Dom Pedro II: Um Intelectual Na Política Brasileira - por Ryano Mack

Dom Pedro II: Um Intelectual Na Política Brasileira - por Ryano Mack

Dom Pedro II foi o segundo e também último imperador do Brasil. Nasceu no Rio de Janeiro em 02 de dezembro de 1825, era o filho mais novo do Imperador Dom Pedro I e da imperatriz Dona Maria Leopoldina. Foi príncipe regente do Brasil desde os cinco anos de idade e aos quinze, conheceu a maioridade e se tornou Imperador do Brasil, cargo que ocupou até 15 de novembro de 1889 quando o império foi derrubado.

Foi na rigidez dos hábitos de disciplina e pontualidade, que Dom Pedro II cresceu. Teve a infância marcada por uma rotina severa que começava as sete da manhã, naquele momento, no país, havia a necessidade de formar um príncipe perfeito, com dedicação absoluta as suas obrigações, acima de qualquer ideologia intrínseca e interesse pessoal.  Eram poucos os companheiros para brincar, sua infância foi solitária e triste, o que o tornou tímido e carente. 

D. Pedro incorporou tais costumes, induzidos em sua infância, e ao longo da vida, sempre apresentou horários rígidos para tudo, por onde quer que estivesse. O jovem príncipe era estudioso de admirável dedicação desde criança e encontrou nos livros um abrigo.

D. Pedro II, não se sentia atraído pela vida de corte, sua educação foi aplicada, inclusive, por tutores simpáticos a inclinações republicanas, o que também influenciou suas convicções políticas. Por vezes se sentia entediado em muitas convenções e rituais tradicionais como o beija-mão, que posteriormente aboliu após uma de suas viagens a Europa, por considera-lo obsoleto. 

Dentre os diversos aspectos que nos são apresentados sobre Dom Pedro II, a erudição e a atração pela cultura merecem atenção especial. Em diversas ocasiões e obras literárias é possível encontrar a descrição do caráter intelectualizado do imperador, bem como, sua postura erudita. Dom Pedro era acusado por dedicar mais tempo aos livros do que às questões políticas.

Desde cedo, Dom Pedro II adquiriu o ótimo hábito de leitura e também de estudos, mas mais do que apenas um costume, a leitura e o estudo tornaram-se também suas grandes paixões. Poliglota desde muito novo, sabia inglês, francês, latim, grego, árabe e até tupi-guarani. Estudou História, filosofia, religião, geografia, matemática, biologia e nunca fora necessário chama-lo para estudar, Dom Pedro II adorava viajar, conhecer lugares novos e outras culturas, além do mais, o imperador escreveu diários de quase todas as viagens que fez. 

As viagens feitas dentro do Brasil tiveram mais propósitos políticos, entretanto, foram às viagens ao exterior que causaram grande fascínio ao monarca. Cabe salientar que Dom Pedro viajava como Pedro d’Alcântara, se desfazia da imagem de Imperador do Brasil, e andava pela Europa usando um casaco preto, um chapéu baixo e um cachecol preto. No exterior, Dom Pedro podia ficar livre de suas atribuições e fazer o que gostava, como visitas a instituições de cultura, educação e ciência, lugares Históricos e encontros com personagens do mundo cultural.



O século XIX foi uma época que produziu grandes pensadores de altíssima relevância em diversas áreas do conhecimento, ou seja, um prato cheio para o monarca Brasileiro intelectualizado, o Imperador encontrou muitas dessas figuras no cenário Europeu, dentre elas, constam nomes como o do escritor Victor Hugo, o músico Richard Wagner e o Cientista Louis Pasteur. Um dos mais peculiares encontros ocorreu com o filósofo Alemão Friedrich Nietzsche. 

O Filósofo alemão entrou em um trem na Áustria, e acabou em uma cabine errada, Nietzsche se desculpou e saiu, mas foi surpreendido pelo convite de um simpático senhor barbudo, para que permanecesse na cabine e o fizesse companhia. Nietzsche aceitou, e a partir daí ambos começaram uma longa conversa, e apenas quando chegaram ao destino da viagem, Nietzsche descobriu que conversou durante muito tempo com o Imperador do Brasil. 

A figura de Dom Pedro II causava impacto na Europa, em seus encontros com pensadores, mantinha os diálogos sofisticados em alto nível intelectual, por vezes em suas línguas maternas natais. Assim, a imagem que passava do Brasil era a de um lugar de pessoas eruditas e refinadas, da mesma competência da Europa.  

Em 15 de novembro de 1889, o governo de Dom Pedro II teve seu fim. Estava proclamada a República no Brasil. Dom Pedro foi exilado em Portugal, e nunca apoiou qualquer tentativa de restaurar a monarquia e inclusive negou do governo Brasileiro uma pensão. Exilado, teve uma vida humilde ainda dedica a seus estudos. Dentre suas últimas palavras, reforçou seu amor a cultura e a importância da educação:

“Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro. ”

O Brasil teve um estadista singular, respeitado pela personalidade séria e digna que manteve em sua vida, Dom Pedro II nos deixou um belo exemplo de trajetória política e dedicação aos estudos. 

REFERENCIAS:

BEZERRA. G. As Viagens do Imperador: Uma abordagem inglesa para uma atuação internacional não oficial. Cadernos De Relações Internacionais, Rio De Janeiro, v. 2, n. 2, 2009.

CARVALHO, J. D. Pedro II: Ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

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