Mais importante que o pão - por Franco Vasconcellos

Mais importante que o pão - por Franco Vasconcellos

O curta gaúcho “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, encerra com a frase “Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”, de Cecília Meireles. A obra questiona a liberdade do ser humano em relação ao dinheiro que possui.

Escrevo esse texto em 11 de abril, meio aparvalhado, após ver Tiradentes ser enforcado em “Liberdade, liberdade”... a gente sabe a história, sabe que aconteceu, mas ainda se choca quando esfregam a realidade na nossa cara.

Quando eu era mais moço, há uns vinte anos, já era um homem de teatro, encenei texto de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, que levava o mesmo título, “Liberdade, liberdade”. Ali, além de atuar, cantava em francês: “Allons enfants de la Patrie le jour de gloire est arrivé...”, espanhol: “Y el cielo se encuentra nublado, o se ve relucir una estrella, os motivos del trueno y del rayo...” inglês: “If you miss me at the back of the bus, you can‟t find me nowhere...” além, claro, de português.





O texto era uma colagem de retalhos poéticos e reunia desde trecho do Hino da Proclamação da República à Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, de Vinícius de Morais e Carlos Lyra, passando por canções da Guerra Civil Espanhola e “O Telegrama de Moscou”, de Drummond de Andrade, além, é óbvio, de pitacos do elenco, que trazia textos atuais e questionadores.

E a discussão segue em frente. É difícil definir a liberdade de um modo definitivo. Na peça, meu personagem era taxativo: “Eu lhes garanto que a liberdade existe. Não só existe, como é feita de concreto e cobre e tem cem metros de altura. A liberdade foi doada aos americanos pelos franceses em 1866” - referindo-se à estátua da Liberdade, de Nova Iorque.

Livre também é a definição da liberdade. Cada um sabe a medida que vai utilizar ao se definir a liberdade, pois para o preso, pode ser um domingo com a família e para um pai de família, pode ser dez minutos a mais na cama, pela manhã.

Eu creio que tudo aquilo que eu, conscientemente, decido fazer ou deixar de fazer, permite que meu coração e minha mente permaneçam tranquilos e leves.
Qual a definição para você?

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

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