Ryano Mack

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Obrigado por não fazer mais que a obrigação - por Ryano Mack stars

Minha mãe sempre me advertiu quanto a honestidade, dizendo que essa não era mais que a obrigação de qualquer pessoa, ou seja, devolver um objeto que não lhe pertence, para o seu dono, dentre outras inúmeras atitudes, é um dever, e não uma qualidade. Entretanto, pela escassez da honestidade, criticidade e senso ético, temos a abundância da busca pela vantagem pessoal, e dessa forma, os atos de integridade, quando assistidos, causam espanto na nossa sociedade, sendo esses, enaltecidos como se não fossem apenas um processo do exercício de responsabilidade que cabe a cada indivíduo. 

É comum que apareça na mídia alguma matéria jornalística, vista como exceção, em que alguém devolveu algo que não é seu. Mas essa deveria ser a regra, e não o contrário. Não deveríamos ter de agradecer alguém, pelo simples ato de ter sido honesto e cordial. 

No nosso país, lamentavelmente, obter vantagens pessoais em detrimento de quem quer que seja é algo comum, e por mais perturbador que isso pareça, as manifestações de indignação, em sua grande maioria, são vistas somente em relação à política, como se só lá houvesse desonestidade, ou seja, somos pecadores condenando pecados alheios, mesmo que o fenômeno da corrupção política beire o absurdo, ainda temos um caminho muito longo para percorrer no campo social, em virtude da ética e da cidadania. Para cada grito contra a corrupção, existe alguns suspiros na sonegação de impostos, carteirinha falsa, atestado comprado ou aquela vaga para deficiente que se pega ligeirinho, entre outros atos corruptos, que não são coibidos com a mesma energia que os discursos contra a corrupção política.

Mas de onde vem essa nossa falta de valores morais, que causam tanta perplexidade a ponto de agradecermos por um ato honesto?  

Essa pergunta exigiria um grande esforço de análise Histórica e Social, mas ainda assim, é possível estabelecer algumas perspectivas:

Infelizmente, o Brasil tem um índice de leitura vergonhoso de 1,7 livros, em média, por ano. Sem contar que muito dessa leitura é de livros de autoajuda, cuja busca reflexiva é questionável. A História nos mostra que a leitura é uma ferramenta de transformação social, a leitura, por si só, não é a garantia de tornar alguém mais ético, mas aumenta muito essa possibilidade, pois contribui para formação de pessoas mais conscientes, com maior senso crítico e tem participação na formação do caráter dos indivíduos. Uma sociedade com mais leitores, se torna mais sabia, e com mais recursos intelectuais para encarar os dilemas sociais e morais que enfrentamos no cotidiano.

Possuímos um modelo de educação que visa atender as necessidades do mercado de trabalho e não parece estar interessado na formação moral do indivíduo, desencadeando dentro desse processo, um agente que potencializa a busca do benefício próprio em detrimento da reflexão em prol dos direitos individuais alheios. Isso se reflete na pouca ênfase e protagonismo no âmbito do ensino nas áreas mais legitimadas ao debate ético, como a História, Filosofia, Sociologia, Etc.

Vivemos tempos em que os discursos se perpetuam facilmente, a internet democratizou e deu voz a todos, e isso é uma vitória da democracia, mas que por sua vez possibilitou inacreditáveis manifestações rasas de caráter moralista, que andam longe da reflexão estudada e que se preocupa em respeitar a opinião divergente. Mas a moral é uma questão de caráter, e não uma polícia disposta a controlar e criticar atitudes alheias. 

Pensar no outro, ao invés do benefício próprio, exige reflexão, senso crítico e capacidade de discernimento sobre não prejudicar o próximo. Ou seja, abrir mão de um benefício particular em nome do bem-estar comum é um exercício integro, que deve ser praticado, mesmo que os discursos contrários do tipo “todo mundo faz” sejam a tônica social. 

O exercício do bom convivo coletivo requer uma transformação na nossa maneira de enxergar o mundo, que só pode ser alcançada através de uma educação que prepare os indivíduos para uma conduta mais ética, a educação não resolverá todos os problemas do mundo, mas dará ao mundo melhores ferramentas para solucionar os seus problemas, e quem sabe a partir daí não tenhamos mais que agradecer alguém por não ter feito mais que a sua obrigação.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

Quando Deixaremos Kurt Cobain Descansar? - por Ryano Mack

Goste ou não, Nirvana foi uma banda revolucionária, que contribuiu para uma mudança positiva nos rumos do rock alternativo e influenciou inúmeras bandas. Kurt Cobain por sua vez, foi um dos grandes artistas da história do rock. Em 5 de abril de 1994, Kurt no ápice de sua depressão cometera suicídio, e o mundo perdia naquele momento, um artista genial. (Não pretendo precorrer o caminho das teorias conspiratórias de assassinato, porque mesmo que de alguma forma se confirmassem, Cobain era um suicida em potencial).

A pouco tempo atrás, comecei a assistir um documentário chamado Kurt Cobain – Montage of Heck, como um grande admirador da banda que sou, esperava resgatar alguma nostalgia intensa que o Grunge sempre conseguiu me cativar. Estava curioso e ansioso para olhar, fazia tempo que não via nada relacionado ao Nirvana. Como era de se esperar, a qualidade do documentário é muito boa, tanto em fontes quanto em produção, mas algo aconteceu, parei antes da metade e a partir daquele momento não quis termina-lo. Fiquei melancólico por um período, e comecei a pensar sobre o quanto dissecamos da vida pessoal do Kurt Cobain.

O Documentário traz muitos momentos íntimos da vida do músico, e cada vez mais eu me perguntava: “será que ele realmente gostaria que soubéssemos tudo isso da vida dele, se ele ficaria satisfeito com a exposição da sua vida particular? E se não, por que continuamos a sair à cata de tudo que diz respeito a Kurt Cobain?” O que não falta são fãs especulando o máximo de detalhes, comentando sobre alguma garota que ele beijou em uma lua minguante, de um dia ímpar, em março, na época de colegial, ou a cor da fita de cabelo usada um dia antes do Hollywood rock, ou na ânsia de ser considerado um grande fã, a música lado B, completamente rara que ele gravou em com seu violão em casa em uma fita cassete cujo acesso é dificílimo, chega!



A trajetória da vida de um dos maiores ícones dos anos noventa sempre foi alvo da curiosidade do público, não faltaram livros e documentários que nos prometeram imagens raras e mais verdades sobre o músico. Em 2005, o diretor Gus Van Saint se baseou na vida de Kurt para fazer seu drama psicológico “Last Days”. Na internet a exploração do artista beira o absurdo, é possível ver notícias como “cena inédita traz Cobain sofrendo de dor de estômago”, quem em sã consciência vai querer ver o artista sofrendo com dores estomacais? E mais, se algum fã for mórbido o bastante facilmente pode achar fotos da cena de suicídio de Kurt. 

Mas é um fato, Kurt Cobain foi um músico brilhante, e seu trabalho foi incrivelmente inovador, o universo do rock deve muito a ele, além do mais, Kurt era um idealista, sempre deu declarações a favor dos direitos e igualde para mulheres, homossexuais e negros. Kurt sempre se mostrou solidário a causas de minorias ou grupos oprimidos, pautas muito atuais que deveriam estimular mais as reflexões dos apreciadores do seu trabalho, ao invés das suas particularidades.

Lamentavelmente Kurt Cobain tirou a própria vida e até então não conseguiu dizer adeus, sua vida privada permanece sendo alvo de investigação. Sua obra e legado musical é de valor inestimável e deve ser sempre lembrada, assim como seus gestos de empatia, declarações contra o machismo, racismo e homofobia. Como grande admirador da sua obra, espero que cada vez mais deixemos a vida particular de Kurt Cobain em paz.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

Afinal Nietzsche, Deus Morreu ou não? - por Ryano Mack

No século XIX, a Ciência estava em sua melhor forma, a confiança na tecnologia e a crença em uma sociedade perfeita no futuro eram os discursos de uma nova era, marcada por invenções e descobertas cientificas. Junto a esse cenário surgiram novos pensamentos que pretendiam dar ao mundo novas concepções sobre a realidade.

Por milhares de anos a ideia de Deus foi o fundamental para o nosso pensamento sobre o mundo e para a nossa construção de valores morais. Mas voltamos para o ocidente, mais especificamente na Europa, bem antes do século XIX, ainda no período medieval (V - XV) em que o poder estava nas mãos da Igreja, as explicações para o mundo estavam relacionadas com a divindade e os dogmas do cristianismo, esse é um período caracterizado pela expressão Hierofania, que literalmente significa a manifestação do sagrado, isso quer dizer que naquela época as sociedades estavam desamparadas em relação a natureza hostil, e em sua concepção de mundo, tudo estava ligado ao sobrenatural. A ideia de Deus, paraíso, demônios, entre outras, eram centrais nessa cultura.

Se você pesquisar no Google sobre as obras do renascimento (XIV – XVI), vai ver um grande número de obras com temas religiosos, isto é, mesmo que os períodos posteriores não fossem Hierofanicos, e que já houvesse outras maneiras de compreender os fenômenos naturais, tendo a natureza como referência e cada vez mais sobre o domínio do homem, de alguma maneira a ideia de Deus estava presente, ainda de maneira sólida e intensa nos povos. Havia um acordo entre Filosofia, Ciência e Religião, que a manteve de pé. 

Mas a religião foi questionada por pensamentos iluministas no século XVIII, surgia as desconfianças mais afiadas em relação ao mundo dos deuses e da magia, e essa desavença se tornou um caldeirão prestes a explodir no século XIX. 

É nessa atmosfera em que entra o Nietzsche, um filosofo alemão, que trouxe uma série de pensamentos inovadores para o século XIX, embora aproveitados depois, Nietzsche foi um pensador questionador, e assim o foi, com os valores da cultura ocidental. 

Lá por meados de 1882, em um livro chamado A Gaia Ciência, ele fez a seguinte provocação em tom de afirmação, em um aforismo denominado O Insensato

Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu aos golpes das nossas lâminas. (Nietzsche. 1887, p. 129)

Antes de mais nada, é preciso esclarecer que Nietzsche estava convencido da não existência de um deus, e não faria nenhum sentido declarar a morte daquilo em que não crê, afinal a ideia Deus, é definida pela eternidade e onipotência (Todo poderoso), e nesse caso não é possível Deus morrer, ou se morrer, não se trata de um Deus.



 

Mas então, o que a expressão Deus está morto quer dizer? 

Nietzsche não tentou ser o assassino de Deus, como muitos acreditam de maneira errônea, o que o filosofo fez, foi a leitura de seu tempo, ou seja, a influência da religião no mundo estava menor. A estrutura de pensamento fundamentada apenas pela ideia de um Deus estava sumindo, já não era mais um tema central como foi na idade média e em outras civilizações anteriores. A partir do século XIX, muito em função do predomínio cientifico, Deus perdeu espaço em diversas áreas, na música, literatura, politica, filosofia, entre outras (O estado não faz mais leis com base em deus por exemplo).

A morte de Deus, não diz respeito a acreditar ou não em um, mas sim a um modo de pensar que mudou, no texto do filosofo não há ocorrência de negação da divindade, mas sim ao desaparecimento, como um processo continuo. Para Nietzsche o esquecimento, o afastamento, a indiferença para com Deus é a ruptura da modernidade que implicaria em sua morte, e não um ateísmo militante.  

Mas a morte de Deus é um conceito que vai além do fato de que no passado, o cerne da sociedade eram as crenças e as práticas rituais. Desde Platão, pensamos em dois mundos, esse em que a gente é obrigado a viver, e um mundo das ideias, onde reside o paraíso. O Cristianismo seria uma espécie de platonismo para o povo, e a morte de Deus também diz respeito às dicotomias do cristianismo (céu e terra, bem e mal, deus e diabo, certo ou errado, etc.) ou seja, estava morrendo uma maneira de pensar. Deus era um fundamento, de forma eterna e imutável, que estava em desacordo com um mundo fluido e cada vez mais dinâmico. 

As consequências da morte de Deus

No aforismo que anuncia a morte de Deus, Nietzsche chega a dizer que o enunciador da morte de Deus, o louco, chegou cedo demais, e não é por acaso, (o autor mais tarde se declararia como um homem póstumo, a frente de seu tempo) a humanidade não estaria madura o suficiente para receber esse fenômeno que implica a morte de deus “a grandeza desse ato não será demasiado grande para nós? ” perguntou Nietzsche.  

O movimento de emancipação do homem com a razão e a ciência, acabou por deixar um vazio existencial muito grande, e sem o abrigo que a transcendência fornecia, o homem moderno se viu tendo que buscar alguma redenção. Não é por acaso que no século XIX surgiram inúmeros movimentos ideológicos, apresentando uma série de valores para guiar o homem, sem a subordinação a Deus. A sociedade sem classes idealizada por Marx, por exemplo, é como o paraíso cristão, só que na terra. As utopias e outros valores criados, nada mais são para Nietzsche, do que sucessores de um Deus morto. 

O grande problema aqui, denuncia Nietzsche, é que uma vez anunciada a morte de Deus, ela deve ser levada até suas últimas consequências, mas a ansiedade existencial em um mundo sem sentido ou valores absolutos é que causariam a busca por fundamentalismo que transformariam coisas terrenas em sagradas. O que na nossa sociedade atual, adquire como um dos principais exemplos, o consumismo, onde o culto a Deus e a oração, são substituídos pelo culto ao produto. O divino é substituído pela mercadoria. 

Mas afinal Nietzsche, Deus Morreu ou não?

O conceito de Nietzsche, pode ser usado como leitura histórica, observando o homem pós revolução industrial, e suas novas relações como o relativismo exaltado de seu tempo. Também, colabora com algumas concepções de Deus, e como elas se desdobraram na modernidade. 

De fato, a modernidade contribuiu para afastar a ideia de Deus que esteve presente na história por muitos anos, e nos deixou como herança, algumas formas de pensamentos religiosos do qual não temos consciência. A ameaça da falta de sentido pessoal legado pela modernidade, também tornou propicio o aparecimento de outras formas de pensamento transcendentes como valores que orientam nossa conduta e se assemelham ao religioso. 

De qualquer forma a Morte de Deus não é um bom negócio, Ainda que estejamos diante de fenômenos religiosos, Deus não tem muita escolha, por vezes é privatizado e obrigado a fazer da fé um comercio, pois, algumas igrejas se tornaram um vasto e lucrativo mercado. 

REFERÊNCIAS:
NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Editora: Companhia de Bolso, 2012.
PESSOA, Fernando. Aforismos e afins. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

Dom Pedro II: Um Intelectual Na Política Brasileira - por Ryano Mack

Dom Pedro II foi o segundo e também último imperador do Brasil. Nasceu no Rio de Janeiro em 02 de dezembro de 1825, era o filho mais novo do Imperador Dom Pedro I e da imperatriz Dona Maria Leopoldina. Foi príncipe regente do Brasil desde os cinco anos de idade e aos quinze, conheceu a maioridade e se tornou Imperador do Brasil, cargo que ocupou até 15 de novembro de 1889 quando o império foi derrubado.

Foi na rigidez dos hábitos de disciplina e pontualidade, que Dom Pedro II cresceu. Teve a infância marcada por uma rotina severa que começava as sete da manhã, naquele momento, no país, havia a necessidade de formar um príncipe perfeito, com dedicação absoluta as suas obrigações, acima de qualquer ideologia intrínseca e interesse pessoal.  Eram poucos os companheiros para brincar, sua infância foi solitária e triste, o que o tornou tímido e carente. 

D. Pedro incorporou tais costumes, induzidos em sua infância, e ao longo da vida, sempre apresentou horários rígidos para tudo, por onde quer que estivesse. O jovem príncipe era estudioso de admirável dedicação desde criança e encontrou nos livros um abrigo.

D. Pedro II, não se sentia atraído pela vida de corte, sua educação foi aplicada, inclusive, por tutores simpáticos a inclinações republicanas, o que também influenciou suas convicções políticas. Por vezes se sentia entediado em muitas convenções e rituais tradicionais como o beija-mão, que posteriormente aboliu após uma de suas viagens a Europa, por considera-lo obsoleto. 

Dentre os diversos aspectos que nos são apresentados sobre Dom Pedro II, a erudição e a atração pela cultura merecem atenção especial. Em diversas ocasiões e obras literárias é possível encontrar a descrição do caráter intelectualizado do imperador, bem como, sua postura erudita. Dom Pedro era acusado por dedicar mais tempo aos livros do que às questões políticas.

Desde cedo, Dom Pedro II adquiriu o ótimo hábito de leitura e também de estudos, mas mais do que apenas um costume, a leitura e o estudo tornaram-se também suas grandes paixões. Poliglota desde muito novo, sabia inglês, francês, latim, grego, árabe e até tupi-guarani. Estudou História, filosofia, religião, geografia, matemática, biologia e nunca fora necessário chama-lo para estudar, Dom Pedro II adorava viajar, conhecer lugares novos e outras culturas, além do mais, o imperador escreveu diários de quase todas as viagens que fez. 

As viagens feitas dentro do Brasil tiveram mais propósitos políticos, entretanto, foram às viagens ao exterior que causaram grande fascínio ao monarca. Cabe salientar que Dom Pedro viajava como Pedro d’Alcântara, se desfazia da imagem de Imperador do Brasil, e andava pela Europa usando um casaco preto, um chapéu baixo e um cachecol preto. No exterior, Dom Pedro podia ficar livre de suas atribuições e fazer o que gostava, como visitas a instituições de cultura, educação e ciência, lugares Históricos e encontros com personagens do mundo cultural.



O século XIX foi uma época que produziu grandes pensadores de altíssima relevância em diversas áreas do conhecimento, ou seja, um prato cheio para o monarca Brasileiro intelectualizado, o Imperador encontrou muitas dessas figuras no cenário Europeu, dentre elas, constam nomes como o do escritor Victor Hugo, o músico Richard Wagner e o Cientista Louis Pasteur. Um dos mais peculiares encontros ocorreu com o filósofo Alemão Friedrich Nietzsche. 

O Filósofo alemão entrou em um trem na Áustria, e acabou em uma cabine errada, Nietzsche se desculpou e saiu, mas foi surpreendido pelo convite de um simpático senhor barbudo, para que permanecesse na cabine e o fizesse companhia. Nietzsche aceitou, e a partir daí ambos começaram uma longa conversa, e apenas quando chegaram ao destino da viagem, Nietzsche descobriu que conversou durante muito tempo com o Imperador do Brasil. 

A figura de Dom Pedro II causava impacto na Europa, em seus encontros com pensadores, mantinha os diálogos sofisticados em alto nível intelectual, por vezes em suas línguas maternas natais. Assim, a imagem que passava do Brasil era a de um lugar de pessoas eruditas e refinadas, da mesma competência da Europa.  

Em 15 de novembro de 1889, o governo de Dom Pedro II teve seu fim. Estava proclamada a República no Brasil. Dom Pedro foi exilado em Portugal, e nunca apoiou qualquer tentativa de restaurar a monarquia e inclusive negou do governo Brasileiro uma pensão. Exilado, teve uma vida humilde ainda dedica a seus estudos. Dentre suas últimas palavras, reforçou seu amor a cultura e a importância da educação:

“Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro. ”

O Brasil teve um estadista singular, respeitado pela personalidade séria e digna que manteve em sua vida, Dom Pedro II nos deixou um belo exemplo de trajetória política e dedicação aos estudos. 

REFERENCIAS:

BEZERRA. G. As Viagens do Imperador: Uma abordagem inglesa para uma atuação internacional não oficial. Cadernos De Relações Internacionais, Rio De Janeiro, v. 2, n. 2, 2009.

CARVALHO, J. D. Pedro II: Ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

Os 10 Personagens Mais Incríveis das Séries do Século XXI - por Ryano Mack

Uma lista certamente bem complicada (como todas as listas), a ideia aqui é colocar uma referência a um tipo de lista que ainda não encontrei na rede. O século XXI é marcado por um advento no universo das séries, consequentemente, surgiram um número muito grande de personagens sensacionais e carismáticos, portanto, essa lista foi feita para relacionar personagens que valem a pena conhecer, e também, que de alguma maneira são extraordinários, seja pela peculiaridade, pela trajetória ou/e desenvolvimento.  

Essa é uma lista de opinião, fique à vontade para fazer a sua nos comentários ou sugerir algum personagem. 

10. Norma Bates (Vera Farmiga) – Bates Motel

Uma mãe que esbanja amor incondicional pelo filho, uma personagem repleta de camadas, que manipula todos a sua volta e oscila entre o drama e o humor de maneira impecável, Vera Farmiga nos brinda com uma atuação magnifica e cheia de detalhes. Norma Bates em Bates motel é uma personagem que jamais será esquecida. 

9. Rust Cohle (Matthew McConaughey) – True Detective

O filosófico e misterioso detetive Rust Cohle, é um personagem realmente intrigante, cheio de frases do tipo : “visão é significado, significado é história”.  É de fato um personagem muito influenciado por perspectivas Nietzschianas, constantemente nos leva a refletir por questões existenciais. Sem duvidas, uma figura brilhante. 

8. Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch)

Um dos personagens mais bem concebidos da televisão, o personagem se sustenta convincentemente como um Sherlock Holmes moderno. Os diálogos, as deduções e os gestos sutis de Cumberbatch fascinam, o cara é Sherlock Holmes!!. E ainda se equivale de com grande versatilidade na peculiaridade das respostas emocionais em cenas de drama e humor.

7. Sarah Manning (Tatiana Maslany) – Orphan Black

Uma mulher moderna, que vive uma série de dilemas morais e éticos totalmente relevantes, ela assume uma personalidade na série, ou seja ela é mais de uma pessoa em uma só. Ao mesmo tempo a personagem entra em um mundo de descobertas isso em paralelo com um passado complicado. E tem que se ressaltar o trabalho da atriz Tatiana Maslany que dá conta de pelo menos 12 personagens na trama.

6. Frank Underwood (Kevin Spacey) – House of Cards

Manipulador e ardiloso, estamos diante de um estadista cheio de estratégias inteligentes em busca de suas ambições políticas, o personagem é marcado pela sua fome de poder. Por mais calculista e cruel que possa ser suas ações ele não deixa de cativar e até mesmo fazer o público torcer por ele.



5. Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel) – Vikings

O famoso Viking é uma fonte de incrível de histórias, homem visionário, estrategista perspicaz, líder brilhante, grandes feitos e uma trajetória impressionante, faz de Ragnar um personagem tão marcante que [alerta de spoiler] sua morte foi um caminho feito em direção a eternidade. 

4. Carol Peletier (Melissa McBride) – The Walking Dead

Nem Rick, nem Daryl, Carol é simplesmente a personagem mais incrível dessa série, passou de esposa oprimida que apanhava do marido, de uma mãe em luto pela morte da filha, a mulher poderosa e mortífera. Pois é, o que não matou ela, deixou ela mais forte.  Carol é uma construção de personagem muito cativante, a mais surpreendente trajetória em TWD, não poderia ficar de fora dessa lista. 

3. Jax Teller (Charlie Hunnam) – Sons Of Anarchy

Uma das melhores séries do século XXI, e um personagem digno da mesma, Teller está muito além do sangue e violência retratada na série, é um jovem atormentado pelo fantasma do pai, cheio de conflitos internos que oscila ao longo da trama. Genial, revolucionário, idealista, criminoso sanguinário dentre outras multi facetas transitando em cenários de amor a família, lealdade, violência e contratos sociais entre grupos, Jax Teller é incrível e brilhante em toda a série.

2. Walter White (Bryan Cranston) – Braking Bad

Inicialmente um pacato professor de química, pai de família e vítima de câncer no decorrer da série, um cientista perfeccionista e perverso que fabricava a mais pura metanfetamina.  As transformações do Mr White ao longo de Breaking Bad são impressionantes, um personagem cheio de camadas e que desenvolve egos como o sombrio Heisenberg. A reputação e o reconhecimento adquirido no submundo do crime levou o professor de ensino médio a uma busca orgulhosa de poder a qualquer preço. E tornou Walter White um dos personagens mais incríveis já feitos.

1. Tyrion Lannister (Peter Dinklage) – Game of Thrones

O Anão Boêmio e sarcástico de GOT, que assume todos os seus defeitos, mas também é reconhecido pela sua moralidade, compaixão e simpatia por minorias. Brilha na complexa interpretação de Peter Dinklage que tornou Tyrion um dos personagens mais marcantes e carismáticos que já existiram em um seriado, dotado de uma mente afiada e muitas frases de efeito, Tyrion é uma criação ímpar.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

Professor bom joga videogames - por Ryano Mack

Em 2001, o pesquisador norte-americano, Marc Prensky publicou um curto artigo chamado “Nativos Digitais, Imigrantes Digitais”, e desde então o nome de Prensky tem sido a grande referência para aqueles que pesquisam as relações dos jogos eletrônicos e o processo de ensino-aprendizagem. 

De acordo com Prensky, os alunos de hoje, fazem parte de uma geração que cresceu cercada por inúmeras ferramentas digitais, ou seja, passaram a vida inteira cercados e utilizando computadores, vídeo games, celulares, dentre outros instrumentos com recursos digitais. O autor sustenta que o tempo de vida que essa geração esteve em relação intima com as tecnologias, contribuiu para que o modo de processamento de informação se diferenciasse das gerações anteriores, a forma como o aluno atual aprende mudou com o tempo.

Na perspectiva de Prensky, existe uma grande problemática no campo da educação, relacionada a gerações que estão falando linguagens diferentes, os professores estão usando uma linguagem ultrapassada para tentar ensinar estudantes que falam um idioma totalmente novo. A esses, incompreensíveis as novas gerações, Prensky denomina Imigrantes digitais, ou seja, todo aqueles que se apropriaram da tecnologia, mas ainda tem algum sotaque, falar para um nativo digital “caiu a ficha” é receber de resposta “o que utiliza ficha? ”. 

Não acredito que o mundo deve ser divido em nativos e imigrantes digitais, mas confesso que sigo convencido de que os professores deveriam usar metodologias que utilize a linguagem dos alunos, se o aluno mudou, então é necessário mudar a metodologia de ensino.  Os jogos digitais podem ser um grande auxiliar para a atividade docente e também dispõe de um idioma com o qual a maioria dos alunos está familiarizado.

As diferenças entre gerações hoje, são muito maiores que a de outros tempos, a as inovações tecnológicas são a essência dessa questão, cabe aos educadores estarem sempre se atualizando e reavaliando o sistema de ensino.



Como profissional da área, me surpreende ter colegas “Nativos Digitais” resistentes a esse debate, bem como, repetindo as formulas conservadoras, seguros em não desenvolver qualquer simpatia pela discussão ou renovação. Mas não se trata de abandonar convicções pedagógicas, mas sim de conhecer e combinar estrategicamente aulas com instrumentos novos, para não se acomodar com práticas pedagógicas ultrapassadas e que não instigam interesse, mas tudo isso requer muito estudo, pesquisa e principalmente criatividade.

O aprendizado subsidiado com jogos eletrônicos, pode substituir o modelo conservador de ensino, onde os professores falam e os estudantes escutam e tomam nota. Através dos games, os estudantes são ativos e também estão imersos em simulações que permitem que eles interajam e manipulem mundos virtuais. Através do videogame, é possível reproduzir situações críticas,  envolvendo riscos, em que se desenvolve habilidades especificas e tomadas de decisões.

A Educação, de um modo geral, não tem atingindo aos jovens de maneira plena, e é possível questionar a linguagem utilizada para chegar até o aluno, na era digital, se tornou necessário a utilização de recursos, principalmente tecnológicos para as aulas. 

A atual geração de consoles e o grande número de jogos eletrônicos disponíveis tornou possível muitas abordagens, e vem se mostrando como uma das principais ferramentas de interatividade no processo de jovens e crianças. Todo esse poderio de atração, pode também ser melhor explorado para fins educativos. Existem muitos exemplos de aplicações e estudos em andamento, mas ainda é preciso uma longa caminhada e esforço dos profissionais da área para utilizar toda potencialidade dos jogos eletrônicos.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

 

Ideologia: Por que NÃO quero uma para viver - por Ryano Mack

A ideologia pode ser caracterizada, de um modo geral, como um sistema de ideias, adotado por um determinado grupo, tendo relação com diversas esferas sociais e pode ser política, religiosa, filosófica, etc. Também é possível notar um número expressivos de ideologias terminadas com o sufixo “ismo”.

No século XIX, por influência de pensamentos iluministas e ainda, o advento das ciências e tecnologias, houve uma ruptura com o modo de pensar religioso, em que crenças e práticas rituais forneciam uma interpretação fundamental da vida humana e da natureza, sendo o principal valor da convivência, entretanto, essa estrutura de pensamento, deu lugar a relativização da moral, na qual os valores, princípios morais e leis, não eram mais delegados a transcendência divina, mas sim aos homens e a ciência.

Nesse cenário, onde havia a possível ameaça da falta de sentido pessoal, surgiu um campo fértil para se disseminar princípios ideológicos, que serviriam como uma orientação ainda transcendente ao indivíduo, a maioria, se não todas elas, nasceram com a pretensão de servir para qualquer um, e também como a melhor solução para a vida.



Vivemos hoje um período em que a busca de ideais ganhou grande destaque na existência de indivíduos, suprindo a ausência da moral transcendente e balizando o comportamento social, no entanto, uma ideologia imposta como certa, pode causar um grande maleficio, havendo ainda, a oportunidade para o sujeito passar a acreditar que é definidor do que está certo ou errado, submetendo-se a critérios para julgar o mundo pela ótica ideológica que achar conveniente. Se a ideologia toma parte da existência de alguém, logo, não faltarão coletivos histéricos atuando como polícia moral, empenhados em silenciar toda e qualquer ideia que entre em atrito com seus valores ideológicos.

Pense na seguinte situação: você está andando na rua e resolve comer um hambúrguer, pois está na correria de um dia de trabalho e as outras alternativas exigiriam um tempo que você não tem, logo o hambúrguer, dadas as circunstancias, é o que é melhor para você naquele momento. Pois bem, alguém se virá para você, olha torto, e diz que você deve se livrar das carnes processadas, dos farináceos, e a partir de agora comer chia, pois é rica em cálcio e ômega-3 e a vida saudável aumenta sua qualidade de vida, outra pessoa, olha você com mais rispidez, e acrescenta que você é um assassino e está colaborando com a matança de animais. Isso porque você decidiu por você, dados os seus contextos, comer um simples hambúrguer, e então brotaram discursos morais, pois a sua ação está em desacordo com alguns grupos e seus ideais de mundo. Certamente nenhum desses agrupamentos que manifestam moralidade lhe perguntou o que você quer, do que precisa ou tentou entender sua situação.

Há um bombardeio de sentenças ideológicas em tudo que é canto, mas não seria melhor se essas pessoas lançassem um olhar sobre si mesmo ao invés de se empenhar em silenciar toda e qualquer ideia ou ação contraria ao seu pensamento? Me pergunto ainda se haveria tantas vitrines ideológicas se não houvesse a possibilidade de exibi-las numa rede social ou em grupos? Mas as ideologias seguem cada vez mais firmes, reforçando personalidades, dando motivos para a existência e também a exalando demagogia na pose de bons samaritanos, o moralismo a favor da pior imoralidade.

Porque desconstruir ideologias? Porque buscar em uma ideologia um sentido para a vida é negar a busca de um sentido em si mesmo. Ora, uma ideologia NÃO pode me tirar o direito de saber o que é bom para mim, e sendo assim, eu também não pretendo ser a referência para a vida de ninguém. Estamos cada vez mais no agarrando em propostas para viver a vida, que transcendem nós mesmo, em outras palavras, estamos deixando de lado nossas particularidades e desejos em prol de doutrinas que nos dão critérios de qualificação da vida.

Alguns dependem e até delegam sua existência em prol de um ismo qualquer, mas, acredito que ainda é possível seguir valores ideológicos sem ser o manequim da camiseta e também não querer obrigar ninguém mais a vesti-la. O melhor é não vestir camisa alguma, afinal, só quem te conhece e sabe o que é melhor para você, é você mesmo.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

A beleza do amor reside na ausência de fórmulas - por Ryano Mack

O mundo moderno é repleto de discursos que estimulam a maioria das pessoas a serem mais egoístas e individualistas nas relações, é fácil se deparar com manifestações de total indiferença aos sentimentos alheios, como se sentir intensamente algo por alguém fosse um ato de fraqueza. Frases vaidosas voltadas a si, se perpetuam entre as discussões sobre relacionamentos, há inclusive, aqueles que vestem armaduras e carregam o orgulho como troféu, tão pesados de “amor próprio” que já não podem mergulhar em uma relação para não se afogar.

Aquele papo de não se entregar ao amor porque no passado alguém te machucou, nada mais é, do que condenar o presente e um possível sentimento, é dizer ao passado e ao seu (sua) algoz, que eles triunfaram sobre você e te fizeram um refém, que afasta qualquer pessoa que possa proporcionar algo bonito e sincero. Seria mais interessante e legítimo, se buscássemos deixar aflorar sentimentos e não cálculos. Porque a preocupação com o que pode fazer mal ou causar dor? O mundo por si só já é assim, a dor passa, nos deixa mais maduros e fortes, pode até virar canção, cicatriz é para os bravos e corajosos, ainda que doa, é algo que se sente, terrível mesmo deve ser não sentir nada. E se no fim das contas der mal me quer procure outra flor, o que não faltam são jardins floridos.

Não deveríamos partir de essencialismos ao discutir relações, ou seja, não devemos agir com fórmulas prontas e que sirvam para todos. Se todos somos diferentes é impossível que algum método possa valer para a vastidão de situações que possam existir, cada um ama a seu modo, é difícil ser sincero consigo mesmo quando se tem que caber em um número aceitável de atitudes de retribuição para agradar o outro, tudo que é feito sem a vontade genuína se torna obrigação.



O Amor não necessariamente deve durar, aliás nem se deveria mensurar tempo e qualidade, quantos relacionamentos não passam de um mês (Romeu e Julieta durou 5 dias) e mesmo assim são mais intensos do que namoros de 2, 3 anos, que por vezes, se detêm ao tédio, cobranças, competições de poder e talvez, até a falta de adultério seja reflexo dos desejos reprimidos em um cemitério de pulsões e prazeres condenados por quem segue fórmulas na acomodação e acaba por negar a intensidade. O único erro é não amar, pois no amor não se erra ou acerta, apenas se vive.

É nosso direito se perder e quem sabe até se encontrar em alguém, é nossa a grandeza de saber que o coração é tão valioso que podemos oferecê-lo sem pedir nada em troca. Correndo todos os riscos possíveis, menos o de aprisionar um coração ao ponto de torná-lo duro e vazio.

É fácil encontrar diversos textos sobre essa temática tão complexa e reflexiva, se debate muito sobre amor, e isso já é indicio que pouco se sabe em relação ao assunto, e que bom que não sabemos o suficiente, o amor é uma flecha cheia de incertezas, afinal, quem carrega certezas é a matemática, por isso um sentimento tão vasto deve ser sentido e não representado em passos calculados estrategicamente. Pouco sei sobre amar, e espero continuar assim, nesse abismo gigantesco que é o amor, quem não se sente confuso não é alguém com quem se possa aprender muito. 

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

Descomplicando Michel Foucault: um breve olhar - por Ryano Mack

Michel Foucault nasceu em 15 de outubro de 1926, em Poitiers na França e morreu em 25 de junho de 1984. Foi Filósofo, Escritor, Sociólogo, Historiador e Professor, lecionando no Collège de France entre 1970 e 1984. Na década de 70, Foucault foi uma das figuras mais importantes e influentes do ambiente cultural Francês. O autor deixou um grande legado em produções literárias; dentre as mais conhecidas, estão: A História da Loucura na Idade Clássica, Arqueologia do Saber, Vigiar e Punir e Microfísica do Poder.

O nome de Michel Foucault tem um lugar de destaque entre os maiores e mais influentes pensadores do século XX. O autor desempenhou um papel fundamental nas ciências humanas. Suas ideias inovadoras tiveram reflexos que contribuíram para a transformação nas perspectivas de diversas áreas do saber como História, Direito, Filosofia, Psicologia, Sociologia. Elaborou uma série de conceitos e novos métodos para compreender o mundo, que possibilitaram debates e leituras mais sofisticadas sobre problemáticas diversas. 

Mexendo com a História:

Foucault não pretendia ser Historiador, entretanto, demonstrou uma capacidade de sentido histórico brilhante em sua época, antes mesmo da História Cultural ser o modelo de abordagem mais simpático aos historiadores. Alguns padrões de pensamento e método na História só foram possíveis de serem quebrados depois de um diálogo íntimo com a produção intelectual de Foucault. 

Na história, sobretudo no que diz respeito ao debate da área, as propostas de Foucault foram de grande impacto. Na sua época, a teoria elaborada pelo sociólogo e pensador Karl Marx, que consiste na reflexão sobre as relações humanas a partir da distribuição material e da sociedade de classes, estava super na moda para refletir a História no mundo, e ainda contava com a emoção revolucionária que garantia uma defesa fervorosa e quase religiosa de seus seguidores. Foucault foi um intelectual que propôs outro sistema para compreender o mundo, e estava convencido de que o poder não se encontra apenas em um lugar determinado, um “espaço de poder” único, tornando impossível acabar com o poder da burguesia atacando apenas o Estado, como sugeria o socialismo.

Para Michel Foucault, a História não pode ser totalizante, pois não há “uma História” geral, que abarque todos os acontecimentos sociais do mundo inteiro e também não deve ser uma corrida linear, isto é, de um ponto inicial x a um ponto final y, na busca da verdade, onde cada vez mais se avança em direção a um esclarecimento absoluto, perfeito, mas sim uma trajetória sinuosa cheia de ramificações e sentidos com “data e hora marcados”, ou seja, entendidos partindo-se do tempo e espaço em que foram produzidos. 

Arqueologia do Saber:

A Arqueologia do saber é uma metodologia sugerida por Michel Foucault. Esta pretende encontrar as perspectivas e suposições, em geral inconscientes, que estão presentes em uma determinada época. Cada período histórico tem suas verdades e estruturas de pensamento. Utilizar a arqueologia como análise das épocas é investigar os mecanismos, que no contexto da mesma, possibilitaram que as pessoas acreditassem em determinadas verdades e aceitaram alguns discursos.

A História é tratada desse modo, em oposição a uma forma de teorização totalizante, onde se pretende explicar o “real”, a “verdade”, ou fazer uma transformação social, e sim uma postura de observação que possa analisar as práticas discursivas, ou seja, daquilo que era aceito como verossímil, passível de ser verdade, e tirar o estatuto de verdade de noções acabadas de fatos e conceitos.



Praticando o Poder:

Para Foucault, somos muito mais dominados pelas normas do que pelas leis. Se você estiver caminhando na rua, é mais provável que você não pratique um ato pela reprovação de outras pessoas do que por respeito à lei. A norma é uma espécie de regra social que não está imposta juridicamente. Não existe uma lei contra falar sozinho na rua, mas a grande maioria não o faz por respeito à norma, ou por medo do que poderiam pensar os outros. A norma é um poder que nos oprime na sociedade pela influência externa, isto é, pela força exercida pela opinião alheia em relação aos meus atos. O poder não é um objeto, e sim uma prática social construída ao longo de processos históricos. O poder está presente em todos os cantos, seja na prefeitura que te obriga a pagar o IPTU, no garoto valentão que atucana os colegas na escola ou no uso do copo como copo e na xícara como xícara (embora ambos sejam apenas recipientes).

Foucault deixou grandes marcas de sua genialidade intelectual, abrindo espaço para novas formas de pensamentos. Proporcionou à História uma grande contribuição reflexiva, mesmo no fogo cruzado de modelos teóricos que eram tendência na sua época, sendo referência para novos caminhos em diversos campos do conhecimento.

 Além de influenciar e continuar influenciando diversas áreas do saber, atualmente, o filósofo e pensador Francês, buscou a influência, com grande sagacidade, de gigantes da filosofia, para criar e desdobrar conceitos refinados que permitiram a inovação e desconstrução de velhas premissas presentes na sociedade de seu tempo.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

6 Motivos Para Ouvir Bandas Autorais E Independentes Da Sua Cidade - por Ryano Mack

O cenário musical de uma cidade é composto por diversos músicos, a grande maioria não está inserida no eixo compreendido pelo grande mercado da música nacional. É comum que os músicos e as bandas se articulem para promover eventos e divulgar seu trabalho, consolidando uma cena composta por artistas emergentes em sua cidade de origem junto com o publico que aprecia sua obra.

É comum que as bandas, e qualquer outro movimento artístico, que pertence a esse ambiente, não se encontrem dentro de um padrão voltado ao consumo e o modismo, o contexto cultural dessa cena é caracterizado, principalmente, pela forma orgânica, subversiva e original que ela manifesta, e a esse cenário atribuímos o nome de Underground.

É justamente no Underground onde encontramos as bandas independentes e seu trabalho, assim como muitos outros artistas de diversos segmentos. E é relevante que você saiba que pode contribuir para fortalecer o movimento cultural da sua cidade. Veja alguns dos principais motivos:

1) Saia do conservadorismo
Conhecer músicas novas e diferentes é sempre bom e não tem contra indicação, eu sei que Led Zeppelin é uma sonzera e pega bem sair falando que curte os caras, mas ouvir bandas novas não é se opor aos antigos ou estabelecer novos paradigmas musicais, é só uma questão de não bancar o quadradão ignorante que acha que tudo que é novo não tem qualidade e ir conhecer, é muito provável que você se surpreenda.

2) Considere o esforço
O caminho que as bandas trilham é cheio de obstáculos, imagine que os músicos têm uma rotina cansativa e repetitiva de ensaios, shows, trabalho de divulgação de eventos, administração de banda, falta de grana e apoio para gravar, e ainda o trabalho de ter que compor suas próprias músicas e dar à cara a tapa com o seu trabalho. Certamente o resultado que chegou fácil até você foi feito com muita dificuldade.

3) Seja mais artístico
Oscar Wild, em um livro belíssimo chamado A Alma do Homem sob o Socialismo diz: "A arte nunca deve tentar ser popular. O público é que deve tentar ser artístico". Não priorize o número de likes, views, etc. Procure entender a proposta musical da banda e aprofunde-se em diversas nuances emocionais e sonoridades diferenciadas, muitos músicos estão mais interessados em fazer música sincera do que se tornar popular.

4) Investimento simbólico
Embora, uma banda autoral tenha muitos custos (Instrumentos, Estúdio, locomoção, etc.). O material da maioria das bandas autorais está disponível na rede, de graça, a cópia física do CD é baratinha e o ingresso do show (pelo menos aqui no Rio Grande do Sul) varia entre 5 a 20 reais, ou seja, você não vai precisar de mais que boa vontade e uns trocadinhos para desfrutar.

5) Prefira o original do que a cópia
Porque se envolver com a representação se é possível desfrutar da realidade? Uma banda autoral precisa encontrar sua sonoridade, desenvolver seu estilo, administrar suas influências, e ainda sofre uma série de criticas pelo seu trabalho por gente que mal escutou a sua música, já as bandas covers, por melhor que sejam se mantêm na consagração de quem elas copiam. Walter Benjamim, na década de 30 já alertava para esse fenômeno: "Desfruta-se o que é convencional, sem criticá-lo; critica-se o que é novo sem desfrutá-lo". Quebre essa barreira, entre uma banda autoral e uma cover, prefira a novidade e não deixe que um bom trabalho seja ofuscado por quem copia o que é consagrado.

6) Reclame menos e faça mais
Não basta só aquela reclamação mal humorada do Funk e do sertanejo por sua pobreza vocabular e poética. De fato, em tempos onde a maioria das músicas que se popularizam gira em torno de onomatopeias sexuais e formulas baratas, é possível resistir explorando bandas independentes e fazer a diferença prestigiando e valorizando uma cultura musical alternativa. E isso não se restringe a música, existe também quem crie desenhos, quadrinhos, poemas, etc.

Enfim... As cidades estão repletas de bandas independentes de qualidade e com conteúdo acessível para a maioria, mais que prestigiar uma boa música, fazer parte da cena cultural da sua cidade também vai fortalece-la.

Ryano Mack, estudante de História, Músico e Compositor, amante de café, leitura, música e filosofia

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