Silêncio perigoso - por Franco Vasconcellos

Silêncio perigoso - por Franco Vasconcellos

Nem se falava em bullying. E a gente se defendia como podia. Me chamo Franco. Na escola, até os doze anos, fui ‘frango’. Detestava. Aí é que a diversão estava garantida. Quanto mais eu me acabrunhava, mais a coisa crescia. Tenho traumas? Acho que não. Sou bem resolvido quanto a isso.
Aos treze anos, fui chamado pelo apelido simpático, no corredor. Foi instantâneo. Peguei a criaturinha pelo pescoço e levantei do chão. Quando começava a azular, foi salva. Nesse dia, me despedi do ‘frango’.

Não levanto nenhuma bandeira ao revide. Minha bandeira é pelo respeito ao próximo.As direções das escolas, os professores e os próprios pais estão cada vez mais alheios a estas situações. Compactuam. Transgredir as normas de convívio, me parece, tornou-se regra.

Não consigo imaginar meus pais, me defendendo, em uma situação onde eu bancasse o valentão. Hoje, a coisa se inverteu e se chamados na escola, os pais se põem em defesa do filho agressor, sem repreensão ou censura. O termo vem da língua inglesa e caracteriza qualquer forma de atitude agressiva, verbal ou física, intencional e repetitiva, que ocorra sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia,com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.

As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as próximas vítimas do agressor.

No espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos de medo e ansiedade.

Cobre da escola de teu filho que seja dado o espaço para essa discussão. Não permita que o mal se agigante e marque a história do teu filho para sempre. Tome uma atitude de pai/mãe e não fique esperando passar, dizendo que é “coisa da idade”. A espera pode ser longa e prejudicial.




E se o teu filho for o agressor, aja.

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 21 - Fevereiro de 2015

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