Use boné - por Franco Vasconcellos

Use boné - por Franco Vasconcellos

Não sou do tipo que reclama à toa. Mas funciono melhor em temperaturas baixas. Esse verão me tirou o couro – literalmente. Numa manhã, bem cedo, de cerração, me enchi de coragem e, branquelo que sou, me besuntei do protetor solar Solar Expertise Invislight Body FPS 50, da L'oréal, peguei uma cadeira de praia verde e amarela MOR, chinelos cinza West Coast, guarda-sol e bermuda ambos em azul e branco e sem marca definida, um boné mofado, me paramentei e rumei ao Atlântico.

Confesso que, logo nos primeiros metros da rua de areia, pensei em desistir. Mas levado pelo oba-oba do resto do povo que insistia, fui. Lá chegando, abri a cadeira debaixo do guarda-sol e me sentei meio torto, porque o guarda-sol era baixo e fiquei ali, torcendo para não ter que correr atrás dele, caso a ventania o arrancasse da areia.

Uns quinze minutos, ou pouco mais do que isso, talvez vinte, já sentia uma leve ardência no peito dos pés que, óbvio, não receberam proteção. Encabulado, me despedi de todos, fiz mil recomendações às minhas filhas, e fui embora para casa.

  

Sentia arrepios. Na ducha para remoção da areia pude ter um aperitivo do que viria pela frente. Cheguei em casa apressado e curioso. Fui até o espelho e me vi, cor de cereja. Meus ombros, que haviam permanecido o tempo todo protegidos estavam cheios de bolhas. Inexplicável. Morei ali por doze anos e nunca havia tomado uma sapecada tão grande. Apenas as costas, pois fiquei sentado na cadeira e o rosto (bendito boné mofado), não se queimaram. Tive que dormir na mesma posição à noite, com uma toalha de banho molhada em cima.

No outro dia, precisei ir ao supermercado. Tive que fazer mil malabarismos para colocar o cinto de segurança sem que ele me arrancasse os pedaços. Improvisei uma ombreira com uma toalha, fechei o cinto e #partiumercado. Esqueci da minha barriga – que não é das menores. O roçar do cinto com a pele beirava o insuportável. Fiquei à sombra o restante dos meus dias de praia.

Ano que vem tem mais. Um conselho? O Bial já te mandou usar filtro solar. Eu te digo: leia o título da crônica.Fran

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

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