4.0 (a hora do desassossego) - por Franco Vasconcellos

4.0 (a hora do desassossego) - por Franco Vasconcellos

Achava que quando fosse um velho, de quarenta anos, estaria entregue às baratas. Já contei pra vocês que nem lembro o passar dos anos no meu dia a dia. Hoje, titubeei. Quando recebi e-mail falando do prazo para escrever a crônica de outubro, parei para pensar nos eventos do mês e, imediatamente, veio à minha mente, com a sonoridade de uma trombeta: meus quarenta anos... O tom ameaçador da revelação ficou ali, ecoando... Os livros de autoajuda proclamam que a vida começa aos quarenta, os de psicologia anunciam a crise da meia idade... À mim, não parece que amanhecerei diferente.



Lembro de alguns aniversários que foram especiais para mim, com a casa cheia de amigos queridos – tenho os melhores. Houve também um, do qual só lembrei em novembro... passou batido. Hoje, claramente, tenho mais motivos para me alegrar do que para lamentar. Nasci no mesmo ano do “Tubarão” de Steven Spielberg, da “Doralina”, de Rachel de Queiroz, enquanto Rita Lee cantava “Ovelha Negra”, Caio Fernando Abreu via “O Ovo Apunhalado” e Plínio Marcos acendia seu “Abajur Lilás”. Era uma quinta-feira e a bolsa havia rompido. O líquido morno escorrendo causou um rebuliço em minha casa. Fomos às pressas para o hospital. Nasci, por volta de 10h30. Segundo contam, não havia bebê mais feio na cidade. Daquela manhã até o dia de hoje, tanta coisa aconteceu. Sou plenamente grato por tudo o que Deus me deu, mas nas minhas orações costumo lembrá-lo de que ainda não estou satisfeito: “Quero mais, Senhor!” e creio que o que vem dEle, é o melhor que poderia ter sido. O número quarenta, biblicamente, aparece várias vezes. Foram quarenta dias e quarenta noites de chuva para alagar o planeta, foram quarenta anos no deserto, Jesus, Moisés e Elias jejuaram quarenta dias... a quaresma, para os católicos, são quarenta dias... Baseado nessas informações prefiro acreditar que quarenta – anos, nesse caso – é o tempo certo, necessário ou suficiente para que o objetivo seja atingido, e isso é motivo para comemorar.

Que venham os quarenta e outros quarenta, e mais outros... apesar de eu, ainda me sentir com trinta e nove e meio.

Franco Vasconcellos e Souza,
gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 29 - Outubro de 2015

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