Carlos e Valéria - por Franco Vasconcellos

Carlos e Valéria - por Franco Vasconcellos

Era janeiro. As árvores da Júlio de Castilhos ainda mostravam-se verdes. Saímos de casa junto com o caminhão da mudança, vestindo bermudas e camisetas. Chegamos em São Chico por volta de nove da manhã e nos deparamos com uma temperatura bastante amena. Vivíamos, como casal, a expectativa de todas as mudanças que uma nova cidade poderia trazer. Nossas filhas traziam ansiedade maior. “Como seriam a nova escola e os novos colegas?”Vinham de uma cidade solar, onde viviam cercadas dos muitos amigos que a adolescência nos proporciona.
Até o início das aulas era tudo uma incógnita. Fui com elas no primeiro dia – que baita mico! - e, com elas esperei a abertura dos portões do “Industrial”. Ao serem chamadas, vi suas mochilas coloridas desaparecerem em meio à multidão barulhenta e cheia de novidades. Dias depois, minha filha Ana Clara chamou uma colega para ir lá em casa. Confesso que sou chato – até antiquado, para alguns – mas gosto de saber, quando minhas filhas vão em casas de colegas, quem são seus pais, onde moram, essas preocupações que deveriam ser normais a qualquer pai, mas caíram em desuso. (Sempre achei absurda a atitude de alguns pais que, simplesmente largavam suas filhas lá em casa, algumas vezes para dormir, sem sequer nos conhecer). Então gostei de saber que os pais da nova amiga iriam junto, para nos conhecer.
Fiz uma fornada de pães de queijo e preparei um chimarrão. Quando Carlos e Valéria chegaram, convidei-os para entrar. Passamos juntos uma bela e agradável tarde de boa conversa, com gente interessante e muito querida. Em seguida fomos dar uma volta no Lago. Depois desse dia, cada programa era planejado em conjunto. Nossas filhas acabaram construindo uma bela amizade. Nós também.
Hoje, seguidamente, ao fazer um chimarrão ou acender o fogo para o churrasco, penso em ligar para o Carlos, pedir que a Valéria traga a maionese e a Carlinha, para matarmos a saudade de nossas tardes juntos e para tentar consertar esse estrago que a distância faz com as amizades.
Eles ainda moram em São Francisco de Paula. Se você tiver a oportunidade de conhecê-los, não desperdice. Com certeza são gente boa e interessante, de coração puro e bom. Carlos e Valéria... Carlinha, minha princesa... apareçam por aqui que o mate já está pronto. Forte abraço.


Franco Vasconcellos e Souza, 
gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 26 - Julho de 2015 

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