Obrigado, profe Lia - por Franco Vasconcellos

Obrigado, profe Lia - por Franco Vasconcellos

Passaram-se as eleições e o ano, como já previ aqui neste espaço, está chegando ao final. 2015 se avizinha e um sentimento de nostalgia vem chegando. Escrevo essa crônica no dia dos professores para que a leia dias depois. Mas o que vou te contar não é velho nem requentado.

Cursei o segundo grau – hoje chamam de Ensino Médio – na cidade de Passo Fundo. Lá se vão mais de vinte anos. Tanto tempo depois, ainda guardo alguns colegas com grande carinho. Vivemos intensamente, como os adolescentes que éramos, aquela época.

Não tínhamos essa apatia assustadora da juventude de hoje. O ‘tanto faz’ nos incomodava e nos fazia buscar o ‘algo mais’. E era assim mesmo. Nós buscávamos. Não ficávamos esperando o amigo do amigo fulano, aquele nos faria o que quiséssemos só porque estávamos pagando e não podíamos ser contrariados.

Imagine só: aprendemos a escrever ‘impeachment’, pintamos a cara e fomos para a rua gritar ‘Fora Collor’. Achávamos que era somente isso, pois o Collor saiu – mesmo que ainda hoje esteja nos rondando.

E recordando desse tempo tão bom, vejo, claramente, a influência que um professor pode ter na formação de um caráter, se quiser. Foi minha professora de História, a Lia, quem nos acobertava e nos defendia, estimulando-nos a brigar pelo que queríamos. E éramos bons de briga.

Conversando recentemente com uns colegas da época (esse ano completamos vinte e cinco anos de formados no segundo grau), vi que marcou não somente a mim, mas a eles também. Tudo porque uma professora escolheu fazer mais do que ditar conteúdos e aplicar provas. Penso que hoje deve estar velhinha – tomara. Mas ainda posso ver seus olhos faiscando de esperança no futuro.

Passávamos boas tardes de sábado na casa da profe Lia. Ali, discutíamos a paz mundial e elaborávamos mil teorias para resolver a fome nos países africanos. Entre bacias com pipoca e uma cuia de mate doce, forjávamos nossa amizade e nosso caráter. E na beira do ringue, lá estava ela. 

Obrigado profe.

Franco Vasconcellos e Souza

Gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 19 - Dezembro de 2014

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