Kaffeekraenzchen - por Heidi Lauterbach

Kaffeekraenzchen - por Heidi Lauterbach

Palavra difícil, esta. Quem tem mais que 80 anos da nossa colônia germânica, certamente sabe o que significa. Para todos os outros, primeiro a tradução literal: “Guirlanda de Café”, e agora a tradução que descreve o que significa: “Reunião semanal de mulheres em torno de um enorme bule de café com bolo para discutir as relações em família e outros probleminhas.”

O Kraenzchen era uma instituição saudável. Acontecia uma vez por semana, sempre na parte da tarde – quando maridos e filhos estavam no trabalho respectivamente na escola – sendo realizado alternadamente na casa de cada participante, de forma que era bom que o Kraenzchen tivesse muitas “irmãs”. Café com leite, bolo, biscoitos – tudo feito orgulhosamente pela dona da casa - , expostos com a devida louça e talheres numa mesa grande, com toalha bordada e engomada, as participantes sentadas em volta tiravam seus diversos trabalhos das bolsas – tricô, bordado, crochê. E quem não gostava de fazer trabalhos manuais, assumia o papel de servir o café cuidando para nunca deixar uma xícara vazia.



Ainda não existia esta profusão de grupos de terapia, de psicólogos, de yoga, de relaxamento, de psicoterapeutas, grupos de terceira idade com suas diversas atividades. Remédios para respectivamente contra depressão ou insônia não eram necessários. O Kraenzchen era a terapia. Enquanto as agulhas faziam as peças crescer, a conversa tratava de desfazer ou, pelo menos, diminuir os nós que cada uma trazia na alma. Maridos, filhos, noras, genros, mães, sogras, tias, eventuais empregados domésticos, doenças, alegrias, a gravidez inesperada de uma, o desespero de outra cujo marido estava sem emprego, um filho adolescente rebelde além da conta, a felicidade por causa da reforma de uma casa que ficou bonita – tudo era discutido, analisado e dividido entre o grupo. Tinha épocas em que todas as participantes preparavam o enxoval para um novo filho que uma delas estava esperando. Ainda não era possível saber se viria um menino ou uma menina, então o enxoval todo ficava nas cores brancas, amarelas, verdinho.

O Kraenzchen funcionava como uma lata de lixo emocional, e o melhor de tudo, tinha uma tampa que mantinha tudo bem guardado, questão de honra! E na hora de terminar, cada uma voltava para casa mais leve, menos preocupada – enfim, de alma lavada.

Heidi Lauterbach, é tradutora e tem como hobby cozinhar, artesanato, animais, leitura e família.

 

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