O lobo do homem - por Franco Vasconcellos

O lobo do homem - por Franco Vasconcellos

Eu queria escrever uma crônica que, agora no final do ano, enchesse teu coração de boas expectativas para o 2016 que bate à porta. Eu queria escrever ao menos uma frase que aquietasse teu espírito e te trouxesse esperança. Creio que a revista esteja cheia de belas e motivadoras mensagens. Talvez tu precises mesmo... 2015 foi intenso... as pedaladas, os salários parcelados, El Niño e seus efeitos, toda a lama de Mariana, a morte do Rio Doce, os reféns e o massacre do Bataclan, até o Eike Batista ficou pobre... uma injeção de ânimo seria utilíssima.

Mas não vou escrever. Acho que hoje, o que precisamos é uma injeção de consciência. Mês passado já te falei isso: “Que a mudança parta de mim”. Me impressiona a maioria achar que está aqui apenas a passeio. Me choca perceber a falta de preocupação com o outro, mesmo que esse outro sejam nossos filhos e netos. Quanto mais nos “modernizamos”, mais produzimos lixo. Quanto mais pensamos que o problema é do Estado, mais sofremos as consequências.



Quando Thomas Hobbes reescreveu uma frase do notável escritor latino Plauto, “o homem é o lobo do próprio homem”, (no estado natural, todos se opunham contra todos, que a lei era a dos mais fortes e que o restante era subjugado à força, sem direitos e com o ônus de produzir a subsistência dos mandantes), cravou na testa do homem a verdade de que somos divergentes e que nosso mundo gira em torno de nossos umbigos.

Em meio a esse deserto, devemos ser oásis e nos posicionar frente a tudo isso. Escolher o orgânico ou o reciclado; optar pelo bem humorado ao amargo; fechar as torneiras; não adquirir produtos de empresas que utilizam trabalho escravo ou que os testam em animais; são várias as atitudes que podem fazer a diferença... mesmo que não apareça nos dias de hoje... a soma será positiva no futuro.

Pense nisto. Não me importa que tenhas apenas um belo 2016. Quero que haja para ti e os teus um belo 2026, um extraordinário 2036, um 2046 sobrenatural...

Felizes anos novos.

Franco Vasconcellos e Souza,
Gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores.
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• Publicado na Revista Usina da Cultura - número 31 - Dezembro de 2015

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