Nossas Lendas I (O Gritador) - por Marcelo Oliveira

Nossas Lendas I (O Gritador) - por Marcelo Oliveira

As lendas são histórias que fazem parte de muitas culturas, estão por todos os cantos do planeta. Seus enredos, geralmente com fatos extraordinários, vão de sagas amorosas a fatos tenebrosos. As lendas atravessam gerações de forma oral, é uma mistura de fatos reais e imaginários populares que tentam dar uma explicação a fatos da natureza de uma forma sobrenatural. Mas ela tem uma importância para cada cultura, pois desde tempos antigos é a forma como os sábios, de muitas culturas, mantém viva as suas tradições e história. 

Por causa da transmissão oral das lendas ao longo do tempo, elas se modificam conforme a região onde é contada, por isso muitas lendas parecidas com pequenas diferenças nas mais diversas regiões. Em nosso estado e nossa região serrana também não é diferente, temos muitas versões próprias de lendas universais. Mas temos muitas que são originalmente nossas, e vou trazer aqui algumas delas. Começando pela mais conhecida nos Campos de Cima da Serra: O Gritador.



 

O Gritador

Um jovem morava com sua velha mãe em um casebre a beira de uma mata. Este jovem era conhecido pela maldade que tratava os animais, principalmente seu cavalo. Sua velha mãe também era alvo de sua crueldade. Certo dia o jovem sabendo de um baile se foi rápido para casa a fim de se preparar para a festa. Chegando deixou o animal preso no galpão, sem que pudesse comer ou beber água. 

O cavalo ficou durante horas desse jeito até a noite começar a cair. A mãe do jovem vendo o animal naquela situação e perante a demora de seu filho acreditou que ele não fosse mais sair e desencilhando o animal e o soltou. O cavalo como um raio desapareceu troteando campo a fora. O jovem vendo que seu cavalo havia fugido pela noite ficou furioso, e ao saber que sua mãe o tinha soltou, gritou: 

- Velha desgraçada!! Soltou meu animal, tu vai me levar no baile agora!!

O filho arrastou a mãe para o galpão e com ela de joelhos jogou as encilhas e as apertou, puxou o freio das rédeas em sua boca e subindo em suas costas batia com as esporas, onde berrava: 

-Vamos velha!

A pobre mulher gritava de dor e implorava para que parasse, mas nem isso o convencia a desistir de tal maldade. A mãe do rapaz logo caiu exaurida e agonizando. Em seus últimos momentos ela reuniu toda a força que ainda lhe restava e lançou uma praga:

- Não vou te levar aonde quer, estou morrendo e tu não vai entrar no céu! Quando morrer tua alma vai ficar pra sempre na solidão no mato e gritará de dores como me fez gritar!! – após falar ela morreu.

O jovem vendo o que tinha feito saiu correndo desesperado na escuridão mato adentro e nunca mais foi visto. Contam às pessoas que desde então se escutam gritos de um homem nas matas a noite como sentisse uma dor muito forte, os gritos ecoam vindos dos grotões e quem se atreve a responder escuta os gritos vindos e sua direção. Este seria o gritador, que em sua solidão eterna vem buscar aquele que responde para ir com ele.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

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