Professor bom joga videogames - por Ryano Mack

Professor bom joga videogames - por Ryano Mack

Em 2001, o pesquisador norte-americano, Marc Prensky publicou um curto artigo chamado “Nativos Digitais, Imigrantes Digitais”, e desde então o nome de Prensky tem sido a grande referência para aqueles que pesquisam as relações dos jogos eletrônicos e o processo de ensino-aprendizagem. 

De acordo com Prensky, os alunos de hoje, fazem parte de uma geração que cresceu cercada por inúmeras ferramentas digitais, ou seja, passaram a vida inteira cercados e utilizando computadores, vídeo games, celulares, dentre outros instrumentos com recursos digitais. O autor sustenta que o tempo de vida que essa geração esteve em relação intima com as tecnologias, contribuiu para que o modo de processamento de informação se diferenciasse das gerações anteriores, a forma como o aluno atual aprende mudou com o tempo.

Na perspectiva de Prensky, existe uma grande problemática no campo da educação, relacionada a gerações que estão falando linguagens diferentes, os professores estão usando uma linguagem ultrapassada para tentar ensinar estudantes que falam um idioma totalmente novo. A esses, incompreensíveis as novas gerações, Prensky denomina Imigrantes digitais, ou seja, todo aqueles que se apropriaram da tecnologia, mas ainda tem algum sotaque, falar para um nativo digital “caiu a ficha” é receber de resposta “o que utiliza ficha? ”. 

Não acredito que o mundo deve ser divido em nativos e imigrantes digitais, mas confesso que sigo convencido de que os professores deveriam usar metodologias que utilize a linguagem dos alunos, se o aluno mudou, então é necessário mudar a metodologia de ensino.  Os jogos digitais podem ser um grande auxiliar para a atividade docente e também dispõe de um idioma com o qual a maioria dos alunos está familiarizado.

As diferenças entre gerações hoje, são muito maiores que a de outros tempos, a as inovações tecnológicas são a essência dessa questão, cabe aos educadores estarem sempre se atualizando e reavaliando o sistema de ensino.

Como profissional da área, me surpreende ter colegas “Nativos Digitais” resistentes a esse debate, bem como, repetindo as formulas conservadoras, seguros em não desenvolver qualquer simpatia pela discussão ou renovação. Mas não se trata de abandonar convicções pedagógicas, mas sim de conhecer e combinar estrategicamente aulas com instrumentos novos, para não se acomodar com práticas pedagógicas ultrapassadas e que não instigam interesse, mas tudo isso requer muito estudo, pesquisa e principalmente criatividade.

O aprendizado subsidiado com jogos eletrônicos, pode substituir o modelo conservador de ensino, onde os professores falam e os estudantes escutam e tomam nota. Através dos games, os estudantes são ativos e também estão imersos em simulações que permitem que eles interajam e manipulem mundos virtuais. Através do videogame, é possível reproduzir situações críticas,  envolvendo riscos, em que se desenvolve habilidades especificas e tomadas de decisões.

A Educação, de um modo geral, não tem atingindo aos jovens de maneira plena, e é possível questionar a linguagem utilizada para chegar até o aluno, na era digital, se tornou necessário a utilização de recursos, principalmente tecnológicos para as aulas. 

A atual geração de consoles e o grande número de jogos eletrônicos disponíveis tornou possível muitas abordagens, e vem se mostrando como uma das principais ferramentas de interatividade no processo de jovens e crianças. Todo esse poderio de atração, pode também ser melhor explorado para fins educativos. Existem muitos exemplos de aplicações e estudos em andamento, mas ainda é preciso uma longa caminhada e esforço dos profissionais da área para utilizar toda potencialidade dos jogos eletrônicos.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

 

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