Amar, às vezes, significa aprender a aceitar o fim - por Ester Chaves

Amar, às vezes, significa aprender a aceitar o fim - por Ester Chaves

Há quem não saiba aceitar que o amor acaba.
Recorda o último encontro inúmeras vezes como se pudesse editar as falas, abrandar os gestos e resgatar a companhia.

Vive em prol dessa façanha impossível. Se sente culpado por não conseguir mais despertar no outro a intensidade afetiva que havia antes do rompimento.

A partida se torna um ato inconcebível. Uma ficha que nunca cai. Não consegue dar corda na vida nem cogita a possibilidade de viver outra história. Não sabe mais andar sozinho. Anda com dificuldade, esgueirando-se nas lembranças do outro. Usa os objetos esquecidos como suporte.

Sofre do excesso da falta. A mudança repentina no status do relacionamento atrasa o relógio biológico do lar. Não consegue modificar o ambiente porque tudo serve para resgatar a presença de quem não mora mais ali. Qualquer objeto vira peça decorativa, souvenir, com o cheiro e gosto de saudade. Tudo vira amuleto.

A saudade desencadeia o mesmo ritual de uma homenagem póstuma. A mobília não será trocada para manter a memória do outro sempre ao alcance, como se já não apunhalasse o coração diariamente.



Nada poderá ser alterado até que a ausência prolongada se encarregue de esclarecer os fatos. A teimosia emocional acaba se rendendo à quantidade de provas que vão surgindo.

Quando o relacionamento acaba com uma das partes ainda amando, há um choque de comportamentos, onde um estava a todo momento ensaiando a despedida, como se o parceiro tivesse a obrigação de detectar os sinais, e o outro, distraído, levava a vida como se tudo caminhasse normalmente.

Um relacionamento acaba por diversos motivos, mas o principal é por não haver mais amor. Quem ainda ama, tentará utilizar as juras do primeiro encontro como estratégia de convencimento. Enfeitará o lugar da ausência para forjar compreensão. Perdoará o desinteresse, transformando-o em mera distração. Confundirá a falta de amor com um cansaço qualquer. Justificará o abandono como uma trégua reflexiva. Um retiro espiritual onde um pensará no outro com afeto.

Mas as tentativas de subornar a verdade duram pouco. Quem ama precisará compreender a cronologia do rompimento. Sentirá necessidade de rebobinar os fatos para encontrar evidências de que não é mais amado. Quem ama quer ter certeza que não foi omisso. Que não foi covarde. Que fez tudo para dar certo. Quem ama revisita o passado, incansavelmente, até se dar conta que não dói mais. A lembrança é um mausoléu a céu aberto. Quem visita sem sofrer, sabe que está pronto para amar novamente.

Ester Chaves, escritora Brasiliense, graduada em Letras e estudante de Gestão e Produção Cultural.

O que achou, foi útil para você? Então conta pra nós!

Artigos que podem te interessar

view_module reorder

Caldinho de Ervilha


Para estes dias de frio, um caldinho de ervilha cai super bem! Saudável, nutritivo e fácil de preparar. Ingredientes: • 1 e...

Golfe - por Amanda Pessôa

Você sabia? Depois de 112 anos ausente das Olímpiadas o Golfe está de volta. O esporte, que estreou na Olímpiada...

Onde está a cidadania do brasileiro? - por José Souza

“Cidadão é o indivíduo que, como membro de um Estado, usufrui de direitos civis e políticos garantidos pelo mesmo Estado...

Sarau das prendas, beleza e tradição - por Mariane Soares

O Tradicionalismo vai além da indumentária, da música e da preservação dos costumes, tem um jeito de viver singular, e...

Conta conto - Atitude mental

 Conta uma popular lenda do Oriente que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e...

Plantas tóxicas: um perigo também dentro de casa? - por Telmo Focht

Já pensou que podemos ter dentro de casa, ou no jardim, plantas até venenosas? Eis algumas: Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia ssp) Herbácea de folhagem...

Rúgbi - por Amanda Pessôa

Você conhece o Rúgbi? Essa é outra modalidade olímpica!  Depois de décadas sem fazer parte da competição, o RÚGBI chega com...

Quem sou eu? - por Mercedes Sanchez

“Posso ter a surpresa de descobrir que dediquei minha vida a viver na superfície, na periferia das coisas, sem penetrar...

São Francisco de Paula no Miss RS Plus Size

O Miss RS Plus Size apenas afirma: todas as mulheres são belas, independentemente de sua idade, peso, classe social ou...

5 de Setembro - Dia da Amazônia

Para celebrar o dia da Amazônia (05 de Setembro) a Usina fez a seleção das mais belas fotos da maior...

Patrocinadores da cultura