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O Resto da Viagem de Ida - por Franco Vasconcellos stars

Retomando da história da semana passada: Entraram na casa da nossa anfitriã e fizeram uma bagunça fenomenal. Ficamos muito chateados, pois a desconhecida, que levantara de sua cama às 4h30 da madrugada, para nos acolher, havia sido vítima, justamente, no período que havia separado para nos atender. A viagem continuava a dar sinais de que não seria das melhores. Confesso que cheguei a pensar em desistir.
Família inteira na capital... esperamos chegar às 8h da manhã e fomos ao Barra. Ali tem um hipermercado, onde poderíamos nos entreter por algumas horas, para que o dia passasse mais rápido. Ela insistiu e nos levou.

Liquidação
No marcado, havia uma super liquidação de cama, mesa e banho. Óbvio que não podíamos deixar de aproveitar. Esquecemos que já tínhamos malas, mochilas e sacolas abarrotadas para a bagagem. Fomos comprando... muito volume. Quando o shopping abriu, mais compras. Até que, na hora combinada, a nossa condutora, que havia insistido para nos acompanhar até a rodoviária, apareceu. Finalmente era hora de, outra vez, embarcarmos. Calor, sede, crianças pequenas, xixi, cocô, enjoo, Dramin... Insistimos e prosseguimos viagem. Foi tranquila até o nosso destino.

Ho, ho, ho
Era semana de Natal e, no outro dia, mais descansados, fomos às compras. Que loucura! Conseguimos atender todas as “encomendas” e ainda pensar na ceia... lombinho recheado, peru, sobremesas... frutas secas e castanhas... Na véspera de Natal, reunimos a família, trocamos presentes, celebramos o nascimento do Cristo e nos recolhemos. Passamos uma semana reformado e requentando restos do jantar festivo. Tudo perfeito e como manda o figurino. Mas o pensamento na viagem de retorno para casa me causava arrepios.

E agora, a volta
Inexperientes em empreitadas desse tipo, como já te adiantei antes, havíamos nos esquecido de todo o volume de bagagem que levamos para o veraneio, compramos mais no shopping, compramos mais para o Natal, sem falar nos inúmeros presentes que ganhamos... até uma casinha de boneca integrava o conjunto. A bagagem não cabia em um automóvel comum. Tivemos que, no momento de ir para a rodoviária, ocupar um para as malas e outro para a família. Seguimos para Porto Alegre, e de lá, para Nonoai. Na rodoviária, apenas um táxi... o enchemos com toda aquela tralha e fomos a pé para casa.

LEIA A PRMEIRA PARTE: Daria um Filme (A ida) - por Franco Vasconcellos

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

Daria um filme (A ida) - por Franco Vasconcellos

Seguidamente, ao contar alguma das minhas histórias, ouço alguém dizer: “Bah... daria um filme!”. Muitas vezes, eu concordo. Essa que vou te contar é uma delas.
Começava o verão de 2010 e nós sonhávamos com alguns dias de descanso em uma praia. Fazíamos planos mas sabíamos que não seria fácil, sem carro e com duas crianças. Confesso que pensei em desistir.

Preparativos
Quebramos os porquinhos, juntamos nossas economias, nos enchemos de coragem e fui em busca das passagens. Não havia linha de ônibus que fosse de Nonoai (RS), onde morávamos, até Sombrio (SC), que seria nosso destino. A solução era irmos até Porto Alegre, e dá lá seguirmos para o litoral. Confesso que pensei em desistir.
Como era fim de ano e a procura por passagens era intensa, tivemos que nos submeter aos horários para os quais ainda havia passagens. Acabei comentando, no trabalho, que teríamos que ficar em Porto Alegre esperando o ônibus para a praia das 5h até às 14h... mas comprei as passagens até a capital e fiz as reservas para o litoral mesmo assim. Confesso que pensei em desistir.
Aí, passamos o dia nos organizando com bagagens, lanches, remédios, protetores solares e todos os apetrchos que uma viagem desse porte, com duas crianças exige. Tudo pronto. Confesso que pensei em desistir.
Carona para a rodoviária combinada, se aproximava a hora da dita viagem, desci com malas, mochilas, sacolas, crianças... chegamos intactos até a calçada. Subi para chavear a porta do apartamento. A chave partiu como manteiga morna, antes da primeira volta. Como poderíamos viajar e deixar o apartamento aberto? Confesso que pensei em desistir.
Mas fui em busca de um chaveiro – o único da cidadezinha -, às 22 horas e a pé. Ele terminou de jantar e, lentamente, se dirigiu até meu apartamento, resolvendo, em segundos, o problema.

Agora vai
Embarcamos, finalmente, meio desconfiados, no ônibus que nos levaria às nossas, tão sonhadas, férias de verão. Exausto que estava, nem percebi a filha que enjoava ou a que queria ir ao banheiro, ou aquela que tinha fome, ou sede. Apaguei. Quando dei por mim, o veículo já manobrava para entrarmos na rodoviária de Porto Alegre. Meio zonzo, tratei de organizar a descida.

A chegada
Ao descermos do ônibus, minha filha mais velha, se abraçou em mim, encabulada: “O que é aquilo, pai?” – apontando para fora. Pude avistar uma senhora, de roupão, empunhando uma cartolina onde lia-se, em vermelho: FAMÍLIA DO FRANCO. Também estranhei, mas me dirigi à desconhecida. “Quem é a senhora?!!!!!”, perguntei, cheio de exclamações.
“Minha filha é tua colega, lá em Nonoai... ela disse que tu iria chegar essa hora, com tua família, e que ficarias aqui até de tarde. Preparei café e cama para vocês. Depois, na hora de irem pra praia, trago vocês de volta”, disse a senhora.
Constrangidos, ante tanto desprendimento, embarcamos no Uno azul e rumamos para a Cidade Baixa.

A cereja do bolo
Entrando na casa, achamos tudo muito estranho, uma verdadeira bagunça. Mas, seguimos em frente. Chegando na cozinha, para o café que ela preparara com tanto carinho, nos deparamos com uma cena de guerra. Realmente parecia que um terremoto tinha acontecido ali. Nisso, nossa anfitriã nos vem, aos gritos: “assaltaram minha casa!”. Bandidos se aproveitaram desses minutos em que ela estava fora, por nós, para invadir a residência e fazer aquela bagunça.

Muita coisa ainda rolou nessa viagem... conto na próxima.

LEIA A CONTINUAÇÃO: O Resto da Viagem de Ida - por Franco Vasconcellos

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

Aliviemos nossos fardos - por Franco Vasconcellos

Passei um tempão sem escrever aqui. Tanta correria e atropelos me impediam. Creio que esses meses sabáticos serviram para colocar algumas ideias em ordem e entender algumas coisas.

Adando aqui pela Baronesa do Gravataí, numa manhã de calor, ali perto da José do Patrocínio, avistei um casal desses que recolhem papelão e, da reciclagem tiram seu sustento. Eu, com a cabeça cheia das preocupações cotidianas às quais nos damos ao luxo de conservar e, eles, virando lixo, felizes. Era nítida a alegria, que confirmei quando, ao abrir a tampa de um container o moço, após um grito de exclamação disse: “Olha só, neguinha! Quanto papelão!”. Me envergonhei de mim.

Estamos tão habituados a ouvir o quanto a crise nos tem prejudicado, e no quanto as coisas estão complicadas, que acreditamos que o pior bate à porta. E já o vivemos, por antecipação. A simplicidade da alegria daquele casal, me lembrou que não preciso viver buscando um motivo para a felicidade. Viver é o motivo.

Drummond defendia que “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.”. Passei, recentemente, a concordar com o sábio poeta. Com o raiar do dia, sei que os problemas, antes de mim, já se levantam. Mas também sei que a força que me deu o dia de hoje, dará o de amanhã.

Haverá o dia em que aprenderemos a celebrar, mesmo o lixo. Iniciemos celebrando as pequenas bênçãos cotidianas. Valorizemos aquilo que tem valor de verdade. Aliviemos nossos fardos.

Franco Vasconcellos e Souza, gaúcho de Erechim, escreve sobre o cotidiano e aceita sugestões dos leitores

Sonhos - por Heidi Lauterbach

Tenho três. Os que já foram realizados, não contam mais como sonhos – ter filhos, construir casa, escrever o que penso. Deve ser muito triste viver sem sonho nenhum, não sofro desta falha, pois dois sonhos antigos continuam comigo há muito tempo e o terceiro é reativado cada vez que preciso de cominho para fazer meu pão.

O primeiro é a viagem com o trem transiberiano até Vladiwostok e voltar até Lhasa com o “Trem das Nuvens”. Este sonho é fácil de realizar, é uma mera questão financeira. Enquanto não ganho na loteria, vou sonhando.

O segundo: quero rodar a Estrada Pan-americana desde Ushuaia até o Alaska. Isto já é mais complicado, porque requer tempo (o que eu até teria), dinheiro (vide acima), e depende de encontrar uma pessoa igualmente maluca, para não ir sozinha. Esta companhia de aventura também deverá ter força física suficiente para eventualmente trocar um pneu, assunto passado para mim. Não consigo mais soltar um parafuso de roda nem sentando em cima daquela barra de ferro que serve de alavanca.

Para a realização do terceiro sonho, eu teria que ser reinventada, ou seja, seria preciso me equipar com um estomago de avestruz. Avestruz – porque este bicho consegue comer e digerir, sem perigo de um colapso, absolutamente tudo, desde relógios de pulso, meias de lã, chaves de carro, até, claro, a comida natural a ele. Duvidem? Pois um amigo nosso mantinha, em sua fazendinha perto de Paraty-RJ, um grupo de avestruzes. Ao tomar banho na cachoeira da propriedade, deixando nossos pertences na margem, um deles altivamente engoliu uma meia que tirou do meu tênis, atraído, talvez, pela cor vermelha da mesma, e, para arrematar, o relógio de pulso do meu marido. A meia, não fizemos questão de ter de volta, mas foi necessário uma operação de detetive para reaver o relógio. Nosso amigo conseguiu, dois dias depois.....

Meu sonho? Ser esquecida, num sábado à noite até a manhã da segunda feira seguinte, dentro da loja “Banca do Rudão”. Com a luz acesa. 36 horas são 2160 minutos – será que tem mais que 2160 artigos para conhecer lá dentro? Talvez. Aquilo é um verdadeiro paraíso para qualquer gourmet, gourmand, comilão, cozinheiro, enfim qualquer um interessado em comida. Há nozes, macadâmias, castanhas do Pará e de caju, avelãs, amêndoas. Tem frutas cristalizadas, desidratadas e em calda. Azeites do mundo inteiro (já existem produtores de azeite de oliva em algum lugar de Minas Gerais – será que ainda não chegou aqui no Rio Grande do Sul? Seria interessante conhecer o sabor d’um azeite brasileiro!), vinagres de todas as matérias primas – vinho tinto e branco, maçã e outras frutas, envelhecidos em barris de carvalho - pimentas de várias cores e tamanhos, inteiras ou moídas, que deixam o livro “Pimenta”, do dr. Marcio Bontempo, empalidecer de vergonha, biscoitos, chocolates, temperos – ah, os temperos!! Em grão, em pó, misturas de ervas, em forma de folhinhas miúdas, em pedaços e favas... Tem cogumelos, desidratados e em conserva, molhos prontos para carne, para saladas, para frutos do mar. E os queijos, os salames, os presuntos. Tomates secos, concentrados, pelados, em molho. Farinhas exóticas em grão e moídas, café idem, chás de tudo que se possa imaginar, geleias - ufa!

Como é bom sonhar!

Heidi Lauterbach, é tradutora e tem como hobby cozinhar, artesanato, animais, leitura e família.

Lembrança de campo - por Will Nath

A estepe verde de pequenas coxilhas, formando suaves elevações, contrastava o azul do céu. Salpicadas sobre o pasto, árvores se uniam em pequenas ilhas nativas. Frutas mesclavam sabor à mistura. Guabijú, uvaia, guabiroba. Pitangueira. Léguas e léguas separavam montanhas harmoniosamente. Caminhava.

O suor escorria pelo nariz vermelho. O sol forte esquentava. A temperatura era boa, calor na medida. De montanha a montanha, seguia demarcando a caminhada. Demarcava com a paisagem, a levava na lembrança.

Quadro a quadro, cada dia uma lembrança era adicionada. Com o passar das noites, a memória pregou uma de suas peças favoritas, tirou a data de cada paisagem. Por semelhança, se mesclavam. O número de montanhas, de paisagens, de lembranças já era incerto. Suas formas também. Os desenhos eram a cada dia modificados. Ora uma só imagem. Ora várias. Mas sempre, sempre distintas. Se confundiam no reflexo contorcido da mente.

Quanto mais as semelhanças se mesclavam a uma única imagem, mais era possível prestar atenção nos verdadeiros detalhes de cada dia. O todo continuava sendo sempre o mesmo, porém agora, o que buscava ver e reconhecer, eram as singularidades de cada dia.

O que importava eram os detalhes. Não mais o todo, mas o peculiar. O aprofundar-se. Ir pra dentro. Aquilo que era sempre o mesmo, já o sabia. Buscava o novo, o diferente, o interessante. O desabitado, inóspito. Buscava o ermo das coisas. O âmago do que pode ser.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

Arranha céu - por Will Nath

Caminhando pela cidade, contabilizo os inúmeros prédios que vão ganhando forma. Construções gigantescas. Blocos cinzas de cimento com longas hastes de aço nuas que se erguem em direção ao céu. Levarão tempo para ser concluídos.

Homens trabalham, dia após dia, levantando parede a parede um colosso que supera os vinte andares. Como poderia obra tão imensa ser concebida sem planejamento, trabalho diário e dedicação?
Planejar e construir, quase um slogan de vida. Afinal, de quantas conquistas abrimos mão ao longo do tempo por falta de paciência e dedicação? Tamanhas obras embargadas em nossas vidas. Ora por falta de orçamento. Ora pela dedicação diária que tanto se esvai. Ora pelo planejamento equivocado. Ora pelos infortúnios que somos desafiados dia a dia.

Em um mundo líquido e instantâneo, tal qual conhecemos, perdemos qualquer viés disciplinatório que antes fora comum às gerações. A instantaneidade que permeia o mundo a nossa volta nos cobra o prazer imediato. É necessário saciar qualquer vontade agora - se não for para ser agora, pois que não seja. Independentemente do que. Independentemente pelo que.

Planejar não significa abdicar do agora ou mesmo da chamada liberdade. Planejamento pressupõe saber o que se quer. Pressupõe saber como a construção será quando finalizada. Um mapa é a melhor ferramenta para chegarmos a algum lugar. Uma planta é a melhor ferramenta para construirmos aquilo de grandioso e duradouro que queremos para nossas vidas.

Rabisque, calcule, esboce. Coloque as ideias no papel. Trace um plano para alcançar aquilo que deseja. A motivação, por vezes, está em saber qual momento de nossas próprias construções nos encontramos.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

De uns tempos pra cá, mudei. Foi a melhor coisa que fiz - por Ester Chaves

De uns tempos pra cá, mudei. Comecei a dar a importância que as coisas têm e parei de sofrer por bobagens. Se antes, ponderava muito antes de sair das relações e ficava como porteiro desequilibrado tentando controlar o fluxo e as despedidas, hoje ajudo a fazer as malas e fecho a porta sem arrependimento.

Não, não me tornei uma pedreira. Não sou insensível. O meu coração continua bobo por sutilezas, tem predileção por exageros bonitos, bate na frequência mais forte, e às vezes, fica descompassado e louco quando se depara com alguma beleza extravagante. O que acontece é que não faz sentido colocar intensidade nas coisas que não vibram. Despejar amor em corações baldios e improdutivos. Se dedicar a quem não sabe o que é ter alguém que se preocupa com a qualidade do seu dia e que espera ansiosamente pelo carinho do seu abraço. Alguém que cuida e se doa nos mínimos detalhes só pra ver a dança da felicidade se exibindo no seu rosto.

Toda mudança requer um olhar demorado sobre as coisas, e ainda me pego pensando nos penduricalhos inúteis que guardei ao longo dos anos; amizades de ocasião, que duraram apenas o quanto pude dar a elas a minha melhor versão. Pseudoamores que despejaram uma carga de insegurança na minha vida e me fizeram duvidar de que o pré-requisito pra ter o amor genuíno é cultivar o próprio. A vida virou uma extensa passarela, onde vi tudo se exibir com pressa e se desmanchar, sem nenhum entusiasmo, sem nenhuma verdade, sem compromisso algum com a reciprocidade. Pessoas que chegaram, interpretaram suas cenas com calculada frieza e desapareceram.

Hoje cuido dos meus afetos com demorada alegria. Sem deixar os meus desejos pra depois. Sem estocar os sentimentos porque coração intenso é órgão que vive exposto. Mas, compreendi que é preciso domesticar os ímpetos e fazer triagem do que fica, de quem fica nestas terras sagradas, neste coração que não precisa sofrer quedas desnecessárias pra descobrir o quanto é importante. Hoje, sei me despedir sem achar que é o fim do mundo, sem imaginar que viver sem uma pessoa vai comprometer a minha vida inteira. Hoje, compreendo que quem não fica é porque não quer. Aprendi que a primeira cláusula de um sentimento verdadeiro se chama “liberdade”.

De uns tempos pra cá, mudei. Foi a melhor coisa que fiz.

Ester Chaves, escritora Brasiliense, graduada em Letras e estudante de Gestão e Produção Cultural.

Dicionário informal - por Cássio Schaefer

Simples amigo...
Existira amor nessa cidade?
A que ponto deixamos o amor acabar, ou a temida paixão 
Hoje, falar de amor é algo banal, fora de moda
Muitos tem medo de tal assunto, a ponto de ridiculizar seus sentimentos 
Talvez pelo comércio feito no fino assunto
Por favor: Não jogue lixo na lixeira, obrigado.
Não confunda amor com droga, confunda com alcoolismo 
Em minha opinião amor é alcoólico, dividir o mesmo espaço de tempo com outra pessoa sugere alcoolismo
Pólvora, a chama, tempos de verão
“Eu sempre dizia pro meu amor..."
Mau posso esperar até chegar o Inverno
Acho que sou o contrario do amor
Existe essa palavra em sua cidade, em seu trabalho ?
Em mesas de bar, ou em salas de espera ?
Pontos de ônibus e banheiros químicos ?
Tenha medo do amor, esteja preparado 
Não pense muito, não faça do amor  um assunto racional
Alguns nem sabem amar, outros deixam passar 
Outros nunca pararam de buscar o amor
A sabedoria pode impedir seu amor
O alcoolismo pode aproximar seu problemático amor  
As cartas, as frases, a arte nunca reconhecida pelo seu amor
Hoje sinto vergonha de sentir amor por alguém que só conhece a paixão.

Cássio Schaefer
Canela/ RS

A beleza do amor reside na ausência de fórmulas - por Ryano Mack

O mundo moderno é repleto de discursos que estimulam a maioria das pessoas a serem mais egoístas e individualistas nas relações, é fácil se deparar com manifestações de total indiferença aos sentimentos alheios, como se sentir intensamente algo por alguém fosse um ato de fraqueza. Frases vaidosas voltadas a si, se perpetuam entre as discussões sobre relacionamentos, há inclusive, aqueles que vestem armaduras e carregam o orgulho como troféu, tão pesados de “amor próprio” que já não podem mergulhar em uma relação para não se afogar.

Aquele papo de não se entregar ao amor porque no passado alguém te machucou, nada mais é, do que condenar o presente e um possível sentimento, é dizer ao passado e ao seu (sua) algoz, que eles triunfaram sobre você e te fizeram um refém, que afasta qualquer pessoa que possa proporcionar algo bonito e sincero. Seria mais interessante e legítimo, se buscássemos deixar aflorar sentimentos e não cálculos. Porque a preocupação com o que pode fazer mal ou causar dor? O mundo por si só já é assim, a dor passa, nos deixa mais maduros e fortes, pode até virar canção, cicatriz é para os bravos e corajosos, ainda que doa, é algo que se sente, terrível mesmo deve ser não sentir nada. E se no fim das contas der mal me quer procure outra flor, o que não faltam são jardins floridos.

Não deveríamos partir de essencialismos ao discutir relações, ou seja, não devemos agir com fórmulas prontas e que sirvam para todos. Se todos somos diferentes é impossível que algum método possa valer para a vastidão de situações que possam existir, cada um ama a seu modo, é difícil ser sincero consigo mesmo quando se tem que caber em um número aceitável de atitudes de retribuição para agradar o outro, tudo que é feito sem a vontade genuína se torna obrigação.

O Amor não necessariamente deve durar, aliás nem se deveria mensurar tempo e qualidade, quantos relacionamentos não passam de um mês (Romeu e Julieta durou 5 dias) e mesmo assim são mais intensos do que namoros de 2, 3 anos, que por vezes, se detêm ao tédio, cobranças, competições de poder e talvez, até a falta de adultério seja reflexo dos desejos reprimidos em um cemitério de pulsões e prazeres condenados por quem segue fórmulas na acomodação e acaba por negar a intensidade. O único erro é não amar, pois no amor não se erra ou acerta, apenas se vive.

É nosso direito se perder e quem sabe até se encontrar em alguém, é nossa a grandeza de saber que o coração é tão valioso que podemos oferecê-lo sem pedir nada em troca. Correndo todos os riscos possíveis, menos o de aprisionar um coração ao ponto de torná-lo duro e vazio.

É fácil encontrar diversos textos sobre essa temática tão complexa e reflexiva, se debate muito sobre amor, e isso já é indicio que pouco se sabe em relação ao assunto, e que bom que não sabemos o suficiente, o amor é uma flecha cheia de incertezas, afinal, quem carrega certezas é a matemática, por isso um sentimento tão vasto deve ser sentido e não representado em passos calculados estrategicamente. Pouco sei sobre amar, e espero continuar assim, nesse abismo gigantesco que é o amor, quem não se sente confuso não é alguém com quem se possa aprender muito. 

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

Palavras - por Will Nath

É inevitável. Quando vem lá do fundo, com intensidade, com garra, atroz, atropelando tudo, quando damos por conta, já cuspimos. As palavras, jogadas pra fora em forma de avalanche, giram feito bolas de neve ladeira abaixo, destruindo o que vier pela frente. Sequer o mais concreto sobrevive. Para trás, somente um rastro de destruição. As sobras ficam por conta do desconhecido. O que jaz são restos, pedaços, partes irreconhecíveis de vínculos, de pessoas, de amores e desamores.

Afinal, de onde sai esta força repentina capaz de destruir tudo o que construímos ao longo de anos, décadas? Como destruímos paredes gigantes construídas tijolo a tijolo, em apenas minutos, ou mesmo segundos? Palavras. Palavras... Seu poder é estratosférico. Sonoras, carregam em si o alicerce da comunicação. A partir delas, transfiguramos aquilo que sentimos. São a ponte do nosso interior ao interior do outro. E da mesma forma, são também a ruína de qualquer ligação.

Falamos demais, buscando ser ouvidos. Atrolhamos as frases com palavras e palavras, na tentiva falha de sermos mais claros. Solicitamos atenção. Pecamos no estar atento. Palavras, por si só, são só palavras. Não nos ofendemos ao lê-las isoladamente. Seu significado não possui peso quando só. Palavras constroem – ou destroem – quando carregadas. Seu poder está no sentimento, na emoção.

A intimidade construída a partir do vínculo, pode ser arruinada se palavras forem proferidas de forma impensada, imatura, movidas puramente por emoção. Se desferirmos palavras sem controle, estamos alimentando sua voracidade. O autocontrole na construção das relações é passo primordial. Saber o momento de falar. Saber o momento de permanecer em silêncio. Sabedoria necessária para tornar qualquer relação duradoura, saudável, construtiva.

Cuspimos o que pensamos de forma agressiva, por mero capricho do ego. Reconhecer que o que importa é a evolução daqueles que queremos bem é abdicar do capricho de estar certo. É deixar de ser dono da verdade para ser dono de si. E sendo dono si, construir, dia a dia, de forma paciente e concreta, o autocontrole necessário para ajudar aqueles que queremos bem. Escolher bem as palavras pode até ser fácil, pois difícil é controlar as emoções para tornar aquilo que é dito algo que o outro reconheça e internalize.

Will Nath
Bem humorado, não dispensa uma boa cerveja e uma roda de amigos. Tem a escrita como forma de meditação. Mochileiro de alma, viaja pelo mundo e pelo pensamento.

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