis coloridos na carteira agora é visto pelos ricos de carteiras cheias.

Prepotente que não anseio ser – mas a realidade ensina. Fora de mim, sem arte nem cor, vou dizer que sou um Van Gogh de orelhas decepadas prestes a correr do precipício ao manicômio.

Eles obrigam-me a abrir os olhos ao mundo que cobra mensalidade para sonhar.

E eu então em pés descalços por aí, rodo em quatro paredes de desenho em nuvens.

No topo das nuvens as orelhas estão intactas.

Colunista da Revista Usina lança livro de literatura sobre Israel stars

Daísa Rossetto acaba de lançar um livro que aborda de forma poética a experiência de conhecer Israel

Daísa Rizzotto Rossetto participou de uma viagem em setembro de 2017 para Israel com a intenção de escrever um livro. Durante o tempo em que lá esteve a autora teve a oportunidade de conhecer um pouco de um país onde culminam várias culturas.

A autora do livro Quando o vento sopra em Israel teve a oportunidade de vivenciar as culturas, tradições e aspectos de alguns dos povos que vivem na região. Para quem lê fica a sensação de revelação de um universo singular que dá muitas possibilidades de interpretação.

O livro traz 34 narrativas que exploram a paisagem, os costumes, as formas locais de um jeito bastante particular, passando por lugares conhecidos pela história como o Muro das Lamentações, Mar da Galileia, Rio Jordão e a Universidade Hebraica de Jerusalém.

No entanto, Quando o vento sopra em Israel não se trata de uma obra de caráter político, social ou religioso - embora também tenha seu espaço de estranhamento. O livro diz respeito ao encantamento de alguém frente a um novo mundo até então desconhecido.

Para quem quiser conhecer essa aventura literária o livro está disponível no site da Editora Mikelis . Além disso, é possível entrar em contato com a autora através da página do Facebook Quando o vento sopra em Israel ou pelo perfil pessoal.

Se quiser conhecer alguns textos da Daísa, accesse sua coluna clicando AQUI

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