Quando Deixaremos Kurt Cobain Descansar? - por Ryano Mack

Quando Deixaremos Kurt Cobain Descansar? - por Ryano Mack

Goste ou não, Nirvana foi uma banda revolucionária, que contribuiu para uma mudança positiva nos rumos do rock alternativo e influenciou inúmeras bandas. Kurt Cobain por sua vez, foi um dos grandes artistas da história do rock. Em 5 de abril de 1994, Kurt no ápice de sua depressão cometera suicídio, e o mundo perdia naquele momento, um artista genial. (Não pretendo precorrer o caminho das teorias conspiratórias de assassinato, porque mesmo que de alguma forma se confirmassem, Cobain era um suicida em potencial).

A pouco tempo atrás, comecei a assistir um documentário chamado Kurt Cobain – Montage of Heck, como um grande admirador da banda que sou, esperava resgatar alguma nostalgia intensa que o Grunge sempre conseguiu me cativar. Estava curioso e ansioso para olhar, fazia tempo que não via nada relacionado ao Nirvana. Como era de se esperar, a qualidade do documentário é muito boa, tanto em fontes quanto em produção, mas algo aconteceu, parei antes da metade e a partir daquele momento não quis termina-lo. Fiquei melancólico por um período, e comecei a pensar sobre o quanto dissecamos da vida pessoal do Kurt Cobain.

O Documentário traz muitos momentos íntimos da vida do músico, e cada vez mais eu me perguntava: “será que ele realmente gostaria que soubéssemos tudo isso da vida dele, se ele ficaria satisfeito com a exposição da sua vida particular? E se não, por que continuamos a sair à cata de tudo que diz respeito a Kurt Cobain?” O que não falta são fãs especulando o máximo de detalhes, comentando sobre alguma garota que ele beijou em uma lua minguante, de um dia ímpar, em março, na época de colegial, ou a cor da fita de cabelo usada um dia antes do Hollywood rock, ou na ânsia de ser considerado um grande fã, a música lado B, completamente rara que ele gravou em com seu violão em casa em uma fita cassete cujo acesso é dificílimo, chega!



A trajetória da vida de um dos maiores ícones dos anos noventa sempre foi alvo da curiosidade do público, não faltaram livros e documentários que nos prometeram imagens raras e mais verdades sobre o músico. Em 2005, o diretor Gus Van Saint se baseou na vida de Kurt para fazer seu drama psicológico “Last Days”. Na internet a exploração do artista beira o absurdo, é possível ver notícias como “cena inédita traz Cobain sofrendo de dor de estômago”, quem em sã consciência vai querer ver o artista sofrendo com dores estomacais? E mais, se algum fã for mórbido o bastante facilmente pode achar fotos da cena de suicídio de Kurt. 

Mas é um fato, Kurt Cobain foi um músico brilhante, e seu trabalho foi incrivelmente inovador, o universo do rock deve muito a ele, além do mais, Kurt era um idealista, sempre deu declarações a favor dos direitos e igualde para mulheres, homossexuais e negros. Kurt sempre se mostrou solidário a causas de minorias ou grupos oprimidos, pautas muito atuais que deveriam estimular mais as reflexões dos apreciadores do seu trabalho, ao invés das suas particularidades.

Lamentavelmente Kurt Cobain tirou a própria vida e até então não conseguiu dizer adeus, sua vida privada permanece sendo alvo de investigação. Sua obra e legado musical é de valor inestimável e deve ser sempre lembrada, assim como seus gestos de empatia, declarações contra o machismo, racismo e homofobia. Como grande admirador da sua obra, espero que cada vez mais deixemos a vida particular de Kurt Cobain em paz.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

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