Volta às aulas: cuidado com as expectativas! - por Sueli Santos

Volta às aulas: cuidado com as expectativas! - por Sueli Santos

Todos os anos é a mesma coisa. O início das aulas traz muitas expectativas para pais e crianças, cada um a seu modo. Seria bom que fosse um momento de crescimento para ambos. Os pais felizes por seu filhos estarem crescendo, indo para um mundo de novas relações com a vida. As crianças felizes de poder conviver com outras crianças e aprender muitas coisas novas, mesmo que não saibam muito bem o que será.

Os primeiros dias de escola, de crianças muito pequenas, são cheios de insegurança. Elas não sabem bem o que vão encontrar. Os que estão indo pela primeira vez, além do desconhecido, ficarão longe de casa por algum tempo, longe do que lhe é familiar. Para aqueles que já passaram por essa experiência, sempre há a curiosidade para saber quem será a nova professora ou professor, se seus colegas serão os mesmos, que outras coisas terão que aprender no novo ano.

Por vezes, os pais também ficam inseguros pela separação dos filhos que começaram a ter experiências novas, longe de seu olhar protetor. Nos pais de crianças maiores, surge a expectativa de que seus filhos vençam os novos desafios da aprendizagem, que tenham progresso e que se comportem bem. 

Para as crianças, é importante entender que a escola é um lugar onde vão encontrar outras crianças, seus colegas; que vão brincar, compartilhar e ouvir histórias, aprender muitas coisas importantes para seu conhecimento, aprender sobre o mundo que as rodeia.

Mas nem sempre a entrada na escola e o convívio das crianças com o mundo do conhecimento, da troca de experiências com professores e colegas é entendido como algo leve, que traz prazer, como um mundo de aventuras. 

Algumas  vezes, buscando proteger os filhos e estimular que tenham uma boa experiência na escola, as crianças recebem recomendações do tipo: cuidado, vocês  têm que se comportar direito, ficar caladas e obedecer as ordens da professora; não fazer bagunça, ser boazinhas e não brigar com os colegas.

Mas afinal, o que significa: se comportar direito? Ficar calado e obedecer? Não fazer bagunça? Ou ser bonzinho e não brigar com os colegas? Não responder para a professora? Isso pode ter muitas interpretações por parte das crianças. Essas recomendações dos pais, podem estar ligadas à forma como eles entendem o que deva ser o comportamento de seu filho fora de casa, ou que seja isso que a escola espera das crianças.



Atenção: 

Uma coisa importante de se entender é que as crianças pequenas estão dentro do mundo da linguagem, mas nem sempre entendem o sentido do que os adultos falam. 

Criança com medo, calada, assustada, não aprende com leveza, com curiosidade, com alegria. O medo do que é novidade, daquilo que é diferente, não é um bom amigo da aprendizagem. 

O receio de fazer feio, de errar, de não saber a resposta certa, pode inibir a criança a se arriscar, a mostrar suas dificuldades.

Dicas para pais e professores:

As vezes, crianças muito quietas, que nunca perguntam nada ou que têm vergonha de falar, que são muito críticas de si mesmas, que sempre acham que o que fazem é feio, são crianças  entendem que estão proibidas emocionalmente de errar e por isso não se permitem não saber, não se permitem mostrar suas dificuldades. Então ficam caladas, encolhidas, lentas, sem criatividade, sem alegria ou aparentam desinteresse por qualquer estímulo.

Isso pode ser confundido com dificuldade de aprendizagem, ou alguma deficiência de inteligência. É preciso prestar atenção no que realmente está impedindo a criança de mostrar suas potencialidades e capacidades.

Portanto, entrar na escola, ou retornar às aulas, deve ser uma experiência de prazer, de alegria, de entusiasmo pelo novo. A escola deve ser vista como um lugar agradável, de descobertas, de conhecimento de novas pessoas, de compartilhar brincadeiras. Ou seja, de aprender com as novas experiências.

Assim as crianças vão aprender a compartilhar suas descobertas com os colegas, vão aprender a esperar sua hora de falar, vão ter curiosidade de perguntar o que não entendem, terão vontade de mostrar o que sabem.  E principalmente, é preciso respeitar que cada crianças tem seu tempo para entender tudo isso.

Não compare as crianças umas com as outras, como esse todos tivessem que aprender da mesma forma ou no mesmo jeito. Cada uma é única e essa é a riqueza da convivência da experiência de crescimento na escola, na família, na vida. Respeite as diferenças.

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

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