Marcelo Oliveira

Marcelo Oliveira

Dias Estranhos - por Marcelo Oliveira stars

Todo o poder emana do povo [...]

Constituição Brasileira de 1988

Foto de capa: Ilustração de Mikel Casal para o livro “A ditadura é assim”, lançado pelo selo infantil Boitatá

Vivemos dias estranhos, onde uma necessidade se identificar como uma nação toma conta do país em meio a conflitos sociais. Os caminhoneiros se levantaram contra o governo que não ouve seus apelos por melhores condições de trabalho. Do outro lado o governo acusa os grandes empresários de locaute, quando grandes empresários se unem paralisando serviços para pressionar o governo. O mais certo é que as duas situações devam ter ocorrido, já que os caminhoneiros autônomos, os mais prejudicados, certamente estavam na frente pela redução do combustível; mas, claro que os empresários não iam perder a oportunidade de pressionar o governo. Quem começou na verdade nem importa, porque a verdade é que tanto trabalhadores autônomos como empresários não suportam a fome insaciável por tributos e impostos.

Há três anos o país convulsionava pedindo a saída da presidente acusada de crime de responsabilidade, mas isso nunca foi o ponto principal, e sim um subterfugio para retirar o partido que estava marcado por escândalos de corrupção de seus atores políticos. Então, o país começa sua divisão. No país do futebol tudo é rivalidade, tudo é clássico... Enquanto os “jogadores” ricos, famosos e profissionais entram em campo para defender seus times, sempre lembrando que jogadores profissionais não jogam por amor a camiseta e sim pelo melhor “contrato”, enquanto na arquibancada as torcidas se organizam para defender seus times com unhas, dente e sangue se necessário. Tornamo-nos um país de rivalidade, cada um tentando provar que é melhor que outro, que sua logica é racional em meios a um tornado de opiniões e “certezas incertas”.

Começou um jogo de rotular pessoas, grupos e pensamentos. Aquele que pensa em sociedade, defende a biodiversidade ou diversidade e pertence a grupos de minoria é taxado como comunista, muitas vezes sem nem saberem a origem do termo. Se tiver ideias liberais, pertencer a grupos conservadores é fascista?? Os termos fascista e Nazista nunca foram tão usados como nos últimos anos, contudo o que mais chama atenção é a utilização do termo nazista: que hora é rotulado como de esquerda, hora como de direita. É tantos argumentos dos dois lados que deixa qualquer professor de história a beira de um ataque nervoso. Aliás, isso me faz pensar quantos realmente conseguiram entender as aulas de história na escola. As redes sociais estão cheias de entendidos na matéria que faz qualquer historiador pensar porque estudou tanto.

Como estamos vivendo dias estranhos, onde nada parece mais ser tão estranho, em meio a cara de pau de políticos corruptos e que infestam o país como uma nuvem de gafanhotos, se levanta o clamor de muitos pela intervenção militar, que seria a única solução para limpar a política nacional. Aqueles que acreditam nessa ideia a justificam que ao tempo da ditadura o país cresceu e se desenvolveu, não existia alta taxa de criminalidade, e quem era de bem nunca teve problemas com os militares. Algumas considerações são necessárias sobre essa ideia. Na ditadura militar a política do crescimento a todo custo deixou algumas heranças, como: passivos ambientais, crescimento gigantesco da divida externa brasileira, taxas altíssimas de inflação e surgimentos de facções como o comando vermelho.

As pessoas que não sofreram com a ditatura pensam que pelo motivo de serem pessoas corretas, honestas e trabalhadoras não sofriam perseguições, e somente os criminosos, anarquistas, vagabundos e comunistas que mereciam. Mas a verdade que milênios de absolutismo nos mostra que o povo que não é oprimido pelo sistema ou faz parte dele ou não é perigoso a ele. Atitudes como não reclamar da censura e aceitar o que o governo diz, assim como não questionar o que acontece são razões para não ser oprimido, já que se fez isso por livre e espontânea vontade. Outra justificativa é que intervenção militar não é ditatura, a intervenção serviria apenas para derrubar os políticos do poder, como senão tivessem chegados pelo povo que votou neles, e logo feito, o governo deposto e a casa limpa e organizada, as eleições democráticas deveriam ser chamadas. O exercito deve defender o povo.

Tenho visto muitas pessoas declarando sua decepção com relação aos militares estarem cumprindo ordens do presidente ao invés de ser ao contrario: ouvindo a voz da nação e intervindo no governo. As forças armadas existem para defender a nação de qualquer ataque ou perigo que venha externamente a nossas fronteiras, constitucionalmente o exercito é subordinado à autoridade maior do país que é presidente da república e chefe em comando das forças armadas em caso de guerra. Para uma intervenção os generais das três forças armadas devem se rebelar, e não só isso, mas devem esperar que todos os seus subordinados em nível hierárquico o façam também. Outros detalhes sobre a intervenção, onde temos que voltar na história, não só a nossa, mas sim a de toda América Latina, é que as ditaduras só ocorreram por suporte direto dos EUA as forças militares.

Os EUA queriam a todo custo evitar a disseminação em massa do comunismo na América Latina, para que essa não fosse um braço da URSS, em plena Guerra Fria, bem no meio do jardim deles. Como esses países eram grandes fornecedores de matérias primarias e consumidores de seus manufaturados, ver toda essa força econômica cair sobre influência da URSS seria uma tragédia. Sobre a benção do Tio Sam, os governos militares se mantiveram tranquilamente. Talvez exista muita confusão com a intervenção ocorrida no Egito que derrubou o ditador que estava há 30 anos no poder e que deu inicio a Primavera Árabe sobre um contexto totalmente diferente. Hoje os generais certamente não receberiam igual apoio, e teria uma forte reação internacional, o que não seria bom para qualquer governo. Não acredito que os generais embarcariam em tão sombria empreitada, mas como falei, vivemos em dias estranhos.

Os caminhoneiros mostraram sua força, mostraram que podem para o Brasil simplesmente cruzando os braços, no entanto, essa força não é só dos caminhoneiros e sim de todo o povo, de toda a nação brasileira. Somos o caminho pra mudança, mas não adianta ficarmos em discussões vagas entre nossos cidadãos que são trabalhadores, honestos e que movimentam o país enquanto se espera que alguém tome as providências por nós. Como diz o Hino do Rio Grande do Sul: “povo que não tem virtude acaba por ser escravo. Então, tenha virtude na hora de reclamar e protestar, tenha virtude na hora discutir com seu vizinho, tenha virtude quando for chamado à honestidade, tenha virtude em respeitar a todos e principalmente tenha virtude na hora de escolher os nossos representantes para ser não ser escravo de suas próprias escolhas.

Qual a melhor Coisa do Mundo? Por Marcelo Oliveira stars

“Acho que homens precisam ouvir que ter um filho é a maior dádiva que a vida pode nos dar. Desperdiçar isso é jogar fora uma oportunidade maravilhosa”. Marcos Piangers

Sabe qual o melhor choro? É o choro da vida quando nascemos. Qual é a melhor imagem da vida? Aquela quando seu filho abre os olhos pela primeira vez e fita profundamente nos seus olhos por eternos cinco segundos. Qual o melhor sono? Aquele onde se dorme três horas depois de uma noite inteira de fraldas, mamadeiras, fazer arrotar, embalar os sonhos de quem ainda tem a pureza e leveza de uma alma livre dos problemas desse mundo sem direção. Sabe qual o melhor peso? Aquele de segurar uma vida tão frágil sobre seu peito que dorme sob o calor de um coração eternizado. Qual a maior preocupação? De saber que os filhos vão crescer e vão te deixar noites e mais noites sem dormir, que vão questionar e serem seres livres e sem direção ao vento do destino. Quais os dias mais tristes? Os dias que eles vão chorar e não podemos fazer nada a não ser dar o amor que nasceu lá atrás ainda no útero da mãe. O melhor amor? Aquele incondicional que você sente queimar na alma e que nunca mudará, pois o que une um ser ao outro é maior, é transcendental em sua essência. Pois nem a pior das dores ou mais trágica situação vai mudar esses sentimento. Qual a melhor coisa do mundo? Se não é ser pai, não sei mais o que pode ser. E quando se é em dose dupla pode se dizer que tudo de bom que existe foi multiplicado por dois.

 

Terminou 2017 e o Respeito - por Marcelo Oliveira stars

“O que eu espero senhores, é que depois de um razoável período de discussão, todo mundo concorde comigo.”

— SIR WINSTON CHURCHILL —

O ano de 2017 realmente foi um ano intenso, aonde vimos às diferenças de opiniões cada vez mais se distanciarem, o diálogo se converter em agressões pessoais, as militância se tornarem terrorismo. Por falar em terrorismo, este esteve presente no mundo da mesma forma que se tornou comum nos últimos anos, mas este não é mais protagonista e sim um coadjuvante com os terrorismos particulares, internos da nossa sociedade global. 

Os EUA que sempre foram à referência para o mundo em suas atitudes, sejam elas boas ou não, pois sempre vai depender do ponto vista deles e de seus aliados, trocou seu primeiro presidente negro que foi um exemplo para o mundo com uma política internacional agregadora e não violenta, criando políticas sociais e fazendo da grande potência consumista um lugar com leis e metas ambientais, este substituído por um conservador, multimilionário, capitalista, xenófobo, armamentista e sem um pingo de diplomacia ou elegância de seu antecessor. 

O que ocorreu nos EUA foi mais um elo do corrente mundial de extrema direita que varreu muitos locais do mundo. Contudo mais irresponsável por colocar nas mãos de uma pessoa com atitudes tão descentradas o botão do maior arsenal atômico do mundo. E agora só nos resta torcer que ele e outro megalomaníaco da Coreia do Norte destruam e matem meio planeta à custa de seus caprichos.  Pois milhares de inocentes podem pagar pelas atitudes de um líder despreparado para o tamanho de seu cargo.

Aqui nas terras tupiniquim não ficou longe dessa onda mundial. Nosso país mergulhado em seus problemas internos parece ter perdido o rumo como nunca antes. Após ebulição política que mudou os rumos do país, e para pior, as diferenças se distanciaram, os conflitos se tornaram uma rotina embalados pelas redes sociais, onde todos podem dar sua opinião, mas não democraticamente, pois a defesa de ideias na internet passa longe do bom senso e principalmente do RESPEITO ao aos que tem opiniões diferentes. 

Os conflitos são inúmeros, vão desde divergências políticas, sociais, religiosas, raciais, étnicas até esportivas. Tudo virou palco para ofensas, confrontos e defesas apaixonadas de seus pontos de vistas. O que é mais controverso é que parece que todos sabem as soluções, mas na prática nada acontece. Os políticos deitam e rolam conforme seus interesses, sem nenhuma vergonha na cara, pois não importa se eles roubaram, se eles metem, se eles destroem leis e instituições, o que importa é que eles não são do outro lado. Tudo isso levou os brasileiros a ser o 2º país a não ter noção de sua própria realidade em 2017 segundo pesquisa realizada pelo Instituto inglês Ipsos Mori. Está realidade se ramifico por estados, municípios, bairros... 

Muitas coisas podiam ser ditas sobre o ano de 2017, mas a síntese é essa: a intolerância e falta de noção são a síntese desse ano no mundo e no Brasil. Normalmente quando um novo ano começa reforçamos nossas esperanças de dias melhores, que próximo ano será melhor que último, que tudo o que deu de errado ficou lá no ano passado. Bom, entrar o ano com energias renovadas é fundamental, mas o certo que muito do ano de 2017 estará em 2018 e sem que cada um pare e reflita sobre suas atitudes não avançaremos como um todo. A divergência de opiniões é sadia nós elevamos quando fundamentamos nossas opiniões em bases reais e não revanchismos e achismos. Mas aqui fica o meu maior desejo para 2018, que todos tenham RESPEITO e que essa palavra seja a atitude que nos una novamente.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Os Celtas - por Marcelo Oliveira stars

Muito se fala nos Celtas, mas poucos sabem realmente a origem desse povo, ou melhor, povos. Sim, a civilização Céltica se caracteriza pela língua e cultura material em comum, mas na verdade eles eram formados por várias tribos. Essas tribos tinham suas particularidades e ocupavam toda Europa Ocidental.

O cinema e literatura difundiu pelo mundo a cultura, as tradições, o folclore e lendas e misticismo desses povos, que são muito ricas. O domínio Romano esfacelou muito da cultura dessas tribos e cristianismo também dissolveu boa parte das crenças célticas. Mas suas histórias se mantiveram mesmo como toda aculturação sofrida.

Podem-se destacar algumas tribos que formavam a civilização dos Celtas como: belgas, gauleses, bretões, escotos, batavos, eburões, gálatas, caledônios e trinovantes. A Irlanda é um dos lugares que ainda posse encontrar vestígios da era dos célticos. Lembrando que existem registro que datam no século VI a.C.

Como algumas características, podemos destacar o arranjo social formado entorno de clãs, adoravam muitas divindades que em sua maioria estavam ligadas fortemente a natureza, tinham os druidas que sacerdotes, por muitos classificados como bruxos ou magos que causam até hoje admiração de algumas pessoas.

As lendas e mitos são muito ricos e principalmente sóbrios, o que atrais uma legião de admiradores. Por exemplo, dessa mitologia foram baseadas as lendas dos vampiros e do cavalheiro sem cabeça baseado no mostro dullahan irlandês.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Nossas Lendas V (A lenda do João de Barro) - por Marcelo Oliveira stars

Conta uma antiga lenda indígena, que há muito tempo um jovem e valente índio chamado Jaebé de uma tribo do sul do Brasil apaixonou-se pela jovem mais linda de sua tribo. Ele então foi ao pai da jovem, um dos índios mais velhos e por ocasião um líder da tribo, e pediu para se casar com ela.

O velho índio lhe perguntou:

- Que prova pode dar de tua força para que eu permita que se case com minha filha, a jovem mais bela da tribo?

- A prova do meu amor – respondeu Jaebé.

O velho índio mesmo gostando da resposta achou o jovem atrevido. E se colocando olho a olho lhe disse:

- O último guerreiro disse que ele ficaria cinco dias sem comer nada, este morreu no quarto dia. Teu a amor pode suportar tamanho desafio?

- Cinco não, pois digo que ficarei nove dias sem nada comer e não morrei. – fala o jovem sem tremer a voz.

Então, todos na tribo ficaram espantados com a tamanha coragem do jovem índio, o velho índio ordenou que a prova começasse imediatamente. Enfrente a todos da tribo ele foi enrolado em uma grossa pele de anta e assentaram guarda para que ele não saísse ou fosse alimentado. A bela índia por que Jaebé apaixonara-se acompanhava entrega do dele e seu coração se agitava, ela sabia que estava sentindo amor tamanho e reciproco por ele. 

Ao sol do quinto dia a moça foi até seu pai e suplicou que o liberasse da prova a fim de preservar a vida dele. Ele já suportara mais que o último e provara sua força. O velho não aceitou o pedido da filha, e lhe disse:

- É um jovem arrogante que fala da força do amor, então vamos esperar para ver o que a força do amor vai fazer por ele.

A jovem índia pedia todas as noites para que a deusa Lua salvasse o determinado Jaebé, e assim foi até a final nona noite, quando então seu pai disse para que desenrolassem o couro. Após alguns instantes o jovem se pôs de pé rapidamente, estava com aparência mais sadia do que no primeiro dia, seus olhos brilhavam e tinha um sorriso terno e feliz. Isso já era algo suficiente para que todos ficassem espantados, mas ele começou a cantar como um passarinho e quando sua amada apareceu ele começou pouco a pouco a se transformar em um pássaro. Penas brotaram em seu corpo e seus braços estendidos agora eram assas. Ele bateu suas assas e cantando levantou voo para dentro da floresta. Sua amada que observava tudo admirada e feliz ao ser tocada pela luz da lua viu seu corpo ganhar as formas de pássaro também, ela então seguiu o canto de seu amado e desapareceu na mata atrás dele. 

Desde então o João de Barro constrói uma casa onde protege sua amada e seus filhos e para que todos que vejam lembre-se da força do jovem Jaebé e seu amor que superou até tudo, até a morte.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Nossas Lendas IV (O Negrinho do Pastoreio) - por Marcelo Oliveria

Há muito tempo existiu um estancieiro que sua fama de ruim e avarento corria todos os lugares como o vento minuano. Os peões cortavam volta das lidas na estância, já que sabiam que iriam ter que trabalhar só por dividir o boi mais magro e chorado como se este saísse da própria pele do dono.  

Nesta estância havia um negrinho escravo, comprado muito novo não tinha pai e nem mãe, nome não recebera e era só chamado de Negrinho. Sem família ele considerava Nossa Senhora como sua madrinha, pois segundo ele sabia Ela era madrinha daqueles que não tinham. 

A estância era conhecida por seus cavalos parelheiros, tinha uma tropa de 30 tordilhos negros e um cavalo baio que era considerando um dos melhores corredores. O negrinho era o pastor dessa tropa e também o responsável por montar os cavalos nas corridas de cancha reta.

A certa feita o maldoso estancieiro e um vizinho começaram a se provocar para uma carreira, depois de muitas negaças acertaram a tal parelheira de 30 quadras. No entanto, o vizinho queria a parada para os pobres, mas o estancieiro não aceitava queria que fosse para os cavalos. Acertaram, então, que se o mouro do estancieiro vizinho ganhasse ele daria a parada para os pobres, e se o baio do maldoso estancieiro vencesse este ficava com a parada que tinha sido acertado em mil onças. 

Na estância o Negrinho seguia suas lidas, começando o trabalho antes do sol nascer e terminando só depois que ele sumisse no horizonte, mas antes disso o filho do estancieiro troçava com ele sem dó, como se fosse um vira-lata sem valor. Nessa noite o senhor disse que se preparasse o baio que correriam a parelha de trinta quadras contra mouro do vizinho.

Chegado o dia da carreira juntou mais gente que festa de santo grande, e seus ânimos estavam exaltados, as apostas eram grandes, se esvaziavam as guaiacas nas apostas e tudo o que se valesse. Era muito difícil definir quem ganharia, pois os dois animais eram muitos bons. Depois de tudo acertado se largaram os cavalos.

Os dois cortavam o vento cabeça a cabeça, o público gritava sem parar numa euforia frenética. No lombo do baio o Negrinho rezava a Virgem que não podia perder ou seu senhor iria mata-lo. No outro cavalo o corredor repetia que não podia perder porque o dinheiro eram para os pobres, e assim eles baixavam o rebenque sem dó. 

Quando se apontava os metros finais os cavalos seguiam emparelhados, mas com o baio sobrando folego para cruzar o laço e o mouro soluçando. Mas a pouco da chegada o cavalo do Negrinho se assustou e deu de parada, se pós em pé obrigando o ginetear, sendo que o outro corredor passou livre na chegada. 

O estancieiro furioso gritava – Mau jogo!, Mau jogo!

Depois de muito bochicho, pistolas e facas em punho, a carreira foi declarada feita e vitória do mouro era válida e quem perdeu que pagasse declarou o juiz da carreira. O estancieiro jogando o dinheiro nos pés do adversário se retirou. O ganhador com as apostas na mão logo distribuiu o que restara aos pobres.

Depois de se manter em silêncio na estrada ao chegar de volta nem desceu do cavalo mandou prender o Negrinho ao palanque e dar-lhe uma surra de relho sem dó. Na noite levou o negrinho a uma coxilha e lhe disse: trinta quadras tinha a cancha que perdestes; trinta dias tu ficarás aqui pastoreando a minha tropilha de trintas tordilhos negros e o baio fica no piquete e tu ficas de estaca!

Chorando o Negrinho ficou dia e noite, vento e chuva pastoreando. Passando o dia a fome e sem forças amarrou a corda no braço e deitou-se e dormiu rezando para a Virgem que deixava seu coração em calmaria. Mas durante a noite os graxains vieram sorrateiros e cortaram as cordas, o cavalo sentindo solto troteou como vento pelos campos levando a tropilha de tordilhos negros com ele. 

O Negrinho acordou assustado com o tropel, mas como a cerração e escuridão ele os perdeu. Pela manhã o filho do estancieiro vendo que a tropilha não estava correu para contar ao pai, que furioso mandou amarrar novamente o Negrinho e surra-lo. Ele ficou durante o dia todo sem água e comida.

À noite o estancieiro ordenou que saísse e achasse a tropilha perdida. Ele foi até o oratório da casa e rezando a sua madrinha, a Virgem, pegou uma vela do oratório e seguiu pelos campos, atravessou lagoas e restingas e cada avanço ia deixando pingos da vela a iluminar seu rastro. Os pingos iluminaram a escuridão, os animais se silenciaram e não o ameaçavam ou fugiam por onde ele passava. Quando os galos cataram ele escutou os relinchos dos cavalos. Muito feliz ele montou o baio e levou tordilhos para a coxilha novamente. 

Depois de recolher os cavalos ele deitou sobre um cupinzeiro e sonhando com sua madrinha, a Virgem, dormiu em paz. Mas pela manhã o filho do estancieiro veio e vendo que ele encontrara os animais, correu e os enxotou fazendo que se dispersassem pelos campos e matas. O Negrinho acordou com o tropel e vendo os cavalos sumirem sem poder fazer nada, chorou.  O filho correu e contou ao pai que o Negrinho dormia e não encontrara os cavalos. 

Mas uma fez o estancieiro mandou amarrar o Negrinho e surra-lo de relho, só que dessa vez devia ser surrado até não conseguir gemer ou soluçar mais. Com as costas recortadas e lavadas no próprio sangue, ele rezou a Virgem quando já não aguentava mais e suspirando caiu como se estivesse morto. 

Sem querer perder tempo ou gastar inchada ele mandou jogar o corpo em um formigueiro para que as formigas devorassem o corpo e o sangue. As formigas logo tomaram o corpo do pequeno negrinho. Eles viram as costas e não olharam para trás. Durante três noites e três dias o maldoso senhor sonhou com ele e tudo o que tinha eram mil vezes e tudo cabia em um formigueiro pequeno. Nesses dias houve cerração forte. 

Ele colocou todos os peões que tinha atrás do baio e da tropilha e eles não encontraram nada. No final do terceiro dia ele foi ate o formigueiro ver o que sobrara do corpo do Negrinho, mas para a surpresa dele ele viu o negrinho em pé ao lado do formigueiro sem nenhum machucado eu picada. Ao seu lado estava o baio e fazendo guarda os trinta tordilhos negros. O estancieiro não acreditava em seus olhos, mas para aumentar seu espanto ele viu a madrinha daqueles que não tem a Virgem Nossa Senhora em seu esplendor sobre a terra. Ele caiu de joelho diante do Negrinho, que de um pulo montou o banho de pelo e sem rédea, chupou os beiços e tocou a tropilha que ele encontrou pela última vez. 

Deste então quando alguém perde algo reza ao Negrinho do Pastoreio, pois ele procura o que está perdido em troca apenas de uma vela para devolver ao altar de sua madrinha Nossa senhora. E se ele não encontrar ninguém mais ira encontrar.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Surpresas - por Marcelo Oliveira

(...) a vida sempre tem suas surpresas é uma dimensão com horizontes infinitos.

Muitas pessoas são calculistas, pensam todos os passos que vão tomar na vida. Cada ano, mês ou dia é calculado, cada passo a ser dado ou que não será. Traçar objetivos e metas são próprios do ser humano. A evolução humana começa no momento que as sociedades começam a se organizar e planejar tudo desde cultivo as guerras. 

Mas como todos sabem planos e metas nem sempre saem como esperado. A vida nos traz surpresas, e isso faz com que a vida tenha um sentindo e que não sejamos apenas máquinas orgânicas. Todos os dias somos desafiados a corrigir nossos rumos, fazer coisas que nunca pensávamos em fazer e superar nossos limites. 

Nunca havia planejado ser pai, em certo momento da jornada estava com dois filhos, não biológicos, mas de coração. E com eles tive que aprender a ser pai sem ser, pensar mais nos outros e menos em mim. Eles foram crescendo e todas as preocupações inerentes também. Pré-adolescência, adolescência e ainda está tudo na metade! É a graça da vida, ser desafiado a ser e fazer o melhor a todo o instante.

Pensei que minha missão como família estava traçada e em rumo, contudo a vida não deixa nunca que possamos nos acomodar em nossa zona de conforto. E mais uma vez ela me presenteou com uma nova missão, um novo filho. Agora biológico. Mesmo sendo um susto para minha esposa, pois já não planejávamos mais filhos, senti que teria a missão de viver a paternidade em sua plenitude: da descoberta, a gestão para o nascimento...

Descobrir que vai ser pai supera qualquer dificuldade que se possa esperar, pois apesar dos desafios que ainda nos aguarda, um filho é, ou sempre deveria ser pelo menos, uma conjugação do amor de uma família. Bom, mas como eu disse a vida sempre tem suas surpresas é uma dimensão com horizontes infinitos. Apenas duas semanas depois de confirmar a gravidez descobrimos que não era um, mas dois, dois bebês. Desafio dobrado, preocupações em dobro, cansaço em dobro: Felicidade em dobro.  

A vida vai te desafiar sempre, e só amor que é colocado a cada desafio é o que determinar as vitórias, os tropeços e consequentemente quanto vai ser feliz ou quanto poderá tornar a vida de alguém melhor ou feliz. Mesmo tendo recebida uma noticia negativa na semana posterior à descoberta dos gêmeos em relação ao meu emprego, a emoção de saber que duas vidas ainda tão pequenas estão a caminho deste mundo, mesmo que tão bagunçando e incerto, não decaiu. Pois se você tem um motivo para desanimar a vida te dá dois para se levantar.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Futuro Incerto - por Marcelo Oliveira

“Nós somos a primeira geração a ter detonado o aquecimento global, mas talvez sejamos a última poder fazer algo para evita-lo.”
Barack Obama

Este século XXI tem sido de grandes incertezas em todo o Planeta, vimemos um século onde as incertezas sobre o amanhã é a única certeza que temos em relação a tudo: governos, violência, religião, clima...

Em relação ao clima esse é um dos maiores desafios para este século. Muito se diz sobre as mudanças climáticas que envolvem o mundo, que tem como clímax dessa pirâmide o aquecimento global progressivo. Em um efeito borboleta com grandes dimensões em todas as partes com grandes inundações, temperaturas recordes, tanto positivas como negativas, avanço dos mares, secas. Culturas prejudicadas, mortes e doenças potencializadas em todas as partes principalmente nos centros mais pobres. Economias subindo e descendo em todos os lugares, justamente essa que tem o seu maior filão nisso tudo. A final nossas necessidades básicas humanas foram trocadas por necessidade consumistas ao qual um mundo materialista nos faz pensar que são necessidades básicas.

Em 1972 ocorreu a primeira conferência mundial para tratar da relação do homem com o planeta. Naquele momento o homem começa a se perceber que o modelo de desenvolvimento que o ser humano vem desenvolvendo é insustentável para manter as condições normais do planeta. Mesmo que alguns pesquisadores afirmem que o aquecimento do Planeta siga um processo natural, o homem no mínimo está acelerando esse processo de séculos para poucas décadas com toda a carga que está lançando sobre ele.

Em 1979, foi lançado o primeiro filme de Mad Max que se passa em futuro pós-apocalíptico próximo, onde a disputa é pelos bens mais importantes naquele ambiente: água e combustível. Nos anos de 1980 nosso Planeta não sentia ainda toda essa pressão do aquecimento, e as energias alternativas ainda não eram opções propagadas, e sim o petróleo era a razão de todas as economias, por isso o filme coloca o combustível como base das necessidades humanas ao lado da água num futuro pós-apocalítico. O mundo não se divide mais em nações ou etnias, mas em tribos pós-urbanas. 

Na trilogia de Mad Max as coisas só pioram com os recursos ficando mais escassos e a violência sem limites, pois na verdade o que vemos é uma volta ao primitivo humano, onde os mais fortes sobrevivem. No último filme em 2015 vemos um mundo ainda mais árido e corrompido quem possui água potável é rei. Mesmo água sendo um bem raro ainda se precisa ter a sorte de encontrar água não contaminada. Tudo isso faz parte do universo de ficção da trilogia, mas ele nos traz uma reflexão muito grande sobre os rumos que nosso planeta está seguindo. Ainda não conseguimos resolver nossas questões sociais e a violência desenfreada pelo poder nesse novo século, e, as questões ambientais já estão na UTI e sem mais tempo para esperar que a raça humana resolva seus problemas. 

Nosso Planeta está reagindo às drogas que injetamos todos os dias nele, essa reação é violenta, e como não somos o centro do universo e também como fomos feitos a imagem e semelhança de Deus em essência e não em poder, vamos levando a pior. Sendo que poder humano, dinheiro, tecnologia e nada disso segura a força da natureza desse planeta azul.

A única certeza que temos sobre o futuro mais próximo, porque o mais distante nem me atrevo analisar, é que o planeta não vai ser mais o mesmo que conhecemos. Como vamos conseguir nos adaptar a essas mudanças e o que vamos fazer para mudarmos alguma coisa será o que definira a existência da humanidade.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Sejamos a Mudança! - por Marcelo Oliveira

“Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados.” - Edmund Burke

Nosso país vive dias tensos e cheios de incertezas onde o centro do poder do país - não deveria ser centro da democracia?? – é um vulcão prestes a explodir em lavas, pois a nuvens negras e cheias de cargas tóxicas colocaram nossa capital federal e todo país nas trevas. Hoje se tornou claro o que todo o brasileiro já sabia – se sabia por que nunca se fez nada?? – nossos políticos são corruptos, sejam eles de esquerda, de direita, decentro ou aqueles que são de todos os lados. Ao invés de representarem seus eleitores tornaram-se representantes de seus próprios interesses. São intermináveis revelações de corrupção onde público e o privado se confunde, políticos e partidos parecem apenas jogadores e clubes de futebol – se joga onde paga mais, a final são profissionais, né?? 

A história nos mostra que o tabuleiro do jogo dos interesses chegou aqui há muito tempo, nossa própria independência é heroica só nos livros de história, já que Don João “aconselhou” muito bem seu filho a não perder esse o trono. Claro tem a parte do grito de independência ou morte – e mais 15 milhões de dólares para Portugal e foi riscada a parte da morte (!). Mas nossos problemas começaram mesmo quando da proclamação da república onde o poder passou para as mãos do povo – elite – e assim foi até finalmente um representante popular chegar à presidência, Getúlio Vargas, que cruzou duas décadas entre altos e baixos. Entre a democracia-ditadura-democracia e a pressão de um país onde os párias esperam o melhor momento para atacar, Getúlio findou com um tiro contra o próprio peito... Nossa democracia então não sabia para onde ir: do revolucionário Juscelino Kubitschek e a criação de Brasília – a se ele soubesse o cabaré que ia virar (...) - até Jânio Quadros e sua vassoura. 

Mas sempre que tentamos engrenar nossa democracia de forma “madura” vem uma reviravolta e assim chegam os anos de chumbo – que acredite com todas as mortes, censura e centralização do poder tem muita gente sentindo falta – por mais duas décadas ficamos na obscuridade e até que voltamos a ter o direito de decidir nosso destino novamente. Parece que quando temos a liberdade de decidir nosso futuro voltamos a cair no velho, no velho político caricato, na velha política do interesse, onde os que não gostam de política são governados por aqueles que gostam – e, adivinha quem são?? Às vezes penso que aí está o segredo daqueles que pedem a intervenção militar, é muito mais fácil ser governado por alguém que manda e desmanda sem que se precise ter responsabilidade por suas atitudes. Porque em uma democracia somos responsáveis por nossos representantes. Política não é militância é cidadania responsável.

Podemos ficar aqui apontando falhas da falência de nossa democracia atual, como a falta de conscientização política da maior parte da população – muitos apontam que é pelas manobras da própria elite ou panela política que se profissionalizou em perpetuar seus cargos. A outra causa que poderia ser apontada é a pouca renovação dos políticos e os que chegam são rapidamente convencidos que o sistema funciona assim e não se pode mudar e quem não entra não consegue tocar nenhum projeto – seriam coagidos pelo sistema ou simplesmente falta de moral e decência com o coletivo? Nossa jovem democracia está doente, desenvolveu um câncer que se enraizou rapidamente por todos os lados. E neste caso não adianta só retirar o tumor principal, sem uma profunda limpeza em todos os tecidos do sistema nossa nação caminha para um colapso político muito maior. Sejamos nós a mudança que tanto queremos para que amanhã não sejamos servos do nosso passado.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar.

Nossas Lendas III (A Lenda do Primeiro Gaúcho) - por Marcelo Oliveira

Muito antes que as coxilhas tivessem donos, um povo livre e sem medo habitava os campos sulinos. Eram nômades, moravam onde os rebanhos de gado selvagem estivessem, pois era a principal fonte de alimentação. Esta era tribo indígena Minuano. Eram senhores dos pampas. Habitavam o pampa muitos séculos antes de o homem branco chegar por estes pagos. 

Mas um dia o homem branco chegou e sem pedir licença foi conquistando através da força e levando tudo o que tinha valor. Os brancos desbravaram os mais longínquos rincões atrás de ouro, prata ou tudo o que pudesse ter valor, contudo deixou um rastro de destruição e morte nas tribos indígenas que encontravam pelo frente, alguns eram levados como escravos, mas nem todos, pois muitos preferiam morrer lutando que se entregar.

Uma comitiva cruzava os campos em busca de escravos para suas lavouras quando vira ao longe fumaça, sinal de que havia não muito distante deles uma tribo indígena. Logo se dirigiram para tribo, pois precisavam de mão de obra escrava, e também cobiçavam as índias para seus pelegos. Os Minuanos estavam em volta à fogueira sem preocupações, pois era costume se reunirem entorno de uma grande fogueira para agradecerem e preparem a comida que os caçadores traziam. 

Os Minuanos eram grandes guerreiros, e conheciam muito bem as táticas de batalha. Tinham sentinelas espalhados e atentos a qualquer aproximação. As sentinelas perceberam a aproximação dos brancos e rapidamente avisaram o Grande Chefe que chamou seus guerreiros para a batalha. Quando os brancos se aproximavam da aldeia avistaram uma tropa de cavalos ao longe. Eles pensaram ser uma tropa de cavalos selvagens, e mudaram a direção de avanço, pois não podiam perder a chance de capturar tão belos animais. Continuaram avançando até se aproximarem; então, aos gritos de guerra, surgem de baixo dos cavalos os guerreiros Minuanos. Estavam ocultos ao longo do dorso, com suas boleadeiras, arcos e flechas e as mortais lanças. Pegos de surpresas pela tática indígena os brancos tentaram atacar com suas espingardas, mas os índios avançaram tão rapidamente que pouco pôde ser feito.

Assustados os que sobreviveram fugiram desordenadamente. Entre os que tombaram diante do ataque, os índios encontraram um sobrevivente. Era Rodrigo o mais jovem. Mas segundo suas tradições não deviam matar um homem ferido ou doente, e, como este não estava mais em batalha não poderia ser morto. Eles levaram o homem para tribo e o fizeram prisioneiro para que quando estivesse recuperado fosse morto. Era a lei: homem branco devia morrer pelo mal que fazia aos índios. 

A jovem índia Imembuí recebeu o dever de cuidar e alimentar o prisioneiro. Ela era uma bela moça de coração doce. A moça percebia a tristeza de Rodrigo, que sabia em seu íntimo que seria morto a qualquer momento. Eles não falavam o mesmo idioma, mas enquanto os dias passavam foram criando códigos através de gestos. Um meio próprio de se comunicar. Rodrigo sentia que podia confiar em Imembuí, e da mesma forma ela não sentia que rapaz fosse um inimigo. Quanto mais os dias passavam Rodrigo aumentava sua tristeza, sabia que seu momento chegava. Ele pediu a Imembuí que conseguisse algumas taquaras, e algumas tiras de couro de capivara. Ela prontamente conseguiu.

O dia para execução de Rodrigo estava marcado, seria na próxima lua. Imembuí sentindo uma profunda tristeza, pois seu coração já batia de forma diferente quando estava com Rodrigo. Ela correu até o chefe, que também era seu pai, e implorou pela a vida do prisioneiro. Seu pai a amava muito e deseja realizar o pedido da filha, no entanto, a decisão de execução já tinha sido tomada pelo conselho da tribo, e esses não desejavam descumprir a tradição de punir o branco e devia ser exemplo aos outros. 

Rodrigo passou os dias trabalhando com os materiais que Imembuí tinha conseguido, ela ficou ao seu lado o tempo todo. Finalmente ele terminou de confeccionar seu instrumento de cordas. Mas estava tão abatido que não conseguiu tocar. O dia de sua execução havia chegado e foi levado e amarrado em um tronco que ficava no centro da aldeia. Todos os mais velhos que faziam parte do conselho estavam reunidos, e os principais guerreiros com suas lanças também. Quando se posicionaram a jovem Minuana chorando implorou ao conselho que parasse. Eles gostavam muito da filha do Grande Chefe, mas não estavam dispostos a voltar a atrás. Contudo, frente a tão desesperado pedido, eles ordenaram que os guerreiros baixassem as lanças. Deviam soltar o prisioneiro, pois se reuniriam a noite e discutiriam a execução.

A jovem índia sentiu muita felicidade, mas Rodrigo sabia que o conselho apenas abreviara a sua execução. À noite o conselho discutia o destino do jovem, mas apesar do pedido do Grande Chefe para reconsiderar o conselho não considerava certo voltar atrás. Temendo ser sua última noite ao lado de sua amada Imembuí, ele sentou perto ao fogo com ela ao seu lado, e, ali começou a tocar seu instrumento. Ele cantou e tocou a música mais triste que lembrava, pois era como se sentia. Queria que sua amada soubesse que a tristeza não era só por morrer, mas também por ter que deixar o seu amor. 

Sua triste melodia pode ser ouvida por toda aldeia e pelos conselheiros que saíram para ouvir tão triste música. Quando viram que prisioneiro que cantava com bela voz e doçura, acreditaram que deuses mandavam um sinal e perdoaram o prisioneiro. Além disso, Rodrigo foi aceito como Minuano, e o Grande chefe permitiu que sua filha casasse com ele. Enquanto cantava todos exclamavam Gaú-che! Gaú-che! Que significa pessoa que canta triste, onde se originou a palavra gaúcha. E dos filhos de Rodrigo um branco e da índia minuana Imembuí se originou o povo gaúcho que se espalhou pelo Pampa.

Marcelo Oliveira, mora em São Francisco de Paula e estuda Gestão Ambiental. Ler e escrever são paixões. O tema? O que o mundo lhe apresentar. 

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