Chutando o pau da barraca - por Franco Vasconcellos

Chutando o pau da barraca - por Franco Vasconcellos

Quando tinha apenas catorze anos, assisti “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante”, rotulado como comédia dramática. Eu o rotulo como “inquietante”, até hoje. Conta de um gângster, que janta todas as noites num restaurante em companhia de seus capangas e sua esposa.

Cansada dos modos violentos e grosseiros do marido, ela flerta com outro frequentador do restaurante. Ao descobrir a traição, o chifrudo mata o amante… o faz engolir um livro, página por página. É o gatilho que dispara uma história cheia de diálogos incríveis. 

(Muitas vezes, ficamos resignados numa condição miserável, acostumados, quietinhos em nossa zona de conforto esperando que a “água bata na bunda”, para, somente aí, descobrirmos o quanto sabemos nadar. E quando essa descoberta acontece, tomamos conhecimento de que nossos limites vão muito além do que podíamos imaginar.

O confronto, geralmente tão adiado por receio de suas consequências, é inevitável e necessário. Tantas vezes, o “não querer se incomodar” acaba trazendo transtornos maiores que “chutar o balde e rodar a baiana”. Acabamos deixando para depois que as crianças crescerem, depois que tiverem concluído a faculdade, depois que o carro estiver quitado, ou quando vier aquela promoção. Os anos vão passando e cada vez mais a inércia vai pesando sobre os ombros.

Virar a mesa pode ser libertador. Como esperar da vida uma resposta diferente diante das mesmas e repetitivas atitudes? Mudar pode provocar no outro – e não falo somente de relacionamentos amorosos – aquela mudança com a qual tantas vezes sonhamos e que nos faria mais felizes.)

No filme, recheado de escatologias, Helen Mirren é magistral. Sem sombra de dúvidas, a sua cena final, o momento em que Georgina, seu personagem, decide que não será mais massacrada pelo marido - quando ela convence o chef a assar o seu amante para que este seja servido ao esposo – ambientada no salão do restaurante, apesar de grotesca é arrebatadora e aguardada pelo espectador.

Que a mudança parta de mim. Até dezembro.

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

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