O Fantástico Mundo das Redes Sociais - por Vagner DiCastilhos

O Fantástico Mundo das Redes Sociais - por Vagner DiCastilhos

Há dentro de nós uma necessidade gritante de nos expressarmos. Isso é um fato, nascemos pra isso. Aliás, aquele nosso choro alto logo após rompermos a madre é a nossa primeira expressão. Estamos dizendo ao mundo que chegamos, e já chegamos fazendo barulho.

A expressão é uma arte, quando expressamos sabedoria.

Nas redes sociais não é diferente. Queremos expor. Nos expor.

Expor o que comemos, o que vestimos, onde estamos, com quem estamos, o que pensamos, mesmo quando o que pensamos não condiz com a realidade, a nossa falta de sono, falta de fome, nossa desilusão, nossa ira, nossa insensatez… 

A tendência é comparar-se. O outro é sempre mais feliz. A necessidade vigente é mostrar o quanto tenho, o quanto posso, o quanto sou, mesmo quando o que sou no mundo virtual não é o que sou no mundo real.

Fotos, fotos e fotos. Foto do meu carro, da minha casa, da minha tv. Foto de mim mesmo frente a um espelho de um banheiro sujo. De um quarto bagunçado. Uma fachada feliz de um prédio triste e desabitado. Foto do meu prato de comida, de um acidente. Foto da desgraça, de pessoas mortas, da minha vida sem graça. Foto do descaso, do supérfluo, do vazio.

Foto de um monstro que se alimenta de ‘’likes.’’

Ali na rede somos heróis. Corajosos, enfrentamos tudo e todos, discutimos nos ‘’comentários’’ e, com todo vigor de um guerreiro, defendemos nossa opinião. Nossa ignorante opinião. Nosso palpite sobre coisas que nunca ouvimos falar, opinamos pelo simples fato de nos manifestar.

Curtimos campanhas humanitárias, mas no dia a dia somos desumanos. No mundo virtual gritamos a plenos pulmões, mas no real estamos calados. Na real, estamos sempre calados. Fugimos da realidade vivendo na vaidade, e vivendo ali, morremos aos poucos aqui...

‘’Pesado isso!’’, alguém diria.



A realidade choca, é assim mesmo. E nos chama de cara para o confronto, o confronto de nós mesmos.

Isso não é uma apologia, nem um movimento para a extinção da internet. Não, a internet é boa, as redes sociais são boas.

O problema é nos deixar dominar pelas coisas quando nós é quem deveríamos dominá-las.

As redes sociais, assim como a internet em geral, são, ou pelo menos deveriam ser, apenas uma pequena parte do todo. Nossa vida é bem maior e mais abrangente que nosso perfil no Facebook. Nossa história não pode ser resumida em um vídeo do Youtube, nem mesmo em uma foto no Instagram.

Somos bem mais que isso.

Somos humanos, estamos vivos e lá fora existe um Universo, que está ali para admirarmos.

Um mundo real feito de pessoas reais. Que exercem a bela arte do olho no olho, da voz, do gesto, do movimento.

Então, queridos amigos, tomemos as rédeas de nós mesmos novamente, e venhamos a dar o devido valor a cada coisa. Vamos dominá-las e não deixar que elas nos dominem. Pois se as redes sociais nos dominarem então é chegado o momento de aprendermos a desconectar.

Vá pra rua!

Vagner DiCastilhos - São Francisco de Paula/RS
Cristão Protestante, Pensador, Designer Gráfico. 

Acredita que a educação e o acesso a cultura podem transformar toda uma sociedade.

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