Nossas Lendas II (A Lenda da Erva Mate) - por Marcelo Oliveira

Nossas Lendas II (A Lenda da Erva Mate) - por Marcelo Oliveira

O tempo dos recursos e caças fartas findou sobre o torrão de terra que por anos alimentara e dera abrigo a grande tribo Guarani. Iniciava-se o tempo de uma nova jornada nômade em busca de alimento. O povo recolheu tudo que podia e antes do sol nascer se foram. Mas um velho índio dormiu enrolado em seus couros e ao acordar todos haviam partido. Sendo ele muito ancião a tribo o deixou para que não fosse mais um peso na longa viagem. Ao levantar-se precisou agarrar-se aos galhos que conseguia alcançar para levantar, seguindo só e sem rumo pela floresta. Durante sua caminhada desnorteada ele sentiu uma presença doce que chegava a suas costas, ele se virou e viu Yari, a filha mais nova, estava a observa-lo e então seu espirito encheu-se de felicidade. Ela não teve coragem de deixar seu velho pai para que morresse. 

Em uma tarde de inverno o velho índio estava distraído colhendo frutas na floresta quando percebeu as folhas balançarem e ficou assustado acreditando ser uma onça que o espreitava, mas para sua admiração o que surgiu foi um homem de pele branca e olhos cor de céu e com roupas coloridas estranhas ao velho índio. Ele lhe disse que viajava há dias e estava cansando e com fome, só pedia algo pra comer e um lugar para descansar. Mesmo com pouca comida o velho índio o convidou para sua cabana onde poderia comer e descansar. Chegando o índio apresentou sua filha Yari, que logo se pôs a fazer o fogo e preparar algo para que o viajante tivesse como se alimentar. Após comer com se nunca tivesse se alimentado o pai e a filha o deixaram em sua cabana para que dormisse e foram repousar em outra abandona.



Na manhã seguinte o velho índio se deparou com a cabana vazia e acreditou que o homem tivesse se ido, mas no mesmo instante ele saiu da mata com muita caça de diferentes espécies e entregou a eles que não acreditavam em tanta fartura. O homem então disse que esta era uma retribuição a tanta bondade que encontrara entre eles. E disse mais, que Tupã o enviara para auxiliá-los e perante o coração bom deles mereciam mais um pedido. O velho índio emocionado disse que a única coisa que poderia pedir era que tivesse um companheiro que o acompanhasse no fim de sua vida para que pudesse liberar sua filha jovem e bela para voltar a sua tribo, mas Yari rejeitou a ideia, e mesmo que o pedido de seu pai fosse aceito ela jurava que não o deixaria ficando sempre ao lado dele. O enviado de Tupã vendo tanto amor e desprendimento levou a moça até uma erva e lhe disse: “Esta é a Erva Mate, dela fará uma infusão com água quente sorvendo sua bebida o seu velho pai terá a força e a disposição de um jovem para caçar novamente”. E continuou: “Tu serás conhecida de hoje em diante por Caá-Yari, deusa protetora dos ervais e sendo responsável multiplica-la”

Daquele dia em diante se um índio estava perdido na floresta e sem esperança Caá-Yari aparecia diante dele e lhe ensinava qual era a Erva Mate e que este bebesse teria suas energias revigoradas desde que compartilhasse dela com todos aqueles seus em sinal de paz e união. A fama da Erva Mate se espalhou chegando a várias tribos até então chegar aos homens brancos. E até hoje é forma de união entre as pessoas e símbolo do amor incondicional de Caá-Yari e seu pai que foi abençoado por Tupã.

(Adaptado da lenda da Erva Mate, versão Guarani) 

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

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