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Dias Estranhos - por Marcelo Oliveira stars

Todo o poder emana do povo [...]

Constituição Brasileira de 1988

Foto de capa: Ilustração de Mikel Casal para o livro “A ditadura é assim”, lançado pelo selo infantil Boitatá

Vivemos dias estranhos, onde uma necessidade se identificar como uma nação toma conta do país em meio a conflitos sociais. Os caminhoneiros se levantaram contra o governo que não ouve seus apelos por melhores condições de trabalho. Do outro lado o governo acusa os grandes empresários de locaute, quando grandes empresários se unem paralisando serviços para pressionar o governo. O mais certo é que as duas situações devam ter ocorrido, já que os caminhoneiros autônomos, os mais prejudicados, certamente estavam na frente pela redução do combustível; mas, claro que os empresários não iam perder a oportunidade de pressionar o governo. Quem começou na verdade nem importa, porque a verdade é que tanto trabalhadores autônomos como empresários não suportam a fome insaciável por tributos e impostos.

Há três anos o país convulsionava pedindo a saída da presidente acusada de crime de responsabilidade, mas isso nunca foi o ponto principal, e sim um subterfugio para retirar o partido que estava marcado por escândalos de corrupção de seus atores políticos. Então, o país começa sua divisão. No país do futebol tudo é rivalidade, tudo é clássico... Enquanto os “jogadores” ricos, famosos e profissionais entram em campo para defender seus times, sempre lembrando que jogadores profissionais não jogam por amor a camiseta e sim pelo melhor “contrato”, enquanto na arquibancada as torcidas se organizam para defender seus times com unhas, dente e sangue se necessário. Tornamo-nos um país de rivalidade, cada um tentando provar que é melhor que outro, que sua logica é racional em meios a um tornado de opiniões e “certezas incertas”.

Começou um jogo de rotular pessoas, grupos e pensamentos. Aquele que pensa em sociedade, defende a biodiversidade ou diversidade e pertence a grupos de minoria é taxado como comunista, muitas vezes sem nem saberem a origem do termo. Se tiver ideias liberais, pertencer a grupos conservadores é fascista?? Os termos fascista e Nazista nunca foram tão usados como nos últimos anos, contudo o que mais chama atenção é a utilização do termo nazista: que hora é rotulado como de esquerda, hora como de direita. É tantos argumentos dos dois lados que deixa qualquer professor de história a beira de um ataque nervoso. Aliás, isso me faz pensar quantos realmente conseguiram entender as aulas de história na escola. As redes sociais estão cheias de entendidos na matéria que faz qualquer historiador pensar porque estudou tanto.

Como estamos vivendo dias estranhos, onde nada parece mais ser tão estranho, em meio a cara de pau de políticos corruptos e que infestam o país como uma nuvem de gafanhotos, se levanta o clamor de muitos pela intervenção militar, que seria a única solução para limpar a política nacional. Aqueles que acreditam nessa ideia a justificam que ao tempo da ditadura o país cresceu e se desenvolveu, não existia alta taxa de criminalidade, e quem era de bem nunca teve problemas com os militares. Algumas considerações são necessárias sobre essa ideia. Na ditadura militar a política do crescimento a todo custo deixou algumas heranças, como: passivos ambientais, crescimento gigantesco da divida externa brasileira, taxas altíssimas de inflação e surgimentos de facções como o comando vermelho.

As pessoas que não sofreram com a ditatura pensam que pelo motivo de serem pessoas corretas, honestas e trabalhadoras não sofriam perseguições, e somente os criminosos, anarquistas, vagabundos e comunistas que mereciam. Mas a verdade que milênios de absolutismo nos mostra que o povo que não é oprimido pelo sistema ou faz parte dele ou não é perigoso a ele. Atitudes como não reclamar da censura e aceitar o que o governo diz, assim como não questionar o que acontece são razões para não ser oprimido, já que se fez isso por livre e espontânea vontade. Outra justificativa é que intervenção militar não é ditatura, a intervenção serviria apenas para derrubar os políticos do poder, como senão tivessem chegados pelo povo que votou neles, e logo feito, o governo deposto e a casa limpa e organizada, as eleições democráticas deveriam ser chamadas. O exercito deve defender o povo.

Tenho visto muitas pessoas declarando sua decepção com relação aos militares estarem cumprindo ordens do presidente ao invés de ser ao contrario: ouvindo a voz da nação e intervindo no governo. As forças armadas existem para defender a nação de qualquer ataque ou perigo que venha externamente a nossas fronteiras, constitucionalmente o exercito é subordinado à autoridade maior do país que é presidente da república e chefe em comando das forças armadas em caso de guerra. Para uma intervenção os generais das três forças armadas devem se rebelar, e não só isso, mas devem esperar que todos os seus subordinados em nível hierárquico o façam também. Outros detalhes sobre a intervenção, onde temos que voltar na história, não só a nossa, mas sim a de toda América Latina, é que as ditaduras só ocorreram por suporte direto dos EUA as forças militares.

Os EUA queriam a todo custo evitar a disseminação em massa do comunismo na América Latina, para que essa não fosse um braço da URSS, em plena Guerra Fria, bem no meio do jardim deles. Como esses países eram grandes fornecedores de matérias primarias e consumidores de seus manufaturados, ver toda essa força econômica cair sobre influência da URSS seria uma tragédia. Sobre a benção do Tio Sam, os governos militares se mantiveram tranquilamente. Talvez exista muita confusão com a intervenção ocorrida no Egito que derrubou o ditador que estava há 30 anos no poder e que deu inicio a Primavera Árabe sobre um contexto totalmente diferente. Hoje os generais certamente não receberiam igual apoio, e teria uma forte reação internacional, o que não seria bom para qualquer governo. Não acredito que os generais embarcariam em tão sombria empreitada, mas como falei, vivemos em dias estranhos.

Os caminhoneiros mostraram sua força, mostraram que podem para o Brasil simplesmente cruzando os braços, no entanto, essa força não é só dos caminhoneiros e sim de todo o povo, de toda a nação brasileira. Somos o caminho pra mudança, mas não adianta ficarmos em discussões vagas entre nossos cidadãos que são trabalhadores, honestos e que movimentam o país enquanto se espera que alguém tome as providências por nós. Como diz o Hino do Rio Grande do Sul: “povo que não tem virtude acaba por ser escravo. Então, tenha virtude na hora de reclamar e protestar, tenha virtude na hora discutir com seu vizinho, tenha virtude quando for chamado à honestidade, tenha virtude em respeitar a todos e principalmente tenha virtude na hora de escolher os nossos representantes para ser não ser escravo de suas próprias escolhas.

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