Ela nos adotou - por Franco Vasconcellos

Ela nos adotou - por Franco Vasconcellos

Eu achei que fazia grande coisa quando achei um novo lar para Dorotéia. Ela é uma cadela de porte médio – tem 14 quilos – e, não sabia como seria o deslocamento até Erechim, onde passei a morar. Castrada, mansa e amorosa, foi morar com um senhor lá na Estrada da Serra Velha. Ele parecia gostar bastante de cães e simpatizou com a moça.

Conversei, então, com a família toda, expliquei a situação, pois acreditava, realmente estar fazendo o melhor. Levei-a então, com sua casinha até o seu novo lar. Lá, corria de um lado para o outro, desfrutando a novidade de todo aquele espaço. Fui embora sem olhar para trás, com um nó na garganta e me questionando sobre estar fazendo a coisa certa.

Tratei de me conformar com o ocorrido e passei a cuidar de todas as outras coisas que envolvem uma mudança de cidade – escola para as crianças, casa, caminhão de mudança, TV à cabo, internet...

Fui embora.

Na bagagem levei apenas Malvina, a Shitzu, com seus quatro filhotes e Petúnia a nossa nova gata. A viagem com eles foi bastante tranquila, pois são acostumados à caixa transportadora. Na casa nova, o pátio vazio pedia um novo cão. Evitei até mesmo pensar no assunto, pois as lembranças da Dorotéia eram recorrentes.

Tudo corria na mais perfeita calma até que recebo um telefonema: “Tchê, tua cachorra voltou ali para a tua casa... tá magrela e judiada...”. Imediatamente corri ao Facebook para tentar contato com alguém que se disponibilizasse a me prestar esse socorro de acolher a Dorotéia. Público, o Face tornou-se um mural de aprovações e reprovações... “pobre cachorra”, “não acredito que tu pode fazer isso”... as mensagens in box eram mais incisivas... e me fizeram ver o tamanho da burrada que fizera.

Em contato com a médica veterinária Bárbara Castagna Lovato, ela prontamente se dispôs a resgatar o animal, que estava acuado e enfraquecido pelos dias de abandono. Senti uma alegria imensa ao ser avisado que Dorotéia já estava fora de perigo e sob os cuidados dela. Saí de Erechim na missão de buscar a cachorra. Chegando até a clínica onde estava hospedada, logo me viu. Veio correndo, rebolando, me lambendo e abraçando. Ali, por mais ridículo que algum leitor possa achar, entendi que nós, aqui de casa, somos a família dela.

Agora ela está ali, cuidando de nós como de um tesouro. Logo ela, tão preciosa.

Franco Vasconcellos e Souza
Gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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 • Publicado na Revista Usina da cultura - número 13 - Maio 2014

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