Cresceram mesmo - por Franco Vasconcellos

Cresceram mesmo - por Franco Vasconcellos

Não. Não me venham dizer que as meninas cresceram! Sempre sonhei com a menininha parceira que dizem que toda menina é do pai. E agora, isso? Em épocas da vida, achava que não teria filhos. Sempre achei um perigo – ainda acho –, mas preferi correr o risco. Tive logo duas.

A primeira, vi na incubadora, me dei conta que era o pai daquela coisinha. Me recuperei da falta de ar, e pude tocar em seus pezinhos... meu primeiro toque pele com pele, me fez perceber que agora era pai de uma menina! Chorei. Choro ainda hoje, ao escrever esse texto. No mesmo instante, meu coração se encheu de um amor que nunca havia experimentado. Compreendi muita coisa naquele segundo. Anos depois veio a segunda, cheia de novidades (são muito diferentes!). Bebezão. Inda mais se comparada à primeira. Todo aquele amor que nem cabia em mim, se duplicou. 

E agora, a vida vem me contar, aos gritos, que elas cresceram! Lembro de uma canção do Abba - And a sense of guilt I can’t deny / what happened to the wonderful adventures / the places I had planned for us to go (E um sentimento de culpa que eu não posso negar / o que aconteceu às aventuras maravilhosas / os lugares que eu tinha planejado para nós irmos) - e me pergunto, quando foi que elas cresceram? Onde ficaram os detalhes que eu perdi?



Estes anos tem sido incríveis. Nem tudo foi um mar de rosas, mas a simples presença delas em minha vida fez com que eu me tornasse uma pessoa melhor. Tem me ajudado a ser um homem mais completo. A cada novo momento de vida que vivemos juntos, sou forçado a repensar e ajustar minhas ações para que não só me torne um pai melhor, mas também deixe para elas o legado de que toda vida vale a pena.

Agora, sou forçado a admitir, elas cresceram! Estão se tornando mulheres admiráveis, cheias de altos e baixos. Como pai, sei que vou ter que crescer juntamente com elas e também vou ter meus altos e baixos! Mas estou empolgado. Mal posso esperar pelas próximas crises, alegrias e aventuras.

Meu Deus, quanto medo de não poder controlar cada passo! Mas há coisas que não se pode experimentar, contar, descobrir, ver, sonhar... há fronteiras que não se pode atravessar... tem-se que permitir cruzar e ver com os próprios olhos, confiar... respirar fundo... e ser com quem se pode contar.

Poderia ficar aqui, escrevendo linhas e linhas para te explicar o que sinto... mas só os pais entenderão.

Franco Vasconcellos e Souza
Gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 28 - Setembro de 2015

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