Coisa de gordo - por Franco Vasconcellos

Coisa de gordo - por Franco Vasconcellos

Bujão, Baleia, Rolha de poço, Chupeta de baleia, Free Willy... e por aí afora...

Tenho um amigo gordo – mais que eu. Na verdade são vários, mas nenhum tão gordo quanto esse de quem falo agora. Gordo mesmo. Profissional. Alma de gordo. Daqueles que já tem sempre planejadas as próximas duas refeições e os lanchinhos dos intervalos. Sem falar nas receitinhas de guloseimas.

Detesta o politicamente correto. Das piores referências que fazem a ele, a pior é ‘cheinho’. “Pombas! Sou gordo, não cheinho, ou quando dizem: “Você tem um rosto tão bonito...”. Se a frase continuasse viria assim “..., em compensação o corpo tá um bagulhão”.

Mas ele também faz parte desse planeta que cultiva o corpo e a magreza. Discriminado. Não pode entrar em uma sorveteria ou restaurante... “Olha lá o gordo”... suspense na hora dele se servir... Claro que ele não pode deixar a faca cair ou esbarrar em alguém, como qualquer magro faria. Novos olhares repressores surgiriam. Cadeiras plásticas, nem pensar...

Eu mesmo, que também estou vários quilos acima do esperado, almejo nunca atingir a marca do amigo. Penso que tomaria uma atitude antes. Não pela estética, mas pela saúde.

Essa semana, li no Face: “quem é capaz de fazer dieta, é capaz de fazer coisa muito pior”... Também recebo conselhos e recomendações. Nesta semana, me veio um e-mail: “Não prioriza a qualidade dos alimentos? Não come verduras, legumes e frutas? Come escondido, fora dos horários das refeições?”. Terminava com um simpático “Quer ser emagrecido, sem esforço?” Quem não quer? Quem não quer comer uma porção de fritas com Coca-Cola Zero, sem ter que ouvir: “que que adianta a Coca Zero?”. Sabe que até adianta. São centenas de calorias a menos...

Gordo faz essa matemática. Na hora H, quando encurralado, desconversa, muda de assunto, compra uma nova camisa de listras verticais, pede uma saladinha... e se consola por ser homem. Segundo vários estudos, nós temos maior facilidade em perder peso do que elas. Desculpa aí, hein.





E que venham as gordices do inverno!

Franco Vasconcellos e Souza
Gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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Publicado na Revista Usina da Cultura - número 16 - Agosto de 2014

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