A beleza do amor reside na ausência de fórmulas - por Ryano Mack

A beleza do amor reside na ausência de fórmulas - por Ryano Mack

O mundo moderno é repleto de discursos que estimulam a maioria das pessoas a serem mais egoístas e individualistas nas relações, é fácil se deparar com manifestações de total indiferença aos sentimentos alheios, como se sentir intensamente algo por alguém fosse um ato de fraqueza. Frases vaidosas voltadas a si, se perpetuam entre as discussões sobre relacionamentos, há inclusive, aqueles que vestem armaduras e carregam o orgulho como troféu, tão pesados de “amor próprio” que já não podem mergulhar em uma relação para não se afogar.

Aquele papo de não se entregar ao amor porque no passado alguém te machucou, nada mais é, do que condenar o presente e um possível sentimento, é dizer ao passado e ao seu (sua) algoz, que eles triunfaram sobre você e te fizeram um refém, que afasta qualquer pessoa que possa proporcionar algo bonito e sincero. Seria mais interessante e legítimo, se buscássemos deixar aflorar sentimentos e não cálculos. Porque a preocupação com o que pode fazer mal ou causar dor? O mundo por si só já é assim, a dor passa, nos deixa mais maduros e fortes, pode até virar canção, cicatriz é para os bravos e corajosos, ainda que doa, é algo que se sente, terrível mesmo deve ser não sentir nada. E se no fim das contas der mal me quer procure outra flor, o que não faltam são jardins floridos.

Não deveríamos partir de essencialismos ao discutir relações, ou seja, não devemos agir com fórmulas prontas e que sirvam para todos. Se todos somos diferentes é impossível que algum método possa valer para a vastidão de situações que possam existir, cada um ama a seu modo, é difícil ser sincero consigo mesmo quando se tem que caber em um número aceitável de atitudes de retribuição para agradar o outro, tudo que é feito sem a vontade genuína se torna obrigação.



O Amor não necessariamente deve durar, aliás nem se deveria mensurar tempo e qualidade, quantos relacionamentos não passam de um mês (Romeu e Julieta durou 5 dias) e mesmo assim são mais intensos do que namoros de 2, 3 anos, que por vezes, se detêm ao tédio, cobranças, competições de poder e talvez, até a falta de adultério seja reflexo dos desejos reprimidos em um cemitério de pulsões e prazeres condenados por quem segue fórmulas na acomodação e acaba por negar a intensidade. O único erro é não amar, pois no amor não se erra ou acerta, apenas se vive.

É nosso direito se perder e quem sabe até se encontrar em alguém, é nossa a grandeza de saber que o coração é tão valioso que podemos oferecê-lo sem pedir nada em troca. Correndo todos os riscos possíveis, menos o de aprisionar um coração ao ponto de torná-lo duro e vazio.

É fácil encontrar diversos textos sobre essa temática tão complexa e reflexiva, se debate muito sobre amor, e isso já é indicio que pouco se sabe em relação ao assunto, e que bom que não sabemos o suficiente, o amor é uma flecha cheia de incertezas, afinal, quem carrega certezas é a matemática, por isso um sentimento tão vasto deve ser sentido e não representado em passos calculados estrategicamente. Pouco sei sobre amar, e espero continuar assim, nesse abismo gigantesco que é o amor, quem não se sente confuso não é alguém com quem se possa aprender muito. 

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

O que achou, foi útil para você? Então conta pra nós!

Artigos que podem te interessar

view_module reorder

Música - Julio Rizzo e Pata de Elefante

A banda gaúcha de rock instrumental Pata de Elefante encerrou carreira no ano passado, mas deixou este álbum, com a...

Ajuste de balanço de brancos - por Silvio Kronbauer

Sabe aquelas imagens de cores quentes, aconchegantes? E aquelas imagens de tons frios, que passam certa melancolia a uma cena?...

E além de tudo, é ecológico! - por Celina Valderez

O aleitamento materno é um recurso renovável valioso. É um dos poucos alimentos produzidos e liberados para consumo sem nenhuma poluição...

Recicle seu lixo!

Hoje, ecologia e meio ambiente se converteram em palavras habituais na linguagem de muitos seres no planeta. Poderíamos dizer que...

A Crônica da Vez: Invasora - por Andrea Dórea

Outro dia precisei pedir um certo favor para um vizinho de piso, uma bobagem. Chamei à sua porta, expliquei a situação...

Visual com Arte: Minha arte, em 2004 - por Wilson Barbosa

“Minha arte, em 2004” Tela em acrílico sobre bagum Autor: Wilson Barbosa {loadmodule mod_custom,Banner adsense middle article}

Orchata de chufa si us plau - por Franco Vasconcellos

A frase que batiza esta crônica integra a letra de “Vaca Profana”, de Caetano Veloso, considerado um dos mestres da...

Dicas para acabar com a insônia - por Celina Valderez

A insônia é caracterizada pela falta e/ou dificuldade de dormir ou conseguir manter um sono contínuo sem ser interrompido durante...

Definidos Finalistas do Prêmio Academia Rio-Grandense de Letras - Cerimônia de Premiação 12 de dezembro

Já foram definidos os finalistas do primeiro concurso literário lançado este ano pela Academia Rio-Grandense de Letras e a cerimônia...

Rocambole de Carne - por Tânia D’ El Rei

Ingredientes 1⁄2 kg de carne moída 1 ovo 1 pacote de creme de cebola 100 g de presunto picado 1 kg...

Patrocinadores da cultura