Entre a ditadura e a democracia: 50 ANOS DO GOLPE DE 64 - por Cláudia Santos Duarte

Entre a ditadura e a democracia: 50 ANOS DO GOLPE DE 64 - por Cláudia Santos Duarte

Em 2014 completaram 50 anos do Golpe de 64, que instaurou a ditadura civil-militar no Brasil. 


Para alguns, é novidade saber que
esse projeto não foi implementado apenas por forças militares. Desde a polêmica posse do então presidente João Goulart (Jango), em 1961, os setores mais conservadores da sociedade brasileira manifestavam certo apoio às forças armadas, tentando impedir que Jango chegasse à presidência. Por outro lado, já nesse momento, outros grupos começaram a questionar a posição dos militares. Esse foi o caso do movimento conhecido como Campanha da Legalidade, liderado pelo governador do Rio Grande do Sul, na época, Leonel Brizola.

As manifestações da Legalidade ajudaram a garantir a posse de Jango, entretanto, três anos depois, em 31 de março de 1964 (dez anos após o suicídio de Getúlio Vargas, que já era questionado pelas forças armadas), João Goulart foi deposto pelos militares, apoiados por membros da elite econômica brasileira.

A partir daí, através de alguns Atos Institucionais, o Brasil passou a ser dirigido conforme as decisões do regime militar. É curioso destacar que dos cinco generais que presidiram o Brasil de 1964 a 1985, três deles eram gaúchos (Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel). E que os chamados Anos de Chumbo (período de maior repressão registrado na ditadura) alcançaram mais intensidade durante o governo de Médici (1969 - 1974). Vale lembrar, também, que se vivia o auge da Guerra Fria e, por isso, toda e qualquer intervenção dos EUA não era mera coincidência.

Hoje (por mais incrível que pareça), essa passagem histórica ainda divide opiniões. Uns falam do aumento da segurança dos brasileiros no período e de alguns destaques econômicos e administrativos. Outros apontam para os excessos cometidos em nome da segurança nacional e questionam aquilo que foi chamado de “milagre econômico”. Há quem fale com saudades daqueles tempos. Mas muitos são os que recordam os amigos perdidos, a censura imposta e as marcas (violentas) da repressão.

Naquela época, muitos tentaram, de alguma forma, resistir ao regime. Assim, experimentamos, por exemplo, uma produção artística de criatividade ímpar, que, apesar da censura do período, destacou nomes que ainda estão presentes na atualidade (como Chico Buarque, Gilberto Gil, Raul Seixas, etc).


Entretanto, não podemos esquecer daqueles que não entraram para a história e que, em nome da democracia e da tão falada liberdade de expressão, foram mortos, torturados ou considerados, ainda hoje, desaparecidos.

50 anos depois, mesmo sem unanimidades, permanece o debate sobre a democracia e sobre os usos e abusos vividos ontem e hoje em torno disso. Recordar esse cinquentenário é, imediatamente, refletir sobre o oposto do que foram aquelas duas décadas. É pensar

na importância do nosso papel de cidadãos, fiscalizando, expressando, mas, principalmente, participando da tomada de decisões e da construção de uma nação, verdadeiramente, democrática.


Cláudia Santos Duarte
Professora de História e Geografia no Colégio Expressão em S.F.P. Mestranda em Processos e Manifestações Culturais



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