Nem é do Renato - por Franco Vasconcellos

Nem é do Renato - por Franco Vasconcellos

Recebi, em casa, numa dessas noites de frio, oito ou nove adolescentes. Me enlouqueceram durante a semana e organizaram uma festa surpresa para a minha filha mais nova. Assei uma tonelada de linguiças, comprei um balaio de pães... bom... o refrigerante ainda não acabou. A Carla fez uma torta de Negresco... essa foi quase toda.
Depois da comilança, puxaram um violão e começaram a cantoria. Somente canções mais antigas que eles mesmos foram entoadas  – mesmo as ruins do meu tempo são melhores que muitas das de hoje. Aí veio a “Sessão Legião”, iniciando por “Pais e Filhos” e, depois, em tom solene, um anúncio: “essa sim, ouve só que letra linda, do Renato Russo”... “Ainda, que eu falasse...(Monte Castelo – As Quatro Estações – Legião Urbana, 1989)”... Inventei de alertar: “A letra nem é dele”. Quase apanhei. Fãs mais ferrenhos da banda vão entupir minha caixa de mensagens com xingamentos... tá valendo.




A música é linda mesmo. Mas é um Ctrl+C/Ctrl+V. “Amor é fogo que arde sem se ver...” e alguns outros versos, foram escritos por volta de 1560, pelo português Luís Vaz de Camões. O restante, foi o apóstolo Paulo, em 60 d.C., em uma carta que enviou à Igreja de Corinto (I Co 13).

O que impressiona na canção é a sensibilidade e a mistura que resultou nesse coquetel de alto teor e concentração de poesia e sentimento.

Muito se especula sobre o real sentido da obra. Monte Castelo é o nome de uma região ao norte da Itália, onde foi travada a chamada Batalha de Monte Castello. Foi lá que militares brasileiros e americanos combateram soldados alemães ao fim da segunda guerra mundial.

Embora pudesse falar do amor físico (Soneto 11, de Camões) ou do amor ágape/divino (trechos bíblicos), Monte Castelo, para uns, remete à guerra, num novo contexto criado pelo artista nessa parceria à seis mãos.

A nós, cabe ouvir e curtir.

 

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

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