SE ... ENTÃO POR  QUE ...? as perguntas respondem - por Sueli Santos

SE ... ENTÃO POR QUE ...? as perguntas respondem - por Sueli Santos

Um psicanalista francês chamado Jacques Lacan(2016), em seu livro O desejo e sua interpretação, nos ensina que as perguntas respondem. Seguindo essa afirmação, será que por falar, a pessoa sabe o que diz? Parece que não. Por quê? Porque o ato de falar vai muito mais longe que o simples ato de fala. Ao falar estamos implicados em buscar sentido para o que dizemos.

O que falamos, é decorrente de nossas experiências de vida, de nossos valores e portanto, está sujeito ao registro da linguagem e da cultura. Quando perguntamos, o que queremos saber é sobre o que não temos certeza, o que duvidamos ou buscamos mais informações para o que pensamos. Mas também quando perguntamos, o fazemos porque temos alguma hipótese sobre nossas questões. Nesse caso, a pergunta já traz, de certa forma, uma resposta em embrião.

Dizendo de outra forma, aquilo que falamos é produto de nosso pensamento, mas para além disso, o pensamento está ligado a nossa história familiar, com a bagagem de tantas histórias de tantas outras famílias, ou seja, a história de nossos pais, avós e de suas origens, ideologias, crenças religiosas, de todas as experiências e ensinamentos que aprendemos com essas pessoas de nosso universo familiar. E principalmente, do que supomos que entendemos sobre essa herança familiar.

Se é assim, então por que essas histórias e vivências acumuladas não nos protegem dos enganos, desencantos, equívocos, dificuldades que nos acontecem em nossas escolhas e vivências afetivas?

Se nossa história nos ensina a viver como nossos modelos familiares, com os mesmos princípios e valores, então por que não é sem conflitos?

Se aprendemos com a experiência do sofrimento, então por que não conseguimos evitar que o sofrimento se repita na relação com nossos filhos ou com as pessoas que escolhemos para amar e compartilhar a vida?

Gostaria de tomar aqui um tema preocupante aos que têm filhos, mas aos filhos também. Tema que atravessa gerações e acaba sempre chegando à clínica psicanalítica, qual seja: a gravidez precoce na adolescência, assunto recorrente e quase epidêmico, independente de classe social ou nível cultural.

Se é um tema recorrente, independente do tipo de sociedade, então por que não é enfrentado, orientado na preparação da vida sexual dos jovens? Por que esse acontecimento ainda parece surpreender, ou ser motivo de reprovação entre adultos e adolescentes?

Se conhecemos tantos métodos de prevenção e controle de gravidez, se temos políticas públicas que disponibilizam métodos contraceptivos, então por que os adolescentes não fazem uso desse recurso na iniciação de sua sexualidade?

Se a sexualidade não é mais um tabu na sociedade atual, e cada vez mais cedo está no cotidiano dos jovens, então por que não se fala sobre isso, e não fazem uso dos meios disponíveis para evitar a gravidez precoce, ou ainda, as doenças sexualmente transmissíveis?

Se há liberdade de falar sobre o tema com os pais, com a rede de amigos(as) ou na escola, então por que a iniciação sexual tem que ser marcada por uma gravidez prematura, aos dez, doze, quinze anos?

Se as meninas engravidam prematuramente, isso não acontece por acaso ou só com elas. Então por que os meninos não são orientados a acompanhar a gestação, o parto e conversar sobre sua participação e responsabilidade com relação à vida que foi gerada?

Se a sexualidade, na juventude, faz parte de seu desenvolvimento como pessoa, faz parte de uma etapa de mudança da vida, necessariamente é um processo natural. Então por que não pode ser apenas natural e tem que ser transformada em uma carga, ou culpa, ou alvo de juízos de valor, de discriminação social?

Se a sociedade atual é livre para fazer, falar e realizar seus desejos sem censura, sem preconceito, então por que os jovens continuam sem coragem, ou confiança, ou naturalidade em falar sobre isso com suas famílias, com seus amigos, com as pessoas que confiam?

Procure dividir essas perguntas com seus filhos, com seus pais, com seus parceiros, com seus amores. Se a experiência sexual não é mais um tabu, um problema, então por que não se faz isso? Que resposta temos para essas perguntas?

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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