Por que a sexualidade ainda nos assusta ou surpreende? - por Sueli Santos

Por que a sexualidade ainda nos assusta ou surpreende? - por Sueli Santos

Gostaria de compartilhar algumas idéias que tenho discutido sobre a sexualidade na velhice. Na velhice, a sexualidade segue viva. Quando ouvimos relatos de histórias de pessoas mais velhas, é bem freqüente nos depararmos com depoimentos de seus filhos adultos, ou mesmo de cuidadores de velhos, sobre sua surpresa, ou susto e até mesmo desconforto, sobre esse tema.

Como sabemos, a sexualidade, do ponto de vista da psicanálise, é entendida como a busca do prazer ancorada em fantasias, por tanto, está para além do exclusivamente genital. Como o humano não vive sem fantasiar, então a sexualidade sempre terá um lugar no psiquismo e na vida das pessoas.

Claro que com a passagem do tempo, a prevalência da relação genital  como fonte de prazer, tão presente no inicio da vida sexual,  vai ganhando outros contornos, derivas, que passam por relações gratificantes, podendo se voltar para relações de carinho ou na convivência de grupos de amigos, ou no cuidado com os netos, ou em alguma atividade ligada a interesses criativos.

No entanto, qualquer atividade que produza prazer, alegria, encontro com velhas recordações de vivências da própria história em outros tempos vividos, ou que provoquem o interesse por novas experiências e descobertas, podem recuperar o investimento libidinal da vida dos velhos.

Parece estranho? Pois lhes digo, é vital. Então, o desejo de viver novas experiências, para além das clássicas atividades em grupo de convivência, de carteado, de bate papo, de bailes, de viagens, em qualquer dessas situações, as fantasias de continuar sendo interessante para um outro, de encantar, seduzir está sempre presente.



Nenhum velho vai para um encontro sem se produzir, sem se preocupar com sua aparência. É comum ouvir que eles ficam felizes porque alguém comentou que estavam bonitos(as) ou muito bem com tal roupa e assim por diante. Pois saibam que isso também é uma demonstração de seu interesse em seduzir. Não é como na juventude, mas a sexualidade aí tem uma nova inscrição.

Costumo ouvir relatos de jovens que se assustam quando um(a) velho(a) fala de seus desejos ou fantasias sexuais, muitas vezes com relação ao próprio cuidador. O que assusta? Por que se assustam? Afinal as pessoas velhas querem falar sobre isso, talvez até pela falta de censura que agora se permitem, queiram contar o que, em seus momentos solitários, ficam fantasiando.

É importante poder ouvir e deixar falar. Afinal, os velhos não perdem a condição de humanidade, de ser homem ou mulher ante que qualquer coisa. Talvez os cuidadores ou filhos se assustem por ouvir o que lhes é proibido dizer, ou seja,  que não  resolveram em sua própria história essas questões, que não consegue ‘dar ouvidos’ as seus próprios desejos.

Ouvir histórias, sempre ajudou os humanos a elaborar seus medos, suas angustias. Por tanto, ouçam seus velhos, e antes de tudo, não se assustem ao encontrar, agora sem censura, a fala solta sobre o desejo.

O presente texto foi produzido a partir de discussões no Curso de Pós-Graduação Envelhecimento e Saúde do Idoso (UCS).

Dra. Sueli Souza dos Santos: Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

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