Cortinas abertas - por Franco Vasconcellos

Cortinas abertas - por Franco Vasconcellos

Sou um palhaço. De repente, me vi, novamente, em cena e era tão prazeroso que não compreendia o porquê havia me mantido tão distante do teatro.

O primeiro contato foi ainda criança, acompanhando minha irmã num grupo amador lá de Passo Fundo. Era um universo paralelo e encantador.

Durante os três anos do segundo grau (era esse o nosso do Ensino Médio), fiz aula de teatro, além de umas trinta oficinas, dos mais variados estilos da arte. Foi assistindo “O Homem do Princípio ao Fim”, do Millôr Fernandes, durante o “Von der Kindermörderin Marie Farrar – A infanticida Maria Farrar, de Bertold Brecht”, que pensei: “É isso!”.

De lá para cá foram várias peças e algumas dezenas de personagens. Atuei também junto à técnica, como iluminador, sonoplasta, fui contrarregra e diretor. Fui de Shakespeare a montagens experimentais e malucas. Trabalhei com textos adultos, infantis, musicais... até mesmo com mise en scène, para uma companhia de dança... até uma pontinha... bem pontinha mesmo, num filme. Abrimos o Festival de Gramado naquele ano... que orgulho! Foram várias participações em festivais e vários prêmios. E aí, dez anos de jejum de toda aquela adrenalina.




Agora, depois das duas filhas crescidas e chegando aos quarenta anos, decidi voltar a atuar. Novamente me inscrevi para participação em uma oficina de teatro, que reacendeu a chama, participei de um coral, onde cantei em hebraico (Resir hashem mishpotaich / Pina oyvech, melech Israel / Adonai, bekirbech, al tirai), pasmem vocês.

Apenas o foco mudou. Hoje integro a Cia Adora, vinculada à igreja que frequento. São homens e mulheres dedicados a levar ensinamentos cristãos através do teatro e da dança. Além de me auxiliar na rotina do atendimento e entrosamento com os colegas, o teatro, como qualquer forma de arte, tem um poder terapêutico revigorante... é o melhor anti-estresse que eu conheço.


Meu último personagem, um diretor de cinema vindo do nordeste, cabra da peste, arretado da mulinga o Diretô Jerimum, é um clown, um palhaço, mas não aquele modelo clássico de palhaço que vemos em circo... um clown no teatro é basicamente o próprio ator de forma “exagerada”... é um personagem múltiplo e delicioso de fazer. Hora dessas, quando vieres a Erechim, pode ser um ótimo passatempo.

Franco Vasconcellos e Souza
Gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 25 - Junho de 2015

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