Lugar certo - por Franco Vasconcellos

Lugar certo - por Franco Vasconcellos

“Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos”. O povo de Israel, depois de séculos de escravidão, no Egito, depois da libertação, ainda reclamava.

Com a promessa de estar caminhando para a Terra Prometida, tendo alimento mandado dos céus, com a roupa crescendo no próprio corpo, sombra em pleno deserto – uma nuvem os acompanhava. No livro de Números, 11:5, transcrito logo acima, o povo fala de quando comia de graça – sem lembrar o preço de ser escravo. Assim é o ser humano em sua maioria: insatisfeito. A insatisfação é irmã do tédio e, com ele, acaba com casamentos, faz cair a produção das empresas... faz com que as pessoas se perguntem seguidamente o porquê de estarem onde estão. O leitor já deve ter passado por essa situação de questionamento e, agora mesmo, deve ter se questionado. Aprendi, mesmo que às vezes me venha a saudade dos “peixes que comíamos de graça”, que cada dia é uma história, que devemos contar com a preocupação de preparar um final feliz, cuidando dos detalhes... De cada lugar, levamos as pessoas que conhecemos, seus sotaques, manias e peculiarida- des... Cruzando a ponte de Uruguaiana, chegamos à província de Corrientes, na cidade de Paso de Los Libres. Cidade pequena e pobre, cortada por uma rua principal, a Colón. De repente, em meio ao trânsito semi-caótico do final do horário da ‘siesta’ – lá eles, que não têm horário de verão e dormem após o almoço, até lá pelas quatro da tarde. Somente neste horário abre o comércio. – de meio corpo para fora do carro, aos gritos e acenos, avisto uma amiga chaman- do por mim. Os que estavam comigo acharam engraçadíssimo eu viver uma situação destas tão longe de casa.
Seguidamente me reencontro com personagens do meu passado. Gente de Erechim em Araranguá (SC), de Criciúma (SC) em Portugal, de vinte e poucos anos atrás, em Porto Alegre. Uma das últimas foi essa gritona de Libres – como chamam, carinhosamente a cidade portenha. Já falei aqui que o tempo tem passado mais rapidamente que há alguns anos – já é março.
O mundo gira depressa. Tomara que numa dessas voltas, quando não estiver mais aqui, possa reencontrar o pessoal que conheci em São Chico. Até lá.

Franco Vasconcellos e Souza
Gaúcho de Erechim, morador de São Francisco de Paula, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores. Envie e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

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