No Trânsito - por Heidi Lauterbach

No Trânsito - por Heidi Lauterbach

Campestre do Tigre – às vezes vou lá, passear, acho bonita a região. Lá, no meio do nada, numa parada de ônibus, uma mulher miúda, de sacolas na mão. Paro para ver se quer carona para o centro. Ah, sim, que ótimo! Senta, põe o cinto de segurança e abre uma das sacolas. “Vou deixar algumas laranjas para a Senhora!” E conta: “Quando tenho que ir para a cidade, rezo para Deus me mandar alguma carona, aí não preciso pagar ônibus. E tem dado tão certo que agora sempre levo laranjas, ou couve, ou o que tiver na minha horta, para agradecer. Aí estão laranjas para a Senhora!” Encantadora a fé em Deus e na humanidade que ela tem. E continua contando toda a historia de amor de sua filha com um rapaz de Gramado – por isto ela está morando aqui agora. Ela fica no cruzamento da Borges com Hortensias.

Na cidade, que está cheia de turistas por causa do Festival de Cinema, topo com uma senhora japonesa, magrinha, elegante, cabelos brancos bem penteados, que atravessa na minha frente na faixa de pedestre; não olha nem para esquerda nem para direita e sim, mantém os olhos fixos num tablet azul marinho, filmando o canteiro central da rua. Acompanho com os olhos o caminho meio torto que toma e seguro a respiração quando a criatura chega ao outro lado da rua e quase tropeça no meio-fio da calçada. “Ops”, ela faz e continua...



Em frente à frutaria, no bairro Floresta, estava passando o Papai Noel oficial da nossa cidade, a caminho do seu trabalho na Aldeia do Papai Noel. Estava “à paisana”, mas é facilmente reconhecido pela barba comprida, branca. Uma nuvem preta parecia prestes a esvaziar seu conteúdo por cima de nós e ofereci carona. Há 13 anos é o Papai Noel oficial daqui. Onde mais a não ser aqui, eu poderia encontrar e dar carona ao Papai Noel em plena manhã, num dia no meio do ano? Senti-me muito feliz, como se fosse criança ainda. Mais tarde, já em casa, o vejo passear no carro vermelho na rua, já com roupa oficial, acenando para as pessoas.

Dez e meia da noite de quinta feira da semana do Festival de Cinema. Sentadas numa lanchonete no centro, conhecemos um rapaz que está eufórico por estar em Gramado. Ele veio para ver e sentir um pouco do glamour do festival e não cansa de falar da gentileza das pessoas, da beleza da cidade, e principalmente do milagre das faixas de pedestres – “Todos REALMENTE param, a gente não precisa nem pedir!!” É gratificante ver a alegria e surpresa do jovem – de onde ele vem? Não sei, mas deve ser um lugar bem menos civilizado que nossa cidade. Bingo para nós!

Heidi Lauterbach, é tradutora e tem como hobby cozinhar, artesanato, animais, leitura e família. 

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