O que te identifica? - por Franco Vasconcellos

O que te identifica? - por Franco Vasconcellos

Num dos trechos de “O Homem do princípio ao fim” - seguidamente falo desse texto, pois o acho incrível, e não são raras as vezes que o releio... assim mesmo, picadinho, pois é construído de retalhos de textos e poemas, Millôr – que retrata o medo do ser humano, há uma frase curiosa: “E aquele menino muito pobre e abandonado, filho de uma família numerosa, quando alguém lhe perguntava quem ele era, respondia tristemente: “Eu? Eu sou aquele, de óculos.””

Há alguns dias, numa dinâmica de grupo, participei de um exercício em que deveríamos escolher seis pessoas para morar conosco em um bunker, pois a cidade estaria para sofrer um ataque terrorista. Os que ficassem de fora, inevitavelmente, morreriam.



A lista trazia um violinista, com 40 anos, narcótico viciado, um advogado, com 25 anos, HIV+, uma prostituta, com 34 anos, uma menina de 12 anos, e baixo Q.I, um homossexual, com 47 anos, ente outros.

Imediatamente, começaram os julgamentos. Enquanto bancávamos os verdugos e nossos concorrentes se aproximavam do cadafalso psicológico, levantaram a questão: Ninguém é somente aquela definição que o exercício propôs, a menina de 12 anos e baixo QI, ou o homossexual de 47 anos, ou qualquer outro personagem poderia ser qualquer um de nós.

O “de óculos”, do Millôr, ou o “gordinho do balcão”, como alguns costumam se referir a mim, apontam para o primeiro em primeira instância... o primeiro rótulo.

Perigoso. Nem sempre o rótulo descreve exatamente o conteúdo da embalagem. Nada como conhecer alguém mais demoradamente para se formar uma opinião.

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

O que achou, foi útil para você? Então conta pra nós!

Artigos que podem te interessar

view_module reorder

A Arte do Acaso - por Alexandre Kury Port

A vida nos surpreende a cada dia, se organiza e reorganiza, seja de forma caótica ou exemplar. Sempre que temos...

Literatura também é arte - por Diogo Maicon Krevoniz Balduino

Quando falamos em arte logo pensamos em pinturas, desenhos, esculturas, recitais musicais, atuações e, até, em artesanato. De fato, essas...

Academia Rio-Grandense de Letras Cria Prêmio Literário Anual

A Academia Rio-grandense de Letras (ARL) lança, dia 22 de junho, concurso literário que contempla três categorias: escritor do ano...

Psicoterapia Infantil: Dúvidas Frequentes - por Thainá Rocha

Durante a infância, as crianças se deparam com um novo mundo a ser explorado e descoberto. Nesta fase da vida...

Música - Hipercubo lança videoclipe do single “Gasolina”

Sonzeira e profissionalismo definem o novo trabalho! Formada em 2006, a banda sapiranguense Hipercubo destaca-se pela mescla entre o clássico e...

Todo dia é dia DELA! - por Celina Valderez

Em Março celebramos o Dia Mundial da Água - elemento fundamental para todas as formas de vida, mas é no...

Vocação, eis a questão! - por Fabiana Souza

No sistema em que vivemos, é comum acreditarmos que um profissional satisfeito é aquele que ganha bem e, assim, poucos...

Dança - por Lucas Gomes & Thiago Alves

Dançarina: Daniela Sánchez A dança simplesmente existe. Ela não pode ser considerada uma criação humana. Ela compõe com a linguagem corporal...

Rincão Poético: Verdadeira Paixão - por Diogo Maicon Krevoniz Balduino

Sinto a textura do papelEm minhas mãos,Escrevo cada palavraQue brota de meu coração. Sinto a doce sensaçãoDe liberdade, porqueMinhas palavras contêmPaixão...

A meu ver x Ao meu ver - por Aline Aguiar

A expressão “Ao meu ver” não existe. A forma correta é: A meu ver. A meu ver ele conseguirá a aprovação...

Patrocinadores da cultura