Mea-culpa/ O deficiente sou eu - por Franco Vasconcellos

Mea-culpa/ O deficiente sou eu - por Franco Vasconcellos

Sempre bati no peito, orgulhoso, por ser livre de preconceitos, por não ser como as outras pessoas. Hoje, me envergonho disso. Talvez eu te choque, leitor, mas é impressionante o quão despreparados para lidar com as diferenças nós somos. Excluímos, muitas vezes, pelo fato de não querermos/sabermos como lidar com as pessoas que trazem deficiências diferentes das nossas.

Agradeço à Gabriela. Naquele semestre eu cursava uma disciplina em uma turma que não era a minha “de sempre”, na faculdade de Direito. É anã. A cumprimentava de longe... Deus me livre de apertar aquelas mãozinhas com dedinhos curtos... Era incrível, raciocínio rápido e inteligente, boa amiga. Aos poucos, fui me distraindo, até que fui me libertando da marra e deixando a admiração tomar lugar.

Hoje, cada vez que me deparo com situação semelhante, eu, tão comunicativo e tão perspicaz (sqn), ainda dou aquela travada básica. Noutro dia, durante a eleição para prefeito, estava trabalhando e um cego chegou à seção. O encaminhei até a urna, votou em seu candidato... o aviso sonoro “FIM”, não vinha... Eu, na minha habilidade: “Clica no verde, senhor!”. Ele, doce: “Meu filho, não sei o que é verde!”. “Toma!”, pensei. Me envergonhei, me desculpei... fiquei chateado comigo mesmo.

A saia justa, é justa mesmo, com a maioria das pessoas, tanto que chegam haver algumas cartilhas de como se portar nesses casos.



Eis alguns “toques” interessantes:
- Os termos ”cego” e “surdo” podem ser utilizados;
- Ao conversar por mais tempo que alguns minutos com uma pessoa que usa cadeira de rodas, se for possível, lembre-se de sentar, para que você e ela fiquem com os olhos no mesmo nível.
- A cadeira de rodas (assim como as bengalas e muletas) é parte do espaço corporal da pessoa, quase uma extensão do seu corpo.
- Pergunte e saberá como agir e não se ofenda se a ajuda for recusada.
- Não se acanhe em usar termos como “andar” e “correr”. As pessoas com deficiência física empregam naturalmente essas mesmas palavras.
- Algumas pessoas, sem perceber, falam em tom de voz mais alto quando conversam com pessoas cegas. A menos que ela tenha, também, uma deficiência auditiva que justifique isso, não faz nenhum sentido gritar. Fale em tom de voz normal.
- Não se deve brincar com um cão-guia, pois ele tem a responsabilidade de guiar o dono que não enxerga e não deve ser distraído dessa função.
- Ao falar com uma pessoa surda, acene para ela ou toque levemente em seu braço, para que ela volte sua atenção para você. Posicione-se de frente para ela, deixando a boca visível de forma a possibilitar a leitura labial. Evite fazer gestos bruscos ou segurar objetos em frente à boca. Fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas sem exagero.
- Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual. Se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.

A minha dica: tente se colocar no lugar do outro.

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

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