Dança, uma história em cinco minutos - por Thiago Alves de Souza

Dança, uma história em cinco minutos - por Thiago Alves de Souza

“Dance primeiro, pense depois. É a ordem natural.” - Samuel Beckett (Escritor irlandês)

A dança simplesmente existe. Ela não pode ser considerada uma criação humana. Ela compõe com a linguagem corporal uma espécie de "linguagem natural" dos seres vivos. Esses movimentos, para o acasalamento de pássaros ou a briga de búfalos, são orgânicos. O ser humano deu a dança o que de mais próprio nos torna humanos: o símbolo. Dançar passou a ser uma forma de comunicação com o religioso, independente das religiões. Todas possuem certo ritual de linguagem corporal. Dançar era literalmente transcender a realidade, encontrar com o divino e tornar-se canal para sua manifestação. Religiões africanas, afro-brasileiras, indígenas e judaico-cristãs mantém sua linguagem corporal e seus rituais próprios para conectarem-se com Deus.

Os registros mais antigos encontrados da dança remetem ao Egito (5000 a.C.) e a Índia (2000 a.C.). No berço da civilização ocidental, Grécia, ao lado do teatro e da música, ela ganhou o status de arte cênica.

Russos, chineses, Taitianos ou índios Tupi-Guarani, não importa. Todos possuem suas danças. Dançam para a guerra, para a colheita, para a semeadura, dançam nas fases da lua e na mudança de ano. A conexão com os ciclos da vida faz da dança uma das maiores celebrações da existência. Dançam em grupo, sozinhos e em pares.

Essa é uma questão mais delicada para as sociedades humanas. A dança mantém até hoje o seu caráter de corte e remete, no Ocidente, à Idade Média, aonde o casamento era uma questão da mais alta importância para a sobrevivência dos reinos e manutenção da religião católica. Ela era admitida como uma forma de interação social de prestígio, da aristocracia, enquanto, o populacho possuía sua própria dança folclórica. Esse convívio entre homens e mulheres da alta classe política possuía ao mesmo tempo um viés matrimonial, fundamental para manter a coesão do reino e da religião que o comandava. Dessa rigorosidade religiosa surgiu uma das danças de maior beleza estética e que se mantem viva ainda hoje, a valsa vienense. Da valsa à polca, dança mais popular (Rose e Jack a dançaram no porão do navio com os imigrantes em Titanic), surgiram uma vasta gama de outros estilos. Deve-se essa explosão de criatividade ao espírito indômito de vira-viras e flamencos ao colonizarem o que hoje constitui a América Latina, com gigantesca contribuição cultural de escravos africanos.

O Brasil, no que se refere a sua história particular nessa arte, possui duas vertentes. A primeira, nobre e documentada, relata a vinda da Corte Portuguesa ao Brasil com professores de etiqueta e dança social no séc. XIX. A Gazeta do Rio de Janeiro publicou o primeiro anúncio de aulas de dança, em 13 de julho de 1811. A segunda vertente, mais marginal e sem registros oficiais, inclui o desenvolvimento do Maxixe (precursor do Samba), do Forró, do Chorinho e do Vanerão, entre outros ritmos vindos da América Espanhola que chegaram aqui por intercâmbio cultural, como o Bolero.

A dança, longe de todos os delírios interpretativos, promove uma felicidade interna inexplicável. O homem passa a dominar o seu corpo e a se relacionar com o mundo de uma forma inédita. Ela liberta dentro de cada um a energia e as emoções mais escondidas. É o remédio contra os males do coração e não possui contra indicação, uma verdadeira oração.

Prof. de dança Thiago Alves de Souza

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